-Dos gestos solidários às políticas nacionais.Colóquio na Covilhã-
Debater a Pobreza e os Direitos Humanos, foi o título do colóquio, organizado pela Liga Operária Católica e a BASE – FUT, realizado no sábado, dia 31 de Maio, na Biblioteca Municipal da Covilhã, que teve como oradores convidados Manuela Silva, Presidente a Comissão Nacional Justiça e Paz, Eduarda Ribeiro, Secretaria-geral da mesma Comissão e Paulo Neves, Secretário da Caritas Diocesana da Guarda.
Com base em vários estudos, foi feita uma análise à realidade da pobreza em Portugal e quais as implicações que isso traz para a vida das populações. Começou-se por salientar que a pobreza é tida como um foco de tensão e que se pode traduzir numa situação de exclusão social.
Partindo da ideia de que não se pode ignorar o muito que já se faz, procurou-se estudar a forma de como olhar para o quanto falta fazer no combate à pobreza e exclusão social e em que sentido vão as políticas nacionais.
Uma das primeiras conclusões a ter em conta, foi de que esta chaga da pobreza só pode ser eliminada e resolvida a partir de dentro, ou seja, é muito importante que as políticas possam ir no sentido de envolver os próprios pobres e a sociedade em geral, pois não se pode tratar deste problema sem mexer no resto da sociedade.
Foi feita também uma analise sob o ponto de vista da economia e do mercado, da competitividade e da forma com as empresas têm de ser envolvidas na resolução desta problemática, pois as empresas são actores fundamentais para uma economia mais competitiva e saudável.
Do debate, ressaltou, também o papel do Estado e as suas responsabilidades de regulação e de correcção das desigualdades, através da concepção de estratégias macroeconómicas e da criação das políticas sociais.
Concluiu-se com a necessidade de uma sociedade civil forte e empenhada nesta causa e que todos os parceiros, desde o Estado Central e Local, até aos Cidadãos, têm de estar motivados a agir de forma concertada e continuada.
A Comissão Organizadora
Liga Operária Católica
BASE – FUT
Comissão Nacional Justiça e Paz
Caritas Diocesana da Guarda
UMA ECONOMIA MAIS HUMANA!
Artigo de João Lourenço
Este modelo económico está a gerar crises pelo mundo
Este modelo que nos últimos tempos tem influenciado a sociedade, está a gerar crises pelo mundo fora apesar dos enormes avanços das ciências e nas relações entre os povos. Tem uma grande capacidade de produção e de troca de bens mas não vemos resultados nem os problemas melhorados.
O desemprego e a pobreza está a crescer ao mesmo tempo que a riqueza e isto deveria mostrar o contrário. O modelo de desenvolvimento está colocar em grave perigo a sustentabilidade quer ambiental quer a social. Também por excesso de especulação fomentou-se o sobre endividamento em milhões de famílias, que agora estão em apuros e insolventes em particular por não poderem pagar a sua habitação.
O futuro próximo tem previsões altamente promissoras em quase todas as vertentes na melhoria de qualidade de vida, está em fase muito adiantada os novos medicamentos para doenças até agora sem cura e isso trará certamente para a vida humana uma melhor qualidade e mais longa. Terá consequências para a segurança social e para a sustentabilidade dos esquemas de reforma, mas se houver uma justa distribuição da riqueza haverá mais rendimentos para suprir as dificuldades.
.
Enquanto o emprego for insuficiente para os jovens não tem sentido apostar no alongamento da idade de reforma, mas deve-se deixar a liberdade de cada um de escolher por sua vontade própria, o de continuar ou não em actividade laboral. Também se deve de incentivar os idosos a libertarem o seu emprego deixando o lugar aos mais novos. E então se quiserem poderão ocupar o seu tempo em iniciativas ou no voluntariado.
È preciso uma nova organização da economia sem pôr em causa o desenvolvimento corrigindo o que está mal, isso passa por novas apostas e não por mudar os direitos dos trabalhadores como é a proposta para baixos salários, ou para o aumentar a idade para a reforma.
Uma economia mais socializada não é o que querem os lobbies em acção, também estão dentro da União Europeia assim como as grandes empresas que pretendem liquidar o pequeno comércio. Os exemplos são esclarecedores a legislação está a impor medidas que vão certamente restringir o desenvolvimento e provocar o encerramento de muitas pequenas empresas e lojas porque as medidas sanitárias e outras ficaram incomportáveis.
