ROTEIRO DA CIDADANIA!

A BASE-FUT, através do investigador social Pedro Estevão,  participou no Grupo de Trabalho sobre Trabalho Digno e Crescimento.Agora, neste seminário, serão apresentados os resultados de todos os grupos de trabalho.

REUNIÃO DA DIREÇÃO DA BASE-FUT

No próximo sábado, dia 9 de dezembro, vai ter lugar, em Lisboa, a reunião da Comissão Executiva Nacional da BASE.Nos pontos da agenda de trabalho está a avaliação da situação social e política e a atividade da Organização nos últimos meses.Em análise estão alguns acontecimentos nacionais e europeus como a recente Cimeira Social Europeia em Gutemburgo, o Encontro de sindicalistas no Vaticano, as lutas na Autoeuropa e na Função Pública entre outros assuntos.
A Comissão Executiva Nacional é eleita em congresso e coordena a atividade da BASE-FUT e representa esta Organização a nível nacional e internacional.

GESTÃO EMPRESARIAL E SINDICALISMO!

Gestão e sindicalismo estão frequentemente em conflito nas empresas.A experiencia de muitos trabalhadores é o registo de que a gestão tem uma visão alheada ou hostil face à estrutua sindical da empresa e em particular ao sindicato.Para o gestor o sindicato é considerado frequentemente um elemento perturbador das diretrizes e obejetivos da empresa.As razões são diversas e não apenas de ordem dos interesses em jogo.Existem razões de ordem cultural ou ideológica e de gestão do poder na organização.
Efetivamente o sindicato também é um poder ou contrapoder na empresa ou serviço.É uma das modalidades do poder dos trabalhadores organizados.Essa é a realidade de um país democrático.As chefias e a gestão devem estar preparadas e conviver com esta situação.
Hoje em dia os gestores estão numa situação difícil.Por um lado estão pouco preparados  para saberem lidar com a organização sindical.Uma ou outra empresa com cultura de cogestão, como as alemãs, poderão estar mais preparadas para esta situação.Em geral a formação académica dos gestores negligencia a formação sindical, não os prepara verdadeiramente para um diálogo com estas estruturas.Nos cursos de gestão o sindicalismo é apresentado por professores de economia que, em geral, têm uma visão redutora e economicista do sindicalismo.Por outro lado e para além desta deficiencia académica, os gestores estão pressionados pelos acionistas, pelos detentores do capital que querem ver resultados a curto prazo, numa dinâmica de intensificação e exploração do trabalho que caracteriza o capitalismo atual a nível mundial!As próprias escolas de gestão estão frequentemente sob patrocínio ou influência de grandes empresas.
A maioria dos gestores têm hoje um estatuto muito precário, tipo  mercenário.Vão para uma empresa para uma missão muito concreta e pagam-lhe como principes.Acabada a missão, que em geral tem a ver com ajustamentos e reestruturações, ou seja, despedimentos e mais lucros, os gestores podem ser despedidos ou se despedem e vão para outra missão de outra empresa que lhes paga mais!
Os gestores são quase uma classe com interesses próprios .A sua ideologia é a do capital e assumem atualmente a dimensão predadora deste capital.Os trabalhadores são para explorar ao máximo e depois deitar fora!Sobre esta questão valerá a pena reler um livro de Vincente Gaulejac intitulado «La Societé Malade de la Gestion-idéologie gestionnaire, pouvoir managérial et harcèlement social» das Editions du Seuil , 2005..Para este investigador e professsor universitário em França a «gestão, sob uma aparencia prgamática, constitui uma ideologia que legitima a guerra económica, a obsessão do rendimento financeiro e que é largamente responsável pela crise atual...»
Existem exceções a esta regra?Claro!Em várias empreas os gestores percebem que os trabalhadores são a condição essencial de sucesso!Existe um bom relacionamento, bom ambiente de trabalho.Mas quando se fala em aumentos salariais, distribuição da riqueza e melhores condições de trabalho as simpatias param por aqui!Veja-se a oposição que existe no nosso País ao aumento do salário mínimo.E a resistência não vem só dos patrões privados.Vem do próprio Estado que suporta as IPSS e a Função Pública!Mas então a valorização salarial não é boa?Boa para os trabalhadores e boa para a economia e a mais importante forma de distribuir a riqueza numa sociedade como a nossa!
A valorização do trabalho e do trabalhador é essencial para uma economia sustentável!O gestor do futuro tem que perceber esta questão!

Informação laboral

PILAR EUROPEU DOS DIREITOS SOCIAIS!

