MEGAMANIF DA CGTP-E AGORA?


Ontem, 13 de Março, a CGTP realizou mais uma grande manif, a primeira em 2009,contestando as políticas económicas e sociais do Governo de Sócrates. A Avenida da Liberdade ficou cheia até aos Restauradores com gente de todo o País.Gente em geral pobre como é aliás costume.Trabalhadores que nunca tiveram salários aceitáveis e após tantos sacrifícios ainda têm o machado do desemprego em cima da cabeça!

Viram-se mais jovens e gente de "colarinho branco", rostos fechados muitos, outros mais sorridentes e "sempre numa boa" logo que seja para uma manif.
As palavras de ordem, sem grande novidade, insistiam na necessidade de uma política diferente e um novo rumo para o País.Carvalho da Silva em plenos Restauradores expicaria de forma pedagógica e firme as propostas da CGTP para a Crise.Era tempo de responsabilizar todos os partidos pelo futuro, agora que vamos ter eleições.

É, porém, aqui que está um dos nossos problemas!Amanhã ,ou hoje mesmo, Sócrates, ou alguém do Governo, dirá que este tem toda a legitimidade para fazer as políticas que entende porque tem uma maioria eleitoral.Ou seja ,há quatro anos deram-lhe o voto, inclusive muitos dos manifestantes presentes.Deram-lhe carta branca pelos vistos para governar como melhor entender!
O peso organizado dos trabalhadores no PS é muito fraco.A UGT socialista deu o seu aval à maioria das políticas Sócrates, nomeadamente as políticas de submissão, humilhação e destruição do estatuto dos funcionários públicos.

Uma fracção partidarizada do movimento dos trabalhadores considera que estas manifestações desempenham um papel importante no desgaste do Governo ...o que talvez seja verdade.Porém os resultados vão ser mais uns votos nos outros partidos da esquerda e uma maioria relativa para o PS ou para o PSD? E não tem sido este o nosso fado?E os trabalhadores, entretanto, vão de manif em manif de ano após ano perdendo quase tudo o que deu Abril.
Existe uma outra fracção politizada do movimento dos trabalhadores que já desistiu deste sindicalismo de "tropa de choque" de constante frustração de expectativas em que trabalha como a formiguinha para as cigarras partidárias!

A CGTP, embora desenvolvendo um sindicalismo reivindicativo não desenvolve as estratégias necessárias para um maior avanço político do movimento dos trabalhadores.Qualquer governo sabe que quando muito a CGTP não passará de uma greve geral organizada por ela mesma .Essa incapacidade de gerar novas alianças,pese uns esporádicos apelos à Igreja por Carvalho da Silva reforça ainda mais o peso do PCP na Central mas também o seu progressivo isolamento nacional e internacional!
Os trabalhadores portugueses e as suas organizações estão cada vez mais enredadas nas teias que outros teceram e em teias que os seus próprios dirigentes tecem....

A CRISE E AS ALTERNATIVAS DA ECONOMIA SOLIDÁRIA


Seminário do Núcleo de Estudos sobre Cidadania e Políticas Sociais
(uma iniciativa conjunta do Grupo ECOSOL/CES, Cooperativa Mó de Vida e da Rede Espaço por um Comércio Justo)

A Crise Económica Actual e as Alternativas de Economia Solidária
Euclides Mance

26 de Março de 2009, 14:30, Auditório da Faculdade de Economia/COIMBRA

Este seminário, promovido por várias organizações de Economia Solidária, tem por objetivo dar a conhecer à comunidade CES e às organizações a obra do Professor Euclides Mance e, em particular, o seu ultimo livro e suscitar um debate alargado sobre a Economia Solidária e o modo como esta se relaciona com a crise do capitalismo.

Nota Biográfica

Euclides André Mance é Filósofo e fun­dador do Instituto de Filosofia da Libertação (Curitiba, Brasil). Leccionou Filosofia da Ciên­cia e Filosofia na América Latina, na Univer­sidade Federal do Paraná, na década de 1990. Actuou como consultor em projectos da UNESCO e da FAO relacionados ao desenvolvimento sustentável. Criou e mantém o Por­tal Solidarius. A sua obra filosófica e económica sobre redes colaborativas no campo da econo­mia solidária está traduzida em vários idiomas, com artigos e livros acessíveis em www.solida­rius.com.br/mance.