Nas lojas as prateleiras têm que ser de plástico, nos restaurantes as torneiras têm que ser de pedal etc. . O pequeno comércio, os artesãos que insistam em produzir bens com sabores tradicionais e caseiros são asfixiados pois exigem-se medidas de homogeneização e desinfecção de tipo industrial , fora do alcance da maioria dos caseiros confeccionadores .
Se as leis forem levadas ao seu extremo o desemprego crescerá, e uma boa parte dos nossos restaurantes encerraram para sempre por não cumprirem as regras apertadas mas em contra partida os grandes grupos cresceram nas grandes superfícies, nos grandes restaurantes e mais embalagens homologadas e mais desperdícios e mais lixo para as reciclagens que também dão rendimentos a quem as produz e recicla.
Olhar para a economia social
Mas a tradição e os sabores ficaram ainda mais pobres são uma saída bem nacional para combater o desemprego até atingirem a sustentabilidade económica e melhorar a sua produção quantas famílias e micro empresas dependem dessas iniciativas agora poderão vir a engrossar o número dos desempregados e de subsidio dependentes.
È altura de haver uma verdadeira mudança no apoio ao modelo económico, aproveitando o novo quadro de apoio da EU, para isso não pode apoiar só os grandes empreendimentos privados, os pequenos também e é preciso olhar para a economia a social e apoiar a sua implementação em todo o terreno onde esteja presente e tenha iniciativa. Ela é de âmbito nacional, tem uma mais valia e uma vantagem, não é pertença dos grandes grupos nem de multinacionais, está sempre sujeita ao controlo do seus associados por esse motivo é mais social e não pode ser deslocalizada. Também porque não visa distribuir dividendos, mas reinvestir o lucro dá melhores garantias de continuidade e de futuro.
João Lourenço, sindicalista, membro da Comissão Executiva da CGTP e responsável pelo departamento do consumo , ambiente e desenvolvimento sustentável. Militante da Base -FUT.

Vivemos numa economia moldada pela globalização, ela é marcada pelos poderes e decisões sobretudo dos grandes grupos económicos das transnacionais do chamado mercado livre neo-liberal este sustenta uma espécie de guerra fria de influência económica gerando grandes assimetrias sem ter em conta as diferenças de desenvolvimento e geográficas.
Nesta globalização são muito valorizados os resultados obtidos pelas empresas numa competitividade sem justiça para com a sociedade humana. Parte para um único grande objectivo o de aumentar os rendimentos para distribuir não pela cadeia de todos os que contribuíram para a sua realização nem para a melhoria geral da sociedade, mas quase exclusivamente para os seus accionistas.
Nesta globalização são muito valorizados os resultados obtidos pelas empresas numa competitividade sem justiça para com a sociedade humana. Parte para um único grande objectivo o de aumentar os rendimentos para distribuir não pela cadeia de todos os que contribuíram para a sua realização nem para a melhoria geral da sociedade, mas quase exclusivamente para os seus accionistas.
Este modelo económico está a gerar crises pelo mundo
Este modelo que nos últimos tempos tem influenciado a sociedade, está a gerar crises pelo mundo fora apesar dos enormes avanços das ciências e nas relações entre os povos. Tem uma grande capacidade de produção e de troca de bens mas não vemos resultados nem os problemas melhorados.
O desemprego e a pobreza está a crescer ao mesmo tempo que a riqueza e isto deveria mostrar o contrário. O modelo de desenvolvimento está colocar em grave perigo a sustentabilidade quer ambiental quer a social. Também por excesso de especulação fomentou-se o sobre endividamento em milhões de famílias, que agora estão em apuros e insolventes em particular por não poderem pagar a sua habitação.
O futuro próximo tem previsões altamente promissoras em quase todas as vertentes na melhoria de qualidade de vida, está em fase muito adiantada os novos medicamentos para doenças até agora sem cura e isso trará certamente para a vida humana uma melhor qualidade e mais longa. Terá consequências para a segurança social e para a sustentabilidade dos esquemas de reforma, mas se houver uma justa distribuição da riqueza haverá mais rendimentos para suprir as dificuldades.
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Enquanto o emprego for insuficiente para os jovens não tem sentido apostar no alongamento da idade de reforma, mas deve-se deixar a liberdade de cada um de escolher por sua vontade própria, o de continuar ou não em actividade laboral. Também se deve de incentivar os idosos a libertarem o seu emprego deixando o lugar aos mais novos. E então se quiserem poderão ocupar o seu tempo em iniciativas ou no voluntariado.
È preciso uma nova organização da economia sem pôr em causa o desenvolvimento corrigindo o que está mal, isso passa por novas apostas e não por mudar os direitos dos trabalhadores como é a proposta para baixos salários, ou para o aumentar a idade para a reforma.
