DIA DAS COOPERATIVAS!



Artigo de J.Lourenço


5 de Julho as Cooperativas comemoram o seu dia Internacional.
È sempre uma boa oportunidade relembrar que a propósito de um dia a reflexão sobre qualquer tema ou assunto tem um espaço que deve ser tido como de muito importante, é como o caso do Movimento Cooperativo.
As Cooperativas apostam num novo tipo de relações sociais e de empresa estas trabalham e promovem em prol do bem estar social, em equilíbrio com o desenvolvimento económico e por uma sustentação ambiental.
Sabemos que a comemoração é por uma motivação sincera que este ano foi decidido dedicar ao tema “ COMBATE ÁS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS ATREVÉS DAS EMPRESAS COOPERATIVAS “.
É em boa hora que este tema foi escolhido, as alterações climáticas são mais que um mero problema ambiental, pelo facto de terem um impacto determinante na economia, produção de bens alimentares e no consumo de energia e da água, e entre outros gravíssimos problemas também afecta o desenvolvimento social e gera mais desempregos.
O Movimento Cooperativo, tal como toda a economia social tem um papel insubstituível para fomentar soluções a partir da dinamização e fortalecimento das comunidades.
Porque têm história e incorporam experiência em luta quase sempre desigual contra correntes adversárias. Representam uma oportunidade de esperança praticada pelo modelo de democracia participativa e solidária.
Nós estamos conscientes da importância e do papel das Cooperativas, assim como da acção social e do comércio de proximidade, pelo que fazemos votos de bom êxito pelo seu trabalho e futuro.

POBREZA E DIREITOS HUMANOS

-Dos gestos solidários às políticas nacionais.Colóquio na Covilhã-

Debater a Pobreza e os Direitos Humanos, foi o título do colóquio, organizado pela Liga Operária Católica e a BASE – FUT, realizado no sábado, dia 31 de Maio, na Biblioteca Municipal da Covilhã, que teve como oradores convidados Manuela Silva, Presidente a Comissão Nacional Justiça e Paz, Eduarda Ribeiro, Secretaria-geral da mesma Comissão e Paulo Neves, Secretário da Caritas Diocesana da Guarda.

Com base em vários estudos, foi feita uma análise à realidade da pobreza em Portugal e quais as implicações que isso traz para a vida das populações. Começou-se por salientar que a pobreza é tida como um foco de tensão e que se pode traduzir numa situação de exclusão social.
Partindo da ideia de que não se pode ignorar o muito que já se faz, procurou-se estudar a forma de como olhar para o quanto falta fazer no combate à pobreza e exclusão social e em que sentido vão as políticas nacionais.
Uma das primeiras conclusões a ter em conta, foi de que esta chaga da pobreza só pode ser eliminada e resolvida a partir de dentro, ou seja, é muito importante que as políticas possam ir no sentido de envolver os próprios pobres e a sociedade em geral, pois não se pode tratar deste problema sem mexer no resto da sociedade.
Foi feita também uma analise sob o ponto de vista da economia e do mercado, da competitividade e da forma com as empresas têm de ser envolvidas na resolução desta problemática, pois as empresas são actores fundamentais para uma economia mais competitiva e saudável.
Do debate, ressaltou, também o papel do Estado e as suas responsabilidades de regulação e de correcção das desigualdades, através da concepção de estratégias macroeconómicas e da criação das políticas sociais.
Concluiu-se com a necessidade de uma sociedade civil forte e empenhada nesta causa e que todos os parceiros, desde o Estado Central e Local, até aos Cidadãos, têm de estar motivados a agir de forma concertada e continuada.


A Comissão Organizadora
Liga Operária Católica
BASE – FUT
Comissão Nacional Justiça e Paz
Caritas Diocesana da Guarda

UMA ECONOMIA MAIS HUMANA!

Artigo de João Lourenço


Vivemos numa economia moldada pela globalização, ela é marcada pelos poderes e decisões sobretudo dos grandes grupos económicos das transnacionais do chamado mercado livre neo-liberal este sustenta uma espécie de guerra fria de influência económica gerando grandes assimetrias sem ter em conta as diferenças de desenvolvimento e geográficas.
Nesta globalização são muito valorizados os resultados obtidos pelas empresas numa competitividade sem justiça para com a sociedade humana. Parte para um único grande objectivo o de aumentar os rendimentos para distribuir não pela cadeia de todos os que contribuíram para a sua realização nem para a melhoria geral da sociedade, mas quase exclusivamente para os seus accionistas.