MANIFESTA 2009 SERÁ EM PENICHE


A MANIFesta de Peniche,22 e 23 de Maio, está em marcha, tendo-se iniciado o processo Assembleia, com o seguinte calendário:

GAIA 11 de Março 14h30m: na Associação de Proprietários da Urbanização de Vila de Este (AP) – TEL: 227849176; 913010370
VIANA DO CASTELO - DEÃO 13 de Março 21h30m Ludoteca da Associação Juvenil de Deão (AJD) na Escola Primária Telef.: 963687456; 914779592; 938599631
LOUSÃ 9 Março 18h00m Auditório da Biblioteca Municipal – Telef.: 239996116
Ferreira do Alentejo 10 Março 14h30m Auditório da Biblioteca Municipal – Telef: 965319641; 932950013; 284650000
Tondela 11 Março 14h30m ACERT – Telef: 232 814 400; 962098377; 239642815
Lisboa 12 Março 10h00 Associação Cais – Telef: 967432397; 968251019
Rio Maior 17 Março 18h00 Biblioteca Municipal – Telef: 969576907; 962729822; 966721852
Vila Real 17 Março 14h30 Telef. Edifício da UTAD – Telef: 279200730

Façamos da MANIFesta de Peniche o espelho do vosso trabalho! Edifiquemos uma força integrante e integradora capaz de transformar as assembleias, a feira e a festa num registo mais dinâmico, criativo e profícuo.

Agradecemos confirmação de presença antecipada para os números acima indicados.
Para mais informações, ou em caso de dúvidas, contacte Célia Lavado através de um dos seguintes contactos:
Célia Lavado
celia.lavado@animar-dl.pt
968618410
219526012
Animar

ENTREVISTA A SINDICALISTA DA NESTLÉ !


Joaquim Mesquita é um jovem sindicalista da alimentação e bebidas ,pertence ao Conselho de Empresa Europeu da Nestlé e ao Conselho Nacional da CGTP. Militante da Base - FUT tem participado em várias iniciativas internacionais. A nosso pedido respondeu a estas três questões:

- Como aprecias a actuação da Nestlé nesta crise?
- Podem os CEE sair reforçados pela necessidade de um maior controlo da gestão e dos gestores na economia?
- Achas que os sindicatos estão a responder adequadamente à crise?

1. Tendo em conta a dimensão da crise, que da área financeira se estendeu à área económica, a Nestlé parece quase incólume. Apesar de algumas quebras de procura em alguns produtos, os volumes de produção têm mantido um bom crescimento e não há notícia de consequências negativas para o emprego tanto a nível europeu como nacional, onde se tem registado até (na fábrica de Avanca) a passagem ao quadro de um número razoável de trabalhadores, tendência que se mantém para este ano.
Para este sucesso contribuem vários factores. Primeiro, a utilização da tecnologia e mão-de-obra adequada aos objectivos de produção, de mercado e financeiro programados, o que permite um nível ajustado de desenvolvimento sustentável. Em segundo lugar, uma resposta eficaz e proactiva às necessidades de mercado, que neste momento se manifesta no “Programa Wellness”, “de bem-estar e saúde”, através da apresentação de produtos que manifestam interesse com a nutrição, saúde e bem-estar dos consumidores. Em terceiro lugar, a aposta em produtos de alto valor acrescentado. E – também – uma presença a nível global, com uma boa imagem de marca.
As condições de trabalho e emprego a nível global são muito heterogéneas. E embora os trabalhadores de alguns países da Europa ocidental (mas também, e em especial, da Rússia) e de Portugal se queixarem de degradação salarial, os salários são pagos atempadamente.

2. Os CEE (Conselhos de Empresa Europeus) têm uma excelente oportunidade de se afirmarem. Têm, contudo, de reforçar a sua capacidade de estabelecerem redes de comunicação quer com as organizações sindicais quer com os delegados / representantes dos trabalhadores nos CEE para que as questões possam ser recolhidas, tratadas e ganhar força nos encontros com as administrações, onde terão de ser colocadas de forma a que os representantes dos accionistas se sintam obrigados a responder e não possam contornar as questões sem que o facto se torne evidente.
É também uma boa ocasião para pressionar as administrações e gestores a assumirem compromissos com os trabalhadores, superando os tradicionais “códigos de conduta” e “princípios corporativos” de carácter unilateral e de aplicação arbitrária.
Naturalmente, as organizações que intervêm no Conselhos devem exercer influência a nível global no sentido de pressionarem as decisões políticas e promoverem uma outra ordem económica e social que possa ultrapassar as injustiças deste sistema capitalista e neoliberal.

