BASE-FUT RECEBIDA POR CGTP!

A BASE-FUT foi recebida pela CGTP na última sexta-feira. A delegação da BASE-FUT foi composta pelo seu Presidente, João Paulo Branco, pela sua Coordenadora Nacional, Antonina Rodrigues, e por um membro da Comissão Executiva Nacional, Pedro Estêvão. Por parte da CGTP, estiveram presentes o seu Secretário-Geral, Arménio Carlos, e a representante da Comissão para Igualdade entre Mulheres e Homens, Fátima Messias.
Como é hábito entre as duas organizações, a reunião decorreu num clima de grande abertura e de discussão fértil. A BASE-FUT deu a conhecer as iniciativas que tem planeadas e desenvolvidas nas áreas do combate à precariedade laboral, do combate ao assédio moral e de sensibilização da população portuguesa para a importância vital do sindicalismo e do direito ao trabalho digno para a vida democrática. Por sua vez, a CGTP sublinhou os seus atuais eixos prioritários de acção  - promoção da qualidade do trabalho, revisão da legislação laboral, revitalização da contratação coletiva, maior justiça na redistribuição da riqueza produzida no nosso país e salvaguarda e melhoria da qualidade dos serviços públicos. Ao mesmo tempo, deu-nos a conhecer em mais detalhe a sua campanha nacional de combate à precariedade, bem como iniciativas que desenvolve no âmbito do combate e da promoção da igualdade de género. Finalmente, a CGTP reiterou a sua disponibilidade para continuar a colaborar e apoiar as iniciativas da BASE-FUT.

ZECA AFONSO: trinta anos depois!

Organizado pelo núcleo da Associação José Afonso Covilhâ/Belmonte e pelo Grupo Desportivo da Mata realiza-se nas instalações desta última coletividade um serão cultural para lembrar a música e poesia de José Afonso, o maior cantor da Resistência e da Revolução de Abril!
Na Festa, com entrada livre,estão previstas participações de Francisco Fanhais, António Fernandes, António Duarte, Ruben Matos e Jeremias.Espera-se ainda uma comunicação de Fernando Paulouro e, como é habitual, uma larga confraternização entre todos os que participarem no serão.
A BASE-FUT associa-se a esta comemoração!O ZECA está sempre nos nossos corações!

BASE-FUT E CGTP DEBATEM SITUAÇÃO SOCIAL E SINDICAL!

Amanha, 17 de fevereiro, delegações da CGTP e da BASE-FUT reúnem-se para debaterem a atual situação social e sindical do País.Nesta reunião será apresentada a nova Coordenadora Nacional da BASE-FUT, Antonina Rodrigues, que participa pela primeira vez nestas reuniões bilaterais.
A precariedade laboral e a necessidade de melhorar a legislação laboral, nomeadamente no que respeita aos direitos dos trabalhadores são alguns dos temas da reunião.

AVALIAR A SITUAÇÃ0 SOCIAL E POLÍTICA!

A Comissão Executiva Nacional da BASE-FUT reúne no  dia 18 do corrente mês de fevereiro, em Lisboa, para
análise à situação social e política, avaliação da atividade da Organização e perspetivar a  ação para os próximos tempos.
Particular atenção terão as atividades desenvolvidas sobre a temática da precariedade laboral, seminário internacional realizado há poucos dias sobre  proteção social e ainda a formação de quadros e militantes.
Os desenvolvimentos realizados nos últimos tempos para se encontrar uma nova sede da BASE-FUT no Porto serão também avaliados.
A BASE-FUT não pode deixar de lamentar o «folhetim» à volta da Caixa Geral de Depósitos quando o Parlamento e o Governo têm tantas questões importantes a resolver e que mexem com o dia a dia dos portugueses!É um exemplo claro de como os interesses dos partidos, neste caso da oposição, frequentemente se sobrepõem a outros interesses importantes das populações!Com estas práticas políticas não admira que as correntes autoritárias ganhem adeptos e  a abstenção aumente cada dia que passa!

JORGE SANTANA: Trabalhar por turnos é penoso!

Jorge Santana nasceu em Odemira, Alentejo e trabalha na Repsol de
Sines onde  coordenou a Comissão de Trabalhadores da empresa e foi membro do Comité europeu de trabalhadores.Trabalha por turnos há muitos anos e é atualmente Operador de Sala de Controlo e delegado sindical.Formado em Sociologia foi também formador  de técnicos na empresa e pertence à Comissão para os Assuntos do Trabalho da BASE-FUT.A sua experiência em organizações de trabalhadores e ação sindical torna pertinente e atual o seu breve e significativo depoimento.
 