Este modelo económico está a gerar crises pelo mundo

Este modelo que nos últimos tempos tem influenciado a sociedade, está a gerar crises pelo mundo fora apesar dos enormes avanços das ciências e nas relações entre os povos. Tem uma grande capacidade de produção e de troca de bens mas não vemos resultados nem os problemas melhorados.
O desemprego e a pobreza está a crescer ao mesmo tempo que a riqueza e isto deveria mostrar o contrário. O modelo de desenvolvimento está colocar em grave perigo a sustentabilidade quer ambiental quer a social. Também por excesso de especulação fomentou-se o sobre endividamento em milhões de famílias, que agora estão em apuros e insolventes em particular por não poderem pagar a sua habitação.
O futuro próximo tem previsões altamente promissoras em quase todas as vertentes na melhoria de qualidade de vida, está em fase muito adiantada os novos medicamentos para doenças até agora sem cura e isso trará certamente para a vida humana uma melhor qualidade e mais longa. Terá consequências para a segurança social e para a sustentabilidade dos esquemas de reforma, mas se houver uma justa distribuição da riqueza haverá mais rendimentos para suprir as dificuldades.
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Enquanto o emprego for insuficiente para os jovens não tem sentido apostar no alongamento da idade de reforma, mas deve-se deixar a liberdade de cada um de escolher por sua vontade própria, o de continuar ou não em actividade laboral. Também se deve de incentivar os idosos a libertarem o seu emprego deixando o lugar aos mais novos. E então se quiserem poderão ocupar o seu tempo em iniciativas ou no voluntariado.
È preciso uma nova organização da economia sem pôr em causa o desenvolvimento corrigindo o que está mal, isso passa por novas apostas e não por mudar os direitos dos trabalhadores como é a proposta para baixos salários, ou para o aumentar a idade para a reforma.
Uma economia mais socializada não é o que querem os lobbies em acção, também estão dentro da União Europeia assim como as grandes empresas que pretendem liquidar o pequeno comércio. Os exemplos são esclarecedores a legislação está a impor medidas que vão certamente restringir o desenvolvimento e provocar o encerramento de muitas pequenas empresas e lojas porque as medidas sanitárias e outras ficaram incomportáveis.
Nas lojas as prateleiras têm que ser de plástico, nos restaurantes as torneiras têm que ser de pedal etc. . O pequeno comércio, os artesãos que insistam em produzir bens com sabores tradicionais e caseiros são asfixiados pois exigem-se medidas de homogeneização e desinfecção de tipo industrial , fora do alcance da maioria dos caseiros confeccionadores .
Se as leis forem levadas ao seu extremo o desemprego crescerá, e uma boa parte dos nossos restaurantes encerraram para sempre por não cumprirem as regras apertadas mas em contra partida os grandes grupos cresceram nas grandes superfícies, nos grandes restaurantes e mais embalagens homologadas e mais desperdícios e mais lixo para as reciclagens que também dão rendimentos a quem as produz e recicla.

Olhar para a economia social

Mas a tradição e os sabores ficaram ainda mais pobres são uma saída bem nacional para combater o desemprego até atingirem a sustentabilidade económica e melhorar a sua produção quantas famílias e micro empresas dependem dessas iniciativas agora poderão vir a engrossar o número dos desempregados e de subsidio dependentes.
È altura de haver uma verdadeira mudança no apoio ao modelo económico, aproveitando o novo quadro de apoio da EU, para isso não pode apoiar só os grandes empreendimentos privados, os pequenos também e é preciso olhar para a economia a social e apoiar a sua implementação em todo o terreno onde esteja presente e tenha iniciativa. Ela é de âmbito nacional, tem uma mais valia e uma vantagem, não é pertença dos grandes grupos nem de multinacionais, está sempre sujeita ao controlo do seus associados por esse motivo é mais social e não pode ser deslocalizada. Também porque não visa distribuir dividendos, mas reinvestir o lucro dá melhores garantias de continuidade e de futuro.