3.Os problemas dos trabalhadores são os problemas das suas estruturas representativas: desemprego, precariedade, salários baixos...
O trabalho que algumas estruturas sindicais estão a realizar (embora haja algumas com uma organização muito fechada) para conjugarem esforços e delinearem estratégias em várias áreas, nomeadamente na contratação colectiva e na mobilização dos trabalhadores, mostra até que ponto estão conscientes da necessidade da adopção de uma postura adequada ao momento. Essa postura terá de caracterizar-se por um estado de permanente vigilância e por uma capacidade de tomar decições com rapidez e agilidade, condições importantes num contexto de mudanças constantes.
Por outro lado, a mobilização dos trabalhadores terá de continuar a ser feita através do incentivo à participação e exercício da cidadania, e segundo o princípio da subsidiariedade, combatendo os seguidismos, o conformismo e o fatalismo.
A área sindical é, assim, um espaço privilegiado para a promoção da solidariedade e da democracia.

COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ PUBLICA DOCUMENTO SOBRE CRISE!


A Comissão Nacional de Justiça e Paz(CNJP) acaba de publicar um importante e significativo documento sobre a crise mundial actual .Embora aqui apenas se publique um capítulo do documento apela-se a que seja lido na integra dado que é uma reflexão de um colectivo com muita qualidade.

O documento sendo muito bom,é demasiado benévolo para os princpiais actores e responsáveis da crise-o capital financeiro e os grandes especuladores mundiais; os gestores e accionistas que fizzeram imensas fortunas com a desgraça dos outros.Não se pode diluir tamanha irresponsabilidade e acumulação de riqueza numa responsabilização geral!!

O facto de se pensar que não existe alternativa económica e social elaborada e exequivel face ao capitalismo não significa que este não seja claramente desmascarado e não apenas a sua face mais negra(o neo-liberalismo).Aliás, o documento apela, e muito bem à construção de alternativas para um novo "paradigma", para um novo "bem comum"onde não poderão existir exluídos, naturalmente!


6. Mudança de paradigma na gestão financeira global

"....Uma oportuna mudança de paradigma na gestão financeira globalNão basta atender apenas às consequências da crise e minimizar os seus«estragos» sociais. Se as soluções para a actual crise se limitarem a “consertar”o sistema financeiro, tudo acabará por voltar ao mesmo. A desregulação, a favorda ganância irresponsável, voltará a envolver todos os domínios da vida colectiva:ambiental, financeiro, económico, laboral, político e ético.

É, pois, importante que vá crescendo a consciência, entre os decisores pertinentes ou relevantes, de que é indispensável alcançar uma maior regulaçãoda economia a nível global e que, para tanto, há que reestruturar ou reconfigurar instituições internacionais, tais como o Fundo Monetário Internacional, o BancoMundial e a Organização Mundial do Comércio, retirando a hegemonia a qualquer país ou bloco, por mais importantes que sejam ou tenham sido.

Eventualmente,e em alternativa, pode ser preferível a criação de uma nova instituição supranacional de regulação financeira global, diferente das actualmente existentes, por forma a dotar essas instituições de objectivos e meios de acção à altura das necessidades da economia globalizada em que vivemos e da sua governança democrática. Desejavelmente, tal instituição deverá situar-se no âmbito da Organização das Nações Unidas.Deve também ser reforçado o peso institucional mundial da OrganizaçãoInternacional do Trabalho e aprofundar os programas e práticas que vão nosentido da Agenda para o Trabalho Digno.

O mesmo se faça quanto aos compromissos com os Objectivos do Milénio das Nações Unidas.Parece impor-se, cada vez mais, a necessidade de uma nova ordem económica internacional que tenha em conta a realidade da globalização, as necessidadesde desenvolvimento das várias regiões do globo, a sustentabilidade ambiental e a coesão social.Quer ao nível supranacional quer ao nível nacional, os cidadãos e as cidadãs não podem ser excluídos nem estar ausentes dos processos de decisão com impacto estratégico ambiental, económico e social.