Uma economia mais socializada não é o que querem os lobbies em acção, também estão dentro da União Europeia assim como as grandes empresas que pretendem liquidar o pequeno comércio. Os exemplos são esclarecedores a legislação está a impor medidas que vão certamente restringir o desenvolvimento e provocar o encerramento de muitas pequenas empresas e lojas porque as medidas sanitárias e outras ficaram incomportáveis.
Nas lojas as prateleiras têm que ser de plástico, nos restaurantes as torneiras têm que ser de pedal etc. . O pequeno comércio, os artesãos que insistam em produzir bens com sabores tradicionais e caseiros são asfixiados pois exigem-se medidas de homogeneização e desinfecção de tipo industrial , fora do alcance da maioria dos caseiros confeccionadores .
Se as leis forem levadas ao seu extremo o desemprego crescerá, e uma boa parte dos nossos restaurantes encerraram para sempre por não cumprirem as regras apertadas mas em contra partida os grandes grupos cresceram nas grandes superfícies, nos grandes restaurantes e mais embalagens homologadas e mais desperdícios e mais lixo para as reciclagens que também dão rendimentos a quem as produz e recicla.
Olhar para a economia social
Mas a tradição e os sabores ficaram ainda mais pobres são uma saída bem nacional para combater o desemprego até atingirem a sustentabilidade económica e melhorar a sua produção quantas famílias e micro empresas dependem dessas iniciativas agora poderão vir a engrossar o número dos desempregados e de subsidio dependentes.
È altura de haver uma verdadeira mudança no apoio ao modelo económico, aproveitando o novo quadro de apoio da EU, para isso não pode apoiar só os grandes empreendimentos privados, os pequenos também e é preciso olhar para a economia a social e apoiar a sua implementação em todo o terreno onde esteja presente e tenha iniciativa. Ela é de âmbito nacional, tem uma mais valia e uma vantagem, não é pertença dos grandes grupos nem de multinacionais, está sempre sujeita ao controlo do seus associados por esse motivo é mais social e não pode ser deslocalizada. Também porque não visa distribuir dividendos, mas reinvestir o lucro dá melhores garantias de continuidade e de futuro.
João Lourenço, sindicalista, membro da Comissão Executiva da CGTP e responsável pelo departamento do consumo , ambiente e desenvolvimento sustentável. Militante da Base -FUT.
VERÃO CULTURAL DE 2008
A Base-FUT vai realizar nos próximos meses 4 Semanas de Férias Culturais e um atelier de escrita luso-francês no Centro de Formação e Tempos Livres em Coimbra.
As datas são:
21 a 29 de Junho de 2008
19 a 27 de Julho/Semana e Atelier de Escrita
23 a 31 de Agosto
20 a 28 de Setembro
Passeios, visitas ao património, visitas a parques naturais, descoberta de serras e praias!
No Atelier de escrita descobrimos o prazer de escrever sobre tudo, de partilhar ideias e sentimentos!Queres participar?Inscreve-te.
Comissão Organizadora das Semanas Culturais
tel.351218120720
basefut@mail.telepac.pt
As datas são:
21 a 29 de Junho de 2008
19 a 27 de Julho/Semana e Atelier de Escrita
23 a 31 de Agosto
20 a 28 de Setembro
Passeios, visitas ao património, visitas a parques naturais, descoberta de serras e praias!
No Atelier de escrita descobrimos o prazer de escrever sobre tudo, de partilhar ideias e sentimentos!Queres participar?Inscreve-te.
Comissão Organizadora das Semanas Culturais
tel.351218120720
basefut@mail.telepac.pt
DEBATE SOBRE A POBREZA NA COVILHÃ
O modelo actual de desenvolvimento do mundo já provou que não é sustentável.As mudanças de clima, o crescimento populacional,a perda de diversidade biológica e cultural, a pobreza e as desigualdades tendem a aumentar a vulnerabilidade da vida humana, dos ecossistemas planetários e das próprias estruturas do convívio humano.Ver programa do debate no dia 31 de Maio.
Animação do debate: Manuela Silva, Eduarda Ribeiro,Paulo Neves
Local: Bibilioteca Municipal da Covilhã
Hora:14,30H
Organizadores:Base-FUT, LOC e Cáritas
Animação do debate: Manuela Silva, Eduarda Ribeiro,Paulo Neves
Local: Bibilioteca Municipal da Covilhã
Hora:14,30H
Organizadores:Base-FUT, LOC e Cáritas
O 9 DE MAIO-DIA DA EUROPA- versus PENSAR A EUROPA

Tudo indica que o Presidente da República vai promulgar o Tratado de Lisboa no próximo dia 9 -Dia da Europa-estabelecido na Cimeira de Chefes de Estado de Milão em 1985.