1ª  Trabalhar por turnos é hoje mais difícil para ti do quando eras
mais jovem? Como avalias este tipo de trabalho?

Na sociedade atual muitas empresas recorrem à laboração contínua no sentido de rentabilizarem a produtividade. É o caso da empresa onde trabalho há 34 anos em regime de turnos. O trabalho em turnos são formas de organização da jornada diária de trabalho em que são realizadas actividades em diferentes horários ou em horário constante ou inconstante. O turno é resultante das mesmas actividades realizadas em diferentes períodos do dia e da noite. Nas grandes indústrias trabalha-se geralmente em turnos seguidos, e nas empresas apresenta-se na forma de turnos irregulares (pelo facto de acumulação de trabalhos nos diferentes horários). Quando se é jovem este regime de trabalho consegue ser menos penoso do que é agora. Pois o desgaste físico e psicológico que provoca é grande causando prejuízo quer físico (problemas de sono, problemas do sistema digestivo, entre outros), quer social (vida paralela em relação ao resto das pessoas, causando prejuízo no relacionamento com amigos e família). Há que ter uma disciplina muito rigorosa que vai sendo assimilada com o tempo em turnos. Hoje em dia já me custa bastante fazer as noites, pois resistir ao sono é muito penoso. Considero o trabalho por turnos, um mal necessário na nossa sociedade uma vez que os médicos, enfermeiros, soldados, forças de segurança e pessoal da indústria não podem deixar de trabalhar neste regime uma vez que fazem falta na nossa sociedade. Contudo este desgaste deveria ser compensado pelo esforço que provoca, estou a pensar por exemplo um regime de reforma mais cedo pelo que seria justo e merecido.

2ª  A tua experiência na comissão de trabalhadores valeu a pena? Como
foi feita a articulação da Comissão com os sindicatos? Conseguiu unir
os trabalhadores ?

A minha experiência na comissão de trabalhadores valeu a pena com certeza, foi uma experiencia bastante gratificante que tive durante uns 4 mandatos. No primeiro mandato foi complicado, houve uma redução de pessoal devido às novas tecnologias e também a manutenção passou a ser emoutsourcing”. Por isso a administração achou por bem haver uma restruturação a nível de pessoal. Foi difícil arranjar consensos com a administração mas sempre se mantiveram bastantes postos de trabalho. A articulação com os sindicatos era feita em paralelo uma vez que dos 5 elementos que compunham a CT, 3 eram delegados da CGTP 1 da UGT e outro trabalhador simpatizante a CGTP. Deste modo havia compromissos e consensos entre os elementos da CT, e os respectivos sindicatos. Não havia contudo uma união muito consistente entre os trabalhadores uma vez que; por um lado eramos apoiados maioritariamente pelos trabalhadores da produção, (que na maioria são dos turnos), e manutenção; por outro lado eramos menos apoiados pelo pessoal de recursos humanos e de horário normal. Estas divergências acentuavam-se por motivos políticos.

3ª A acção sindical  na tua empresa está a ser eficaz na defesa dos
direitos dos trabalhadores? Quais as limitações e caminhos?
 
A acção sindical já foi mais eficaz do que é agora. O historial de lutas laborais nos anos 80, reflecte-se no que hoje temos de bom para os trabalhadores através do acordo de empresa que temos. Este é muito mais vantajoso do que o código de trabalho, sem dúvida. As limitações que temos é a desunião entre as duas centrais sindicais. Esta desunião veio deteriorar as regalias que tínhamos e quem ganhou com isso foi o patronato. A estratégia da empresa foi na última década principalmente descredibilizar a central sindical da CGTP, que por sinal era que tinha mais associados sindicalizados. Conseguiram isso através de conflitos que foram ganhando em prejuízo dos trabalhadores. A desmotivação foi de tal ordem que houve uma fuga maciça para a outra central e houve outros que deixaram o sindicato. Hoje a CGTP não tem força aqui na empresa, deixando o seu espaço de acção para a outra central, que por sinal tem uma actuação mais para o lado do patronato desfavorecendo os trabalhadores. Posso afirmar que a grande parte das lutas efectuadas durante os 34 anos que estou nesta empresa foram feitas pala CGTP, ficando à margem das nossas lutas a outra central, que nunca aderiram a uma grave em prol de melhorias laborais e revindicações salariais. Resta a esperança da participação dos jovem que serão o futuro da força de trabalho da empresa tomarem as rédeas e reconquistar o espaço que foi deixado vago.

4ª Como avalias a actual governação do PS com apoios de outros partidos
da esquerda?