Devem, portanto, ser dados passos no sentido de uma real mudança de12 paradigma: uma “economia ao serviço da vida” (Henri Bartoli6) – mudança que passa por reconfigurar os papeis do mercado, do capital e do trabalho.Quanto ao papel do trabalho, ocorre citar a autoridade de Juan Somavia,Director-Geral da OIT, ao lembrar o disposto na Constituição desta organização:“O trabalho não é uma mercadoria”. Também João Paulo II, na encíclicaLaborem Exercens, recordou o “princípio da prioridade do «trabalho» em confrontocom o «capital»” e, noutro passo, afirmou que “…o «capital», sendo oconjunto dos meios de produção, permanece apenas instrumento”.Para tal mudança de paradigma, há dois princípios orientadores que deviamser também como que “motores” do funcionamento da economia e da vidasocial no seu todo:

a) O princípio da sustentabilidade ambiental, económica e social, o qualimplica:

• O estabelecimento de critérios e indicadores que estimulem investimentosassim orientados;

• Uma atenção interventora que promova e proteja a equidade nas remuneraçõesde empresários, gestores e trabalhadores e a dignificação dotrabalho, não permitindo que os interesses do capital se sobreponhamaos demais;

• Forte apelo à responsabilidade social das empresas.

b) O princípio do funcionamento democrático da economia, mediante aadopção de instrumentos dotados de efectivo poder de regulação por parte deinstâncias representativas e com legitimidade democrática, bem como umanova cultura empresarial que imponha critérios de responsabilização social paraalém dos ditados pelo mero interesse do capital.Uma mudança de paradigma não se alcança sem um longo e persistente percurso de crítica e construção de alternativas, de aprofundamento do conhecimento adquirido e experimentação de novas formas organizacionais da economia e da sociedade, enfim, da modificação dos quadros culturais vigentes.Por isso, consideramos urgente:

• Promover o debate entre especialistas, quer profissionais quer académicos,envolvendo também as organizações da sociedade civil mais directamenteinteressadas, sobre possíveis vias alternativas para uma outraarquitectura financeira a nível mundial, que melhor possa servir os paí-————————6 Bartoli, Henri, L’economie, service de la vie. Crise du capitalisme. Une politique de civilisation, PUG,1996.13ses em diferentes estádios de desenvolvimento e diferentes orientaçõesde política económica.



• Encorajar tomadas de posição da sociedade civil quanto a alguns aspectos que carecem de reforma urgente, por exemplo, advogando o fim dos paraísos fiscais e de produtos financeiros de elevado risco, uma actuação que contrarie a excessiva concentração do poder económico, a revisão das regras de rating e exigência de independência dos seus agentes.

• Proceder à avaliação do sistema financeiro nacional e das medidas já em vigor ou anunciadas, sua eficácia e equidade, detecção de erros ou lacunas, tendo sobretudo em atenção os que mais sofrem os efeitos dacrise.

• Apresentar propostas inovadoras no domínio da fiscalidade para, por exemplo, acentuar a progressividade da tributação sobre os rendimentos,alargar as fontes de financiamento da segurança social, na linha do já em tempos estudado na União Europeia, por via de incidência sobre ovalor acrescentado, deixando de penalizar sobretudo quem mais emprega.

• Fomentar a solidariedade para minorar as dificuldades dos mais atingidospela crise, para além do que é função específica das IPSS ou das Autarquias (que devem ser responsabilizadas pela forma como actuamno âmbito das Redes Sociais), através da partilha do tempo de trabalho,da criação de empresas de economia social, da não acumulação de empregos,salvo em caso de necessidade, etc.

• Denunciar práticas abusivas de empresas que, sem motivo bem justificado, despedem os seus trabalhadores.Tanto no desenho de uma nova arquitectura do sistema financeiro mundialcomo na definição de um novo paradigma e na construção de uma nova ordem económica mundial, a União Europeia tem um papel a desempenhar de primordial alcance e os cidadãos e cidadãs dos países que integram a União devem seros primeiros a empenhar-se nesta tarefa...."


Para solicitar documento na integra: claudioteixeira@netcabo.pt



MODERNIDADE E ECONOMIA SOLIDÁRIA.UMA EXPERIENCIA VALIOSA!