Neste contexto tem pertinencia o resumo do debate promovido em Coimbra pela Base-FUT sobre o Tratado.
"DEBATER O TRATADO DE LISBOA É DEBATER O NOSSO DIA A DIA!"
O Tratado de Lisboa foi motivo para um debate animado sobre o projecto europeu promovido pela BASE-F.U.T. no seu Centro de Formação e Tempos Livres em Coimbra no passado dia 5 do mês de Abril.
Participantes: militantes sociais e políticos.
Animadores: dirigentes da Base -FUT e José Manuel Pureza da Universidade de Coimbra.
.
Para os participantes as questões europeias fundamentais são as que temos de enfrentar no nosso quotidiano, ou seja as que têm a ver com os direitos sociais e políticos, serviços públicos, saúde, educação e emprego, enfim o modelo de desenvolvimento económico e social da União Europeia.
Se as questões institucionais e de regulação dos mercados (circulação de capitais e mercadorias, moeda, circulação de pessoas) vão sendo progressivamente integradas, o mesmo não se pode dizer das questões sociais que na sua maioria foram deixadas para a responsabilidade de cada Estado membro. Como consequência deu-se um nivelamento por baixo em quase todas as matérias e levando a curto prazo a uma situação que alguns chamam de americanização ou asiatização da Europa.
Os participantes puderam assim constatar que, paradoxalmente existe por um lado, Europa a mais e, por outro, Europa a menos, ou seja, nas questões económicas e de mercado existe uma Europa altamente integrada, enquanto que nas questões sociais existe uma menor integração, sendo alguns estados particularmente alérgicos a essa integração no sentido de um Modelo Social Europeu consistente.
O Tratado de Lisboa trouxe algumas inovações ao nível institucional, nomeadamente mais poderes ao Parlamento Europeu, alterações ao nível da decisão, bloqueada com o alargamento, um Presidente do Conselho e um Alto Representante para as Relações Internacionais. São alterações, alguma positivas como é o caso do reforço do Parlamento Europeu. São todavia alterações ao nível institucional. No campo da dimensão social, dos direitos laborais, desemprego e fiscalidade, por exemplo, o Tratado pouco ou nada avançou, salvo o reconhecimento de valor jurídico à Carta dos Direitos Fundamentais.
Os participantes salientaram ainda que será necessário continuar o combate por uma Europa mais democrática e solidária, nomeadamente com um orçamento mais robusto(actualmente apenas 1% do PIB da UE), num processo em que é preciso e urgente modificar a relação de forças, que tem sido favorável ao capital em detrimento do trabalho e dos trabalhadores europeus.
Neste sentido é necessária a perspectiva internacional deste combate, nomeadamente ao nível dos movimentos sociais e do movimento sindical que precisa de ultrapassar as suas limitações nacionalistas e efectivar a sua dimensão internacionalista.
Finalmente também saiu do debate a convicção que o projecto europeu apenas terá viabilidade se apostar na sua diferenciação face aos USA e aos outros blocos económicos mundiais como a China e a Índia. É na sua história, património cultural e social que está a força da Europa.
Coimbra, 05 de Abril de 2008
O Tratado de Lisboa foi motivo para um debate animado sobre o projecto europeu promovido pela BASE-F.U.T. no seu Centro de Formação e Tempos Livres em Coimbra no passado dia 5 do mês de Abril.
Participantes: militantes sociais e políticos.
Animadores: dirigentes da Base -FUT e José Manuel Pureza da Universidade de Coimbra.
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Para os participantes as questões europeias fundamentais são as que temos de enfrentar no nosso quotidiano, ou seja as que têm a ver com os direitos sociais e políticos, serviços públicos, saúde, educação e emprego, enfim o modelo de desenvolvimento económico e social da União Europeia.
Se as questões institucionais e de regulação dos mercados (circulação de capitais e mercadorias, moeda, circulação de pessoas) vão sendo progressivamente integradas, o mesmo não se pode dizer das questões sociais que na sua maioria foram deixadas para a responsabilidade de cada Estado membro. Como consequência deu-se um nivelamento por baixo em quase todas as matérias e levando a curto prazo a uma situação que alguns chamam de americanização ou asiatização da Europa.