João Lourenço, sindicalista, membro da Comissão Executiva da CGTP e responsável pelo departamento do consumo , ambiente e desenvolvimento sustentável. Militante da Base -FUT.


VERÃO CULTURAL DE 2008

A Base-FUT vai realizar nos próximos meses 4 Semanas de Férias Culturais e um atelier de escrita luso-francês no Centro de Formação e Tempos Livres em Coimbra.
As datas são:
21 a 29 de Junho de 2008
19 a 27 de Julho/Semana e Atelier de Escrita
23 a 31 de Agosto
20 a 28 de Setembro

Passeios, visitas ao património, visitas a parques naturais, descoberta de serras e praias!
No Atelier de escrita descobrimos o prazer de escrever sobre tudo, de partilhar ideias e sentimentos!Queres participar?Inscreve-te.
Comissão Organizadora das Semanas Culturais
tel.351218120720
basefut@mail.telepac.pt

DEBATE SOBRE A POBREZA NA COVILHÃ

O modelo actual de desenvolvimento do mundo já provou que não é sustentável.As mudanças de clima, o crescimento populacional,a perda de diversidade biológica e cultural, a pobreza e as desigualdades tendem a aumentar a vulnerabilidade da vida humana, dos ecossistemas planetários e das próprias estruturas do convívio humano.Ver programa do debate no dia 31 de Maio.
Animação do debate: Manuela Silva, Eduarda Ribeiro,Paulo Neves
Local: Bibilioteca Municipal da Covilhã
Hora:14,30H
Organizadores:Base-FUT, LOC e Cáritas

O 9 DE MAIO-DIA DA EUROPA- versus PENSAR A EUROPA


Tudo indica que o Presidente da República vai promulgar o Tratado de Lisboa no próximo dia 9 -Dia da Europa-estabelecido na Cimeira de Chefes de Estado de Milão em 1985.


Neste contexto tem pertinencia o resumo do debate promovido em Coimbra pela Base-FUT sobre o Tratado.

"DEBATER O TRATADO DE LISBOA É DEBATER O NOSSO DIA A DIA!"


O Tratado de Lisboa foi motivo para um debate animado sobre o projecto europeu promovido pela BASE-F.U.T. no seu Centro de Formação e Tempos Livres em Coimbra no passado dia 5 do mês de Abril.
Participantes: militantes sociais e políticos.
Animadores: dirigentes da Base -FUT e José Manuel Pureza da Universidade de Coimbra.
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Para os participantes as questões europeias fundamentais são as que temos de enfrentar no nosso quotidiano, ou seja as que têm a ver com os direitos sociais e políticos, serviços públicos, saúde, educação e emprego, enfim o modelo de desenvolvimento económico e social da União Europeia.

Se as questões institucionais e de regulação dos mercados (circulação de capitais e mercadorias, moeda, circulação de pessoas) vão sendo progressivamente integradas, o mesmo não se pode dizer das questões sociais que na sua maioria foram deixadas para a responsabilidade de cada Estado membro. Como consequência deu-se um nivelamento por baixo em quase todas as matérias e levando a curto prazo a uma situação que alguns chamam de americanização ou asiatização da Europa.

Os participantes puderam assim constatar que, paradoxalmente existe por um lado, Europa a mais e, por outro, Europa a menos, ou seja, nas questões económicas e de mercado existe uma Europa altamente integrada, enquanto que nas questões sociais existe uma menor integração, sendo alguns estados particularmente alérgicos a essa integração no sentido de um Modelo Social Europeu consistente.

O Tratado de Lisboa trouxe algumas inovações ao nível institucional, nomeadamente mais poderes ao Parlamento Europeu, alterações ao nível da decisão, bloqueada com o alargamento, um Presidente do Conselho e um Alto Representante para as Relações Internacionais. São alterações, alguma positivas como é o caso do reforço do Parlamento Europeu. São todavia alterações ao nível institucional. No campo da dimensão social, dos direitos laborais, desemprego e fiscalidade, por exemplo, o Tratado pouco ou nada avançou, salvo o reconhecimento de valor jurídico à Carta dos Direitos Fundamentais.