No passado dia 10 de Fevereiro, a Cooperativa “Terra Chã” recebeu a visita do sociólogo e economista francês, Jean-Louis Laville, professor no Conservatoire National des Arts et Métiers (Cnam) e de Anne Salmon professora na Universidade Paris Dauphine, filósofa e socióloga das organizações.
A visita teve o enquadramento do prof. Rogério Roque Amaro, professor de Economia Social no ISCTE, que trouxe os dois investigadores franceses até Chãos para discutir, in loco, uma experiência consolidada de desenvolvimento local que articula economia, cultura e ambiente, contribuindo para a criação de riqueza local e estruturando a vida sócio-económica da aldeia de Chãos.
Jean-Louis Laville é ainda co-director do Laboratoire Interdisciplinaire pour la Sociologie Économique (CNRS) e a nível europeu é coordenador du Karl Polanyi Institute of Political Economy.
Este investigador francês aborda a pertinência e a actualidade da economia solidária como factor de inovação e de modernidade.
Por sua vez, Anne Salmon dedica parte da sua investigação à ética na economia, considerando que se atingiram limites insustentáveis, como por exemplo, a promiscuidade e o conluio entre o poder político e o poder económico.
Depois de uma visita às valências da Cooperativa, os três professores universitários trocaram ideias com os formandos dos cursos EFA que estão a decorrer na cooperativa “Terra Chã”.

Como consequência da visita, os dois professores universitários franceses produziram um artigo de reflexão sobre o trabalho desenvolvido na Cooperativa “Terra Chã” e que se anexa.

A cooperativa Terra Chã é composta por uma meia dúzia de construções, algumas delasrecentemente renovadas, por detrás das quais se perfilam alguns geradores eólicos e uma pedreira.Somos recebidos por António Frazão e a visita pode então começar.O que chama desde logo a atenção é a diversidade de projectos e de realizações. O que não temnada a ver com a mono actividade industrial que nos faz recordar o barulho de fundo dos camiõesque transportam incansavelmente as pedras que alguns operários retiram da Natureza todos os dias.Um restaurante, um centro de alojamento, um centro de formação, um centro cultural, actividades agrícolas e artesanais, entre outras, estão ali reunidas e articuladas.

Dão emprego e rendimento a seis trabalhadores a tempo inteiro e com contratos estáveis, para além de outros mais episódicos.No restaurante está afixada uma oferta de emprego. A cooperativa pretende contratar um pastor.Ilhéu de resistência à modernidade, que ganha terreno como sugerem as silhuetas das antenas eólicas? Seguramente que não. O perfil deste guarda de cabras está longe de ser tradicional.

Também neste caso a multi-actividade prevalece: agente de preservação do ambiente, animador turístico, agricultor, o pastor não ficará fechado sobre si próprio tendo como único horizonte ascerca de 300 cabras previstas (60 no início). O rebanho também será bastante especial. Primeiro,porque são cabras que, uma vez que se alimentam de certo tipo de plantas, vão preservar abiodiversidade, permitindo reforçar a presença de uma ave típica da região (a gralha-de-bico vermelho),que está em vias de extinção. Depois porque os animais serão comprados por subscrição das pessoas interessadas. Mediante uma centena de euros todos podem participar na compra de uma cabra. Em troca de tal, a cooperativa oferecerá um dia de caminhada com o pastor, queijos e um repasto comunitário.E se a modernidade estivesse do lado da cooperativa? A combinação e o cruzamento de iniciativas que António Frazão e Júlio Ricardo nos explicam contêm múltiplas inovações económicas e sociais.

Antes de mais, há uma conjugação de diferentes recursos: alguns são mercantis, uma vez que provêm da venda de produtos e do restaurante; outros são públicos, através, por exemplo, da possibilidade de utilização de infra estruturas públicas locais e das ajudas atribuídas às pessoas em formação; outras ainda resultam do trabalho de muitos voluntários.O que se compreende, à medida que discutimos com todas as pessoas que encontramos, é que a cooperativa tenta uma outra forma de fazer economia. A organização do trabalho e a colaboração dos trabalhadores, dos voluntários e também dos clientes contribuem para democratizar a vida quotidiana na organização, mas também o serviço social prestado.