Os participantes puderam assim constatar que, paradoxalmente existe por um lado, Europa a mais e, por outro, Europa a menos, ou seja, nas questões económicas e de mercado existe uma Europa altamente integrada, enquanto que nas questões sociais existe uma menor integração, sendo alguns estados particularmente alérgicos a essa integração no sentido de um Modelo Social Europeu consistente.
O Tratado de Lisboa trouxe algumas inovações ao nível institucional, nomeadamente mais poderes ao Parlamento Europeu, alterações ao nível da decisão, bloqueada com o alargamento, um Presidente do Conselho e um Alto Representante para as Relações Internacionais. São alterações, alguma positivas como é o caso do reforço do Parlamento Europeu. São todavia alterações ao nível institucional. No campo da dimensão social, dos direitos laborais, desemprego e fiscalidade, por exemplo, o Tratado pouco ou nada avançou, salvo o reconhecimento de valor jurídico à Carta dos Direitos Fundamentais.
Os participantes salientaram ainda que será necessário continuar o combate por uma Europa mais democrática e solidária, nomeadamente com um orçamento mais robusto(actualmente apenas 1% do PIB da UE), num processo em que é preciso e urgente modificar a relação de forças, que tem sido favorável ao capital em detrimento do trabalho e dos trabalhadores europeus.
Neste sentido é necessária a perspectiva internacional deste combate, nomeadamente ao nível dos movimentos sociais e do movimento sindical que precisa de ultrapassar as suas limitações nacionalistas e efectivar a sua dimensão internacionalista.
Finalmente também saiu do debate a convicção que o projecto europeu apenas terá viabilidade se apostar na sua diferenciação face aos USA e aos outros blocos económicos mundiais como a China e a Índia. É na sua história, património cultural e social que está a força da Europa.
Coimbra, 05 de Abril de 2008
PRIMEIRO DE MAIO EM LISBOA

Reportagem breve nos três locais de Lisboa onde se comemorou o 1ºde Maio de 2008
A UGT salvou a face
Uma das novidades deste Primeiro de Maio era sem dúvida a manif da UGT a realizar do Marquês até ao Rossio.A Central Sindical apostou forte porque o desafio era importante.Uma manif exige outro investimento do que uma mera concentração num jardim animada por alguns grupos musicais.Notou-se que os bancários e os seguros de todo o País foram a coluna principal da manif com alguns milhares de manifestantes.
As palavras de ordem eram todas muito cordatas....muitas bandeiras sindicais.Não se lia nem ouvia qualquer referencia à grande questão do momento-o código do trabalho. Dir-se-ia que a UGT já se prepara para uma negociação,aliás a palavra mais repetida nos panos sindicais para além do emprego e a precariedade.A palavra de ordem mais subversiva era a dos Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado que dizia "O futuro é construído com os trabalhadores".
Os bombos e os apitos davam a sensação de um samba brasileiro para quem estivesse e costas....e aquela de um casal de gigantões do Minho, enfim era de evitar!
Todavia, bem esticada a manif deu para compôr a Avenida da Liberdade e, segundo a polícia, estariam 20 30 mil pessoas!Nas margens ainda passeavam muitos manifestantes pouco convictos ou que apenas iam ver o 1º de Maio e, claro, muitos turistas, quase todos da vizinha Espanha!Foi notória a participação de muitas caras que eram de trabalhadores imigrantes.Mas os séniores eram a maioria!Aliás, nas delegações dos Bancários duvida-se que a maioria ainda trabalhasse hoje em algum Banco.
União dos Sindicatos Independentes/USI
No Campo das Cebolas um palco e alguns panos sindicais indicavam a concentração da USI que teima em ser reconhecida e cuja força principal também são os quadros da Banca.Entre duas a tres centenas de pessoas em que dois terços seriam turistas e os componentes dos grupos folclóricos.Não deu para ver mais nada...os sindicalistas seriam alguns séniores que vestiam uma camisola azul escura e um barrete a condizer.
CGTP novamente na Alameda
A CGTP voltou à Alameda com uma boa manifestação.Se na UGT estavam 30 mil na Alameda estariam mais de 100 mil.É verdade que muita gente se encostava à sombra das poucas árvores existentes e umas clareiras verdes davam a sensação de menos gente.Mas já o Carvalho da Silva estaria a terminar a sua intervenção e ainda não estavam todos os manifestantes na Alameda.Algum cansaço se notava nos dirigentes quando chegaram ao Palco...quase todos com cabelos brancos ou a esbranquiçar!A Av. Almirante Reis ainda é um bom pedaço.Costumo percorrê-la com frequência e sei que dá para aquecer.Um camaraman procurava um grande plano de umas velhotas sentadas com cravos vermelhos na mão e um par de namorados trocavam beijos enquanto Carvalho da Silva explicava que valia sempre a pena lutar, que os resultados muitas vezes chegavam tarde mas que chegavam!É a missão de um líder!