Os participantes salientaram ainda que será necessário continuar o combate por uma Europa mais democrática e solidária, nomeadamente com um orçamento mais robusto(actualmente apenas 1% do PIB da UE), num processo em que é preciso e urgente modificar a relação de forças, que tem sido favorável ao capital em detrimento do trabalho e dos trabalhadores europeus.

Neste sentido é necessária a perspectiva internacional deste combate, nomeadamente ao nível dos movimentos sociais e do movimento sindical que precisa de ultrapassar as suas limitações nacionalistas e efectivar a sua dimensão internacionalista.

Finalmente também saiu do debate a convicção que o projecto europeu apenas terá viabilidade se apostar na sua diferenciação face aos USA e aos outros blocos económicos mundiais como a China e a Índia. É na sua história, património cultural e social que está a força da Europa.

Coimbra, 05 de Abril de 2008

PRIMEIRO DE MAIO EM LISBOA


Reportagem breve nos três locais de Lisboa onde se comemorou o 1ºde Maio de 2008

A UGT salvou a face

Uma das novidades deste Primeiro de Maio era sem dúvida a manif da UGT a realizar do Marquês até ao Rossio.A Central Sindical apostou forte porque o desafio era importante.Uma manif exige outro investimento do que uma mera concentração num jardim animada por alguns grupos musicais.Notou-se que os bancários e os seguros de todo o País foram a coluna principal da manif com alguns milhares de manifestantes.
As palavras de ordem eram todas muito cordatas....muitas bandeiras sindicais.Não se lia nem ouvia qualquer referencia à grande questão do momento-o código do trabalho. Dir-se-ia que a UGT já se prepara para uma negociação,aliás a palavra mais repetida nos panos sindicais para além do emprego e a precariedade.A palavra de ordem mais subversiva era a dos Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado que dizia "O futuro é construído com os trabalhadores".
Os bombos e os apitos davam a sensação de um samba brasileiro para quem estivesse e costas....e aquela de um casal de gigantões do Minho, enfim era de evitar!
Todavia, bem esticada a manif deu para compôr a Avenida da Liberdade e, segundo a polícia, estariam 20 30 mil pessoas!Nas margens ainda passeavam muitos manifestantes pouco convictos ou que apenas iam ver o 1º de Maio e, claro, muitos turistas, quase todos da vizinha Espanha!Foi notória a participação de muitas caras que eram de trabalhadores imigrantes.Mas os séniores eram a maioria!Aliás, nas delegações dos Bancários duvida-se que a maioria ainda trabalhasse hoje em algum Banco.

União dos Sindicatos Independentes/USI

No Campo das Cebolas um palco e alguns panos sindicais indicavam a concentração da USI que teima em ser reconhecida e cuja força principal também são os quadros da Banca.Entre duas a tres centenas de pessoas em que dois terços seriam turistas e os componentes dos grupos folclóricos.Não deu para ver mais nada...os sindicalistas seriam alguns séniores que vestiam uma camisola azul escura e um barrete a condizer.

CGTP novamente na Alameda

A CGTP voltou à Alameda com uma boa manifestação.Se na UGT estavam 30 mil na Alameda estariam mais de 100 mil.É verdade que muita gente se encostava à sombra das poucas árvores existentes e umas clareiras verdes davam a sensação de menos gente.Mas já o Carvalho da Silva estaria a terminar a sua intervenção e ainda não estavam todos os manifestantes na Alameda.Algum cansaço se notava nos dirigentes quando chegaram ao Palco...quase todos com cabelos brancos ou a esbranquiçar!A Av. Almirante Reis ainda é um bom pedaço.Costumo percorrê-la com frequência e sei que dá para aquecer.Um camaraman procurava um grande plano de umas velhotas sentadas com cravos vermelhos na mão e um par de namorados trocavam beijos enquanto Carvalho da Silva explicava que valia sempre a pena lutar, que os resultados muitas vezes chegavam tarde mas que chegavam!É a missão de um líder!
Novidade nesta manif foi, sem dúvida, as centenas ou mesmo milhares de jovens que desfilavam contra os recibos verdes e a precariedade-a FERVE estava em força.É um novo fenómeno de organização sindical não tradicional.
Claro, aqui ao contrário da manif da UGT, o Governo de Sócrates apanhou forte e o Código laboral foi o bombo da festa.