As pessoas que beneficiam de uma formação qualificante durante 12 ou 14 meses, segundo o nível de escolarização visado, têmtambém uma palavra a dizer. E algumas delas juntar-se-ão ao projecto conjunto, uma vez que todas são incitadas a imaginar novas actividades que poderão vir a ser enquadradas na cooperativa.Uma das ideias directrizes é visivelmente a valorização e a mobilização dos recursos, das pessoas edos espaços.

O projecto luta por uma integração dos participantes, que se recusa manter fechados numa tarefa ou estatuto particular, por uma integração da cooperativa na aldeia, mas também por uma integração das dimensões culturais, económicas, sociais e ambientais. Isto passa por pequenasacções que, experimentadas e capitalizadas desde há 24 anos, produzem os seus frutos. Aparticipação de artesãos da aldeia na renovação dos locais ocupados, a de jovens nas actividades de danças folclóricas, a de universitários, de especialistas florestais, de professores, entre outros, fazem desta cooperativa o palco de uma miscigenação cultural, mas também o lugar propício à partilha derecursos técnicos, científicos e de saberes-fazer tradicionais.

A cooperativa atribui uma importância muito particular às relações com a aldeia. Alguns pormenores o testemunham. Os dormitórios, por exemplo. Estão arranjados com camas individuais sobrepostas. Servem para os jovens, mas incitam, pelo contrário, os casais a procurar, junto dos habitantes locais, outras soluções de alojamento.Encontrámos dois grupos em formação. Entre as pessoas presentes, várias eram da aldeia, outras davila próxima. Esta formação é remunerada. Visa mais a inserção profissional do que a inserção social, por isso se dirige mais directamente às gentes das terras vizinhas.Esta cooperativa de Economia Solidária assegura um desenvolvimento do território local, que alguns julgarão sem dúvida modesto.

Mas, no final desta visita, o que impressiona é a durabilidadedo edifício económico, social, cultural e ambiental que se constrói pedra após pedra há mais de 20anos. O que também impressiona é a maneira como ela se integra na vida local.Neste período de crise, em que se paga tão duramente as derrapagens do capitalismo financeiro e da economia predadora (em França são 45 000 empregos perdidos num só mês, são mais de 300 mil milhões de euros de apoio do Estado aos bancos privados), a inovação económica, tal como adesenvolvida no quadro da Economia Solidária, está necessariamente no centro dos debates dofuturo.Ver

BASE-FUT DE LISBOA DEBATE CRISE TODOS OS MESES!


Todas as primeiras quintas feiras de cada mês haverá debate sobre a crise económica e social que atravessa o País e o mundo.
A iniciativa é da Comissão Executiva Regional e das pessoas que estiveram no último debate ocorrido na passada terça-feira.Optou-se por um dia fixo para evitar convocatórias e para permitir que ,quem puder, passe entre as 19 ea 21 horas pela sede na Rua Maria 15, muito perto da estação do Metro do Intendente.O debate é para militantes e outras pessoas que queiram aparecer.

O último debate aprofundou em particular o papel e responsabiliaddes dos gestores na crise actual, não apenas dos bancos mas de outras empresas.Considerou-se fundamental encontrar responsabilidades e precaver o futuro nomeadamente estabelecendo mecanismos de controlo nas empresas , nos países e a nível europeu e mundial.
Considerou-se vital o reforço das organizações de trabalhadores nas empresas e a criação de controlos da parte dos clientes e das comunidades locais e regionais onde estão instaladas as empresas.

As empresas privadas não existem apenas para criação de riqueza mas também devem ter preocupações sociais e ambientais

Considerou-se necessário rever o ensino de gestores e economistas nas nossas universidades que nos últimos tempos têm estudado pelas cartilhas neo-liberais e pelo endeusamento do capitalismo.

Em próximos debates serão aprofundados outras facetas da crise nomeadamente os desafios que esta lança para a construção de um outro modelo de consumo e de produção que se organize para as necessidades reais das pessoas numa economia real e não fictícia.
A crise é uma crise do capitalismo ou de uma forma de capitalismo?Será que no futuro a crise não acaba?Que futuro para organizações como o FMI, Banco Mundial OCDE e OMC que foram os agentes deste capitalismo que está a falir?

Próximo debate -Quinta feira, dia 05 de Março de 2009.PARTICIPA!A CRISE DEVE MOTIVAR A NOSSA CIDADANIA!A CRISE É UM MOMENTO DE RUPTURA!