Novidade nesta manif foi, sem dúvida, as centenas ou mesmo milhares de jovens que desfilavam contra os recibos verdes e a precariedade-a FERVE estava em força.É um novo fenómeno de organização sindical não tradicional.
Claro, aqui ao contrário da manif da UGT, o Governo de Sócrates apanhou forte e o Código laboral foi o bombo da festa.
A UGT salvou a face
Uma das novidades deste Primeiro de Maio era sem dúvida a manif da UGT a realizar do Marquês até ao Rossio.A Central Sindical apostou forte porque o desafio era importante.Uma manif exige outro investimento do que uma mera concentração num jardim animada por alguns grupos musicais.Notou-se que os bancários e os seguros de todo o País foram a coluna principal da manif com alguns milhares de manifestantes.
As palavras de ordem eram todas muito cordatas....muitas bandeiras sindicais.Não se lia nem ouvia qualquer referencia à grande questão do momento-o código do trabalho. Dir-se-ia que a UGT já se prepara para uma negociação,aliás a palavra mais repetida nos panos sindicais para além do emprego e a precariedade.A palavra de ordem mais subversiva era a dos Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado que dizia "O futuro é construído com os trabalhadores".
Os bombos e os apitos davam a sensação de um samba brasileiro para quem estivesse e costas....e aquela de um casal de gigantões do Minho, enfim era de evitar!
Todavia, bem esticada a manif deu para compôr a Avenida da Liberdade e, segundo a polícia, estariam 20 30 mil pessoas!Nas margens ainda passeavam muitos manifestantes pouco convictos ou que apenas iam ver o 1º de Maio e, claro, muitos turistas, quase todos da vizinha Espanha!Foi notória a participação de muitas caras que eram de trabalhadores imigrantes.Mas os séniores eram a maioria!Aliás, nas delegações dos Bancários duvida-se que a maioria ainda trabalhasse hoje em algum Banco.
União dos Sindicatos Independentes/USI
No Campo das Cebolas um palco e alguns panos sindicais indicavam a concentração da USI que teima em ser reconhecida e cuja força principal também são os quadros da Banca.Entre duas a tres centenas de pessoas em que dois terços seriam turistas e os componentes dos grupos folclóricos.Não deu para ver mais nada...os sindicalistas seriam alguns séniores que vestiam uma camisola azul escura e um barrete a condizer.
CGTP novamente na Alameda
A CGTP voltou à Alameda com uma boa manifestação.Se na UGT estavam 30 mil na Alameda estariam mais de 100 mil.É verdade que muita gente se encostava à sombra das poucas árvores existentes e umas clareiras verdes davam a sensação de menos gente.Mas já o Carvalho da Silva estaria a terminar a sua intervenção e ainda não estavam todos os manifestantes na Alameda.Algum cansaço se notava nos dirigentes quando chegaram ao Palco...quase todos com cabelos brancos ou a esbranquiçar!A Av. Almirante Reis ainda é um bom pedaço.Costumo percorrê-la com frequência e sei que dá para aquecer.Um camaraman procurava um grande plano de umas velhotas sentadas com cravos vermelhos na mão e um par de namorados trocavam beijos enquanto Carvalho da Silva explicava que valia sempre a pena lutar, que os resultados muitas vezes chegavam tarde mas que chegavam!É a missão de um líder!
Novidade nesta manif foi, sem dúvida, as centenas ou mesmo milhares de jovens que desfilavam contra os recibos verdes e a precariedade-a FERVE estava em força.É um novo fenómeno de organização sindical não tradicional.
Claro, aqui ao contrário da manif da UGT, o Governo de Sócrates apanhou forte e o Código laboral foi o bombo da festa.
CARTA AO CARDEAL DE LISBOA-Em defesa dos pobres e marginalizados!

Pardilhó, 26 de Março de 2008
EXCELENTÍSSIMO E REVERENDÍSSIMO SENHOR CARDEAL PATRIARCA D. JOSÉ POLICARPO
Permita que dirija a V.a Rev.a algumas palavras de reflexão em época pascal, a mais importante da nossa liturgia.