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais foi proclamado pelos dirigentes da União Europeia, na Cimeira Social, que teve lugar em Gotemburgo, no passado dia 17 de novembro.
O PEDS define princípios e direitos essenciais para apoiar o bom funcionamento e equidade do mercado de trabalho e dos sistemas de proteção social para aplicação nos Estados Membros que a ele aderiram. 
Portugal, um dos países aderentes, comprometeu-se em pôr em prática estes princípios e direitos, responsabilidade conjunta com outros parceiros comunitários e nacionais.
Para abordar este tema e destacar as suas implicações para o nosso país e para a Europa, o Sr. Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Dr. António Vieira da Silva, irá proferir uma Conferência seguindo-se um painel de especialistas que irão aprofundar os três Capítulos que estruturam o PEDS.
A iniciativa terá lugar no dia 14 de dezembro, às 14.30 horas no Centro Cultural Casapiano – Rua dos Jerónimos, 7A - Lisboa

Esta iniciativa enquadra-se na comemoração do sexagésimo nono aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, referencia fundamental para o exercício profissional dos Assistentes Sociais.
A entrada é livre com inscrição obrigatória

OS CATÓLICOS E O SINDICALISMO!




Por Fernando Abreu
 
O presente texto aborda a intervenção de (e não dos) católicos no sindicalismo português que, como se verá, em razão da mesma fé, teve por motivação a promoção dos direitos e interesses dos trabalhadores, todavia com recurso a meios organizativos diferenciados e objetivos sociopolíticos distintos. Se, além das organizações mencionadas, outras não são referidas, tal não é devido à intenção de lhes retirar visibilidade, mas tão só ao facto de não terem sido reconhecidas como tendo influência no desenvolvimento do sindicalismo em Portugal.          

Na sequência da primeira Revolução Industrial, embora com decénios de atraso em relação à maioria dos países europeus ocidentais, teve início em Portugal o processo de industrialização, que se desenvolveu na base dos novos equipamentos movidos a vapor, mas sobretudo na exploração dos trabalhadores sujeitos a salários de fome, horários de 10 a 14 horas diárias, despedimentos abusivos e trabalho infantil.

Independentemente de opções religiosas ou políticas, o deus do novo patronato de origem burguesa era o lucro; para tal, contava com a inexistência do direito de associação e a falta de regulamentação do trabalho, bem como com a disponibilidade dos governos para reprimirem, não raras vezes violentamente, as reivindicações, os protestos, as manifestações e as greves dos trabalhadores.

As consequências de tão degradantes situações fizeram-se sentir de forma gravosa a nível social, moral e religioso, perante o silêncio da hierarquia da Igreja.Ver texto na integra.

ENCONTRO DE SINDICALISTAS NO VATICANO!





Convocada pelo Discatério (Ministério) para o Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano
decorreu entre 23 e 25 de Novembro a Conferência Internacional na qual participaram dirigentes sindicais de vários países e continentes e de diferentes correntes sindicais, o Movimento Mundial de Trabalhadores (MMTC), representado pela co-Presidente, a portuguesa Fátima Almeida, o Diretor da Organização Internacional do Trabalho, e representantes da Confederação Europeia de Sindicatos e da Confederação Sindical Internacional.

O debate centrou-se sobre “O trabalho e os movimentos dos trabalhadores no centro do desenvolvimento humano integral, sustentável e solidário”, e teve por objetivo refletir sobre o modo como os sindicatos e os movimentos de trabalhadores podem lançar iniciativas conjuntas que favoreçam a construção de sociedades que coloquem no centro da Agenda Social as pessoas e a sua dignidade nos aspetos materiais e espirituais.
Pode-se avaliar do interesse e oportunidade do debate havido sobre a discussão dos Temas centrais, dos quais destacamos: O Património da Doutrina Social da Igreja sobre O Trabalho, Análise das Realidades Sociais emergentes, Apresentação de experiências positivas, Apresentação de Propostas de Ação, cujas Conclusões serão, assim desejamos, oportunamente divulgadas.
Este Encontro insere-se na reconhecida preocupação do Papa Francisco pelo respeito da dignidade dos trabalhadores, dos desempregados, dos mais pobres, dos sem casa, dos sem terra.
Na Encíclica “Laudato si” o Papa Francisco recorda que o trabalho é uma necessidade porque dá sentido à vida nesta terra e garante o desenvolvimento humano sustentável e integral, que, no contexto da sociedade capitalista em que vivemos, não é realizável, pelo que “deveríamos indignar-nos, sobretudo com as enormes desigualdades que existem entre nós, porque continuamos a tolerar que enquanto uns se arrestam numa miséria degradante enquanto noutros mão sabem sequer o que têm”.
Na Carta que endereçou aos participantes e que foi lida no final do Encontro, o Papa Francisco (que devido aos preparativos da sua ida a Myanmar não esteve presente), expressa um exigente incentivo à ação cultural, social e política das Organizações Sindicais e dos Movimentos dos Trabalhadores, ao dizer que “devemos colocar em discussão as estruturas que prejudicam ou exploram as pessoas, as famílias, as sociedades e a nossa terra”, “para mostrar ao mundo que “não queremos um sistema de desenvolvimento económico que fomente gente desempregada, sem teto e sem terra”.
 