Até agora ao contrário de que muita gente dizia, a geringonça está a funcionar. Esta coligação inédita de esquerda veio dar um pouco de esperança e ânimo a quem já estava farto das políticas de direita. A reposição de salários e de direitos dos trabalhadores poderá ser um começo. Em minha opinião será fundamental mexer no código de trabalho que durante governos sucessivos o tem mal tratado, modificando o paulatinamente de tal ordem que subverteram o próprio espirito para o qual foi feito, beneficiando o elo mais fraco da relação laboral. Quando fizerem isso haverá mais esperança mais dignidade no trabalho. Espero que este governo dure o suficiente para que estas alterações sejam realizadas.


FUTUR0 DA PROTEÇÃ0 S0CIAL PÚBLICA EM SEMINÁRIO!

Paulo Pedroso, ex-ministro do Trabalho, Pedro Hespanha, sociólogo e professor jubilado da Universidade de Coimbra e Fernando Marques do Gabinete de Estudos da CGTP são alguns dos
conferencistas no seminário internacional  que decorre de 9 a 12 deste mês, sobre «FUTURO E SUSTENTABILIDADE DOS SISTEMAS PÚBLICOS DE PROTECÇÃO SOCIAL EUROPEUS”e promovido pelo CFTL, centro de formação da BASE-FUT, com o apoio da Comissão Europeia e do EZA-Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores!
 0 papel dos parceiros sociais na modernização dos sistemas públicos de segurança social e a função destes sistemas no combate ás desigualdades e à pobreza são alguns dos subtemas em debate no evento que terá participantes de Portugal, Espanha França e Itália, sendo na sua maioria sindicalistas e animadores sociais.
O seminário abre um ciclo de debate e reflexão sobre esta temática que a BASE-FUT considera, a par da precariedade, como de extrema importância e urgência para avida dos trabalhadores portugueses e europeus.
O encerramento deste seminário internacional  terá lugar no Hotel Real Oeiras, Paços de Arcos, pelas 17 horas do dia 11 de fevereiro com a apresentação das respetivas conclusões.

DIREITO AO DESCANSO E NOVAS TECNOLOGIAS!

No início do ano alguns órgãos de informação noticiaram que em França foi reconhecido por lei o direito a estar desligado da empresa e, portanto, do nosso trabalho profissional, materializando assim uma fronteira entre tempo de trabalho e tempo de descanso. Na mesma altura ouvi também dizer que um grupo parlamentar português avançaria oportunamente com um diploma nesta matéria!

Esta questão é uma matéria muito importante num tempo de grandes alterações da economia sob influência das tecnologias de comunicação, sendo hoje necessário legislar no sentido de defender na prática o direito ao descanso, uma reivindicação histórica do movimento operário e sindical bem como da doutrina social da Igreja Católica e da OIT.
O Código do Trabalho estipula diversas medidas relativas ao horário de trabalho estabelecendo no artigo 214º que o trabalhador tem direito a um período de descanso de, pelo menos, onze horas seguidas entre dois períodos diários de trabalho consecutivos. Porém, em muitas profissões a medição do tempo de trabalho e do respectivo descanso em horas tornou-se nos tempos atuais uma questão muito difícil. Vemos até muitos trabalhadores, em particular os mais jovens a admitirem como normal uma mistura do trabalho na vida pessoal! Sabemos que muitos trabalhadores fazem trabalho em casa a partir do seu telefone, computador ou tablet. Por vezes, ainda antes de tomarem banho de manhã, já estão a ver os emails da empresa ou a receber directivas das suas chefias!

Melhorar a legislação

É assim necessário melhorar a legislação laboral no sentido de garantir o descanso efectivo, facilitando a desconexão com o trabalho e permitindo o efectivo descanso, para além de uma real e saudável fronteira entre vida familiar e profissional.
Recentes estudos mostram-nos que temos cada vez mais pessoas que não descansam ou não conseguem ter um sono reparador, sofrendo graves consequências para a saúde, como o aumento da ansiedade, stresse e depressão, com problemas cardíacos ou gastro- intestinais, entre outros. E não se pense levianamente que são problemas que ocorrem apenas aos outros. Vale mais prevenir que remediar, diz o ditado popular!

Para além de medidas legislativas nesta matéria é necessário que as empresas e trabalhadores tomem consciência da necessidade de um equilíbrio saudável entre trabalho e descanso estipulando regulamentos e boas práticas neste domínio! Os ganhos de saúde, bem -estar e produtividade mostrarão claramente que o descanso para além de um direito fundamental do trabalhador e da sua família é um bom investimento da empresa e das equipas de trabalho!

Informação laboral