No dia de Páscoa, são abençoados os nossos lares e é anunciado o Cristo ressuscitado, e nós, cristãos, acreditamos nesse milagre fundamental para a nossa fé, pois se assim não fosse, diz-nos S. Paulo, a nossa fé seria em vão. A Páscoa é uma celebração que se segue a um período de conversão e mudança, a começar por nós próprios e implicando compromissos relativamente aos nossos irmãos, crentes ou não.
O compromisso alargado com toda a sociedade leva-nos, assim, a tentar perceber até que ponto a Páscoa acontece, ou não, nesta sociedade que insiste em caracterizar-se como culturalmente cristã. E se nós dizemos que Cristo ressuscitou, a verdade é que sinais em sentido contrário se vão manifestando.
Neste País, a pobreza acentua-se em consequência de políticas governamentais economicistas de cariz neoliberal, geradoras de enormes desigualdades sociais, de longe as mais acentuadas em toda a Europa, e só ultrapassadas nos EUA. O desemprego atinge numerosas famílias e o trabalho precário já é encarado como uma situação normal de emprego.
O medo faz com que muitos empregados aceitem todas as regras impostas pelos empregadores, por mais injustas que sejam. E então vemos as superfícies comerciais (e não só) em pleno funcionamento ao Domingo, e também no dia de Páscoa! Aqui, Cristo ainda não ressuscitou. Para estes trabalhadores, e para muitos outros, vítimas de toda a espécie de injustiças, Cristo continua a ser crucificado. E com a participação e cumplicidade de alguns de nós.
Na missão de que a Igreja se encontra investida, de instaurar um novo Reino de Fraternidade, de Paz e de Justiça, nós, movimentos católicos, sabemos ter um papel importante. E esperamos que a Hierarquia nos apoie e assuma, também, o protagonismo que lhe cabe perante as entidades políticas e os detentores do poder económico. É uma missão que tem de ser assumida diariamente até que esse Reino esteja implantado, de facto.
Entretanto, são poucos os que, no terreno, e segundo o princípio da subsidiariedade, se vão esforçando por contrariar políticas desumanizantes. Os movimentos católicos vão fazendo alguma coisa, através da promoção dos valores cristãos e do exercício da cidadania. Os sindicatos também, nomeadamente a conquista do reconhecimento, há poucos anos, do dia de Páscoa como feriado. Mas, porque quase abandonados à sua sorte os primeiros e denegridos os segundos, não se obtêm os resultados que desejamos.
Será que os trabalhadores vão ser oferecidos de barato a este sistema neoliberal, de filosofia individualista e gerador de desigualdades sociais? Será que a pastoral operária das paróquias do tempo dos meus pais não passou de uma moda da qual quase não restam vestígios? Será que o Domingo vai desaparecer para a maioria dos portugueses como o dia dedicado ao culto, ao descanso, à família? Como vamos reagir ao projecto de manter as grandes superfícies (as novas catedrais!) abertas ao Domingo?
Pergunto, por isso, se ainda podemos ter esperança no renascer de uma pastoral que dê voz aos pobres, aos humildes, aos marginalizados, aos ofendidos nos seus direitos e na sua dignidade. Porque nem todos estão na condição dos professores que, no meio do seu infortúnio, ainda têm cultura, formação e espírito solidário para se fazerem ouvir.
São de grande interesse e oportunidade os documentos emitidos pela CEP, quantas vezes em defesa dos pobres e marginalizados. Mas esses pobres e marginalizados não chegam nunca, salvo raras excepções, a ter conhecimento dessas iniciativas nem do seu conteúdo. Parece-me necessária uma pastoral orientada pelo valor da fraternidade, e no sentido de dar a iniciativa e protagonismo aos pobres, que talvez tenham muito a ensinar-nos. Ou correremos o risco de construir uma paz podre. O Espírito Santo certamente nos auxiliará a desempenhar a missão que nos cabe e à qual não poderemos furtar-nos: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.
Resta-me afirmar que continuo com esperança. Espero nesta Igreja nascida no Pentecostes, universal (hoje poderíamos dizer “global”), para o bem deste País e de todo o Mundo. Acredito na Fraternidade e na Paz que Cristo nos deixou.
E com essa esperança apresento os meus melhores cumprimentos, humildemente pedindo a Vossa bênção.
JOAQUIM BRITO MESQUITA
(Membro da Comunidade paroquial de S. Pedro de Pardilhó/AVEIRO,
Militante de base da LOC/MTC grupo “Caminhar”, Cacia/AVEIRO)
EXCELENTÍSSIMO E REVERENDÍSSIMO SENHOR CARDEAL PATRIARCA D. JOSÉ POLICARPO
Permita que dirija a V.a Rev.a algumas palavras de reflexão em época pascal, a mais importante da nossa liturgia.