Fernando Abreu, sindicalista e fundador da BASE-FUT

ORGANIZAÇÕES DE TRABALHADORES ENCONTRAM-SE COM PAPA FRANCISCO!

 Nos próximos dias realiza-se em Roma uma grande conferência sobre o trabalho com o patrocínio do Papa Francisco!Centrais sindicais, organizações de trabalhadores cristãos e peritos vão aprofundar a questão do trabalho, as mudanças do mesmo e o papel das organizações de trabalhadores.De Portugal estará Fátima Almeida, Dirigente do Movimento Internacional de Trabalhadores Cristãos e o Secretário Geral da UGT, Carlos Silva.A Igreja Católica procurando  um novo protagonismo no mundo do trabalho?Apenas uma manifestação da vontade progressista do Papa Francisco?Vamos ver o documento final da Conferência para fazermos uma análise desta iniciativa.Ver notícia abaixo.

 Mundo de Trabajo, Génova, 27 de mayo 2017 © L'Osservatore Romano
(ZENIT – 20 Nov. 2017).- El jueves 23 y el viernes 24 de noviembre de 2017, tendrá lugar la Conferencia Internacional “De la Populorum Progressio a la Laudato sí” en el Vaticano, en el Aula Nueva del Sínodo.
En ella se debatirá sobre “El trabajo y el movimiento de los trabajadores en el centro del desarrollo humano integral, sostenible y solidario. ¿Por qué el mundo del trabajo sigue siendo la clave del desarrollo en el mundo globalizado?”, y está organizada por el Dicasterio para el Servicio del Desarrollo Humano Integral.
La conferencia, que contará con la participación del Papa Francisco el 24 de noviembre, tiene como objetivo abrir un área de debate y reflexión sobre el mundo del trabajo y “sobre las cuestiones relacionadas con las actividades profesionales en las estructuras sociales existentes, gracias a la contribución en su profundización de diversos movimientos sindicales”, explica el Dicasterio organizador del evento en un comunicado.
Los temas centrales que se tratarán en el encuentro serán: el patrimonio de la doctrina social de la Iglesia sobre el tema del trabajo y las perspectivas a las que apunta; el análisis de las realidades sociales emergentes; la recuperación y presentación de experiencias positivas.
También esperan aportar “propuestas de iniciativas conjuntas a favor de la construcción de sociedades que coloquen a la persona y su dignidad en el centro de la agenda social, de las políticas públicas y de un desarrollo humano integral que en realidad abarque tanto los aspectos materiales como los espirituales”.
Asimismo, la conferencia también “pretende profundizar en la enseñanza de la Iglesia sobre el tema” –explican en el comunicado– desde la encíclica Populorum Progressio del beato Pablo VI, a los cincuenta años de su publicación, hasta la Laudato si’ del Papa Francisco, en la que el Santo Padre escribe: “El trabajo es una necesidad, parte del sentido de la vida en esta tierra, camino de maduración, de desarrollo humano y de realización personal.”(n.° 128).
Ponencias
La primera jornada se abrirá con la bienvenida del Dicasterio, a cargo del padre Carlos A. Accaputo, Director de Pastoral Social en Buenos Aires (Argentina) y de un líder sindical.
Las intervenciones del cardenal Peter K.A. Turkson, Prefecto del Dicasterio para el Servicio del Desarrollo Humano Integral, y Guy Ryder, Director general de la Organización Internacional del Trabajo, precederán a la presentación de las directrices del documento preparatorio, que servirá como base para el análisis de las sesiones.
A continuación tomarán la palabra, entre otros, los representantes de los principales sindicatos italianos: Susanna Camusso, Secretaria general de CGIL, Annamaria Furlan, Secretaria general de CISL, Carmelo Barbagallo, Secretario general de UIL; y posteriormente Rudy De Leeuw, presidente de FGTB (Bélgica) y de la Confederación Europea de Sindicatos; Marta Pujadas, Presidenta del Consejo Asesor Sindical – Cosate-CSA (Organización de Estados Americanos); el Prof. Riccardo Petrella, profesor de Economía Política en la Universidad Católica de Lovaina en Bélgica; el P. Juan Carlo Scannone, S. I., teólogo; Vagner Freitas, presidente de CUT (Brasil); Stuart Appelbaum, presidente de RWDS (Estados Unidos).
Además de los representantes de la Santa Sede y del Dicasterio, la reunión contará con la presencia de representantes de los principales movimientos sindicales regionales e internacionales, especialistas en el campo de las ciencias sociales, delegaciones de 40 países, representantes de movimientos cristianos de los trabajadores, autoridades de Organización Internacional del Trabajo (OIT).
El encuentro con el Santo Padre está previsto para la tarde del viernes 24 de noviembre al finalizar los trabajos.