No dia de Páscoa, são abençoados os nossos lares e é anunciado o Cristo ressuscitado, e nós, cristãos, acreditamos nesse milagre fundamental para a nossa fé, pois se assim não fosse, diz-nos S. Paulo, a nossa fé seria em vão. A Páscoa é uma celebração que se segue a um período de conversão e mudança, a começar por nós próprios e implicando compromissos relativamente aos nossos irmãos, crentes ou não.
O compromisso alargado com toda a sociedade leva-nos, assim, a tentar perceber até que ponto a Páscoa acontece, ou não, nesta sociedade que insiste em caracterizar-se como culturalmente cristã. E se nós dizemos que Cristo ressuscitou, a verdade é que sinais em sentido contrário se vão manifestando.
Neste País, a pobreza acentua-se em consequência de políticas governamentais economicistas de cariz neoliberal, geradoras de enormes desigualdades sociais, de longe as mais acentuadas em toda a Europa, e só ultrapassadas nos EUA. O desemprego atinge numerosas famílias e o trabalho precário já é encarado como uma situação normal de emprego.
O medo faz com que muitos empregados aceitem todas as regras impostas pelos empregadores, por mais injustas que sejam. E então vemos as superfícies comerciais (e não só) em pleno funcionamento ao Domingo, e também no dia de Páscoa! Aqui, Cristo ainda não ressuscitou. Para estes trabalhadores, e para muitos outros, vítimas de toda a espécie de injustiças, Cristo continua a ser crucificado. E com a participação e cumplicidade de alguns de nós.
Na missão de que a Igreja se encontra investida, de instaurar um novo Reino de Fraternidade, de Paz e de Justiça, nós, movimentos católicos, sabemos ter um papel importante. E esperamos que a Hierarquia nos apoie e assuma, também, o protagonismo que lhe cabe perante as entidades políticas e os detentores do poder económico. É uma missão que tem de ser assumida diariamente até que esse Reino esteja implantado, de facto.
Entretanto, são poucos os que, no terreno, e segundo o princípio da subsidiariedade, se vão esforçando por contrariar políticas desumanizantes. Os movimentos católicos vão fazendo alguma coisa, através da promoção dos valores cristãos e do exercício da cidadania. Os sindicatos também, nomeadamente a conquista do reconhecimento, há poucos anos, do dia de Páscoa como feriado. Mas, porque quase abandonados à sua sorte os primeiros e denegridos os segundos, não se obtêm os resultados que desejamos.
Será que os trabalhadores vão ser oferecidos de barato a este sistema neoliberal, de filosofia individualista e gerador de desigualdades sociais? Será que a pastoral operária das paróquias do tempo dos meus pais não passou de uma moda da qual quase não restam vestígios? Será que o Domingo vai desaparecer para a maioria dos portugueses como o dia dedicado ao culto, ao descanso, à família? Como vamos reagir ao projecto de manter as grandes superfícies (as novas catedrais!) abertas ao Domingo?
Pergunto, por isso, se ainda podemos ter esperança no renascer de uma pastoral que dê voz aos pobres, aos humildes, aos marginalizados, aos ofendidos nos seus direitos e na sua dignidade. Porque nem todos estão na condição dos professores que, no meio do seu infortúnio, ainda têm cultura, formação e espírito solidário para se fazerem ouvir.
São de grande interesse e oportunidade os documentos emitidos pela CEP, quantas vezes em defesa dos pobres e marginalizados. Mas esses pobres e marginalizados não chegam nunca, salvo raras excepções, a ter conhecimento dessas iniciativas nem do seu conteúdo. Parece-me necessária uma pastoral orientada pelo valor da fraternidade, e no sentido de dar a iniciativa e protagonismo aos pobres, que talvez tenham muito a ensinar-nos. Ou correremos o risco de construir uma paz podre. O Espírito Santo certamente nos auxiliará a desempenhar a missão que nos cabe e à qual não poderemos furtar-nos: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.
Resta-me afirmar que continuo com esperança. Espero nesta Igreja nascida no Pentecostes, universal (hoje poderíamos dizer “global”), para o bem deste País e de todo o Mundo. Acredito na Fraternidade e na Paz que Cristo nos deixou.
E com essa esperança apresento os meus melhores cumprimentos, humildemente pedindo a Vossa bênção.
JOAQUIM BRITO MESQUITA
(Membro da Comunidade paroquial de S. Pedro de Pardilhó/AVEIRO,
Militante de base da LOC/MTC grupo “Caminhar”, Cacia/AVEIRO)
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