BASE-FUT PREPARA CONGRESSO NACIONAL!

No próximo dia 19 do corrente mês de Maio reune a Assembleia Regional do Porto/Norte da BASE-FUT para preparar o congresso nacional que decorrerá a 16/17 de Junho.Os militantes vão debater os meios e  as formas de ação na região no sentido de modernizar a organização, para além de debaterem uma moção sobre trabalho e sindicalismo.

O debate terá lugar na sede regional na Rua Passos Manuel,2009-1º no Porto.
As parcerias com outros movimentos, o trabalho com a juventude e a defesa dos interesses dos trabalhadores são alguns dos temas.
A BASE do Porto tem uma forte componente de militantes oriundos dos movimentos operários católicos, para além de outras pessoas que se foram juntando para trabalharem em conjunto.Centenas de pessoas já trabalharam com a BASE naquelas regiões, nomeadamente a nível sindical, cooperativo e em associações sociais.

DESEMPREGO JOVEM DEBATIDO NA OIT!


A Conferencia Internacional do Trabalho vai debater na sua 101ª Sessão, em Junho, o desemprego jovem no mundo. Um pequeno relatório da OIT chama a atenção para este problema que em Portugal e na vizinha Espanha é dramático! Para os jovens não há emprego e o que há é de pouca qualidade! A precariedade é a situação normal dos jovens que conseguem trabalho. Mas com as políticas de austeridade, e quase nulo investimento público e privado, seguidas na zona euro será possível dar a volta a este problema? Claro que não!

«O mundo está a enfrentar uma crise crescente do emprego jovem.»-Diz o relatório referido que acrescenta:

«Os dados mais recentes da OIT indicam que, numa estimativa a nível mundial, existiam 205,2 milhões de jovens desempregados em 2009: Destes, cerca de 37% - ou seja, 75,8 milhões tem idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos.* Hoje, quer os países industrializados quer os países em desenvolvimento não estão a ser bem sucedidos no que diz respeito à criação de oportunidades de emprego para jovens.

«A criação de empregos para os jovens não é suficiente.


Por todo o mundo, os jovens têm não só dificuldade em encontrar um emprego como se tornou impossível arranjar um, mas também não conseguem encontrar empregos dignos...Estamos a enfrentar não só um desafio económico, mas uma ameaça à segurança de proporções monumentais.»


Juan Somavia – Diretor-geral da OIT

Nunca como agora tantos jovens são vítimas da pobreza e do subemprego. Cerca de 152 milhões trabalham mas residem em agregados familiares que ganham menos do que 1,25 USD por dia.

E milhões de jovens caíram na armadilha do trabalho temporário, trabalho a tempo parcial involuntário ou trabalho informal, que oferecem poucos benefícios e perspetivas limitadas de desenvolvimento. Não há dúvida que alguma coisa tem de ser feita.»- diz o Relatório da OIT



DITADURA E POBREZA!

O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.


Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico". Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" ("Olha, hoje houve um ' balão' na Cuf, coitados!"). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".

Nesse país morriam muitos recem-nascidos

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem- comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos ("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho"). As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".

E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", "depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".

Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.

Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e... supremo desígnio - Madame.

Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.

Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal

Isabel do Carmo



FÉRIAS CULTURAIS!

O Centro de Formação e Tempos Livres (CFTL) vai manter a tradição e organizar duas semanas  de férias culturais em Coimbra.Este ano a primeira semana decorre de 30 de Junho a 8 de Julho  e a segunda decorre de 25 de Agosto a 2 de Setembro.
Como é costume estão previstas diversas atividades com destaque para passeios na cidade Coimbra, Leiria e Aveiro e idas ás praias fluviais do mondego.O convívio fraterno, o descanso e a criatividade são os grandes eixos destas iniciativas.
As semanas culturais animadas por militantes da BASE-FUT já se realizam desde a década de oitenta do século passado mantendo um público fiel!
Os preços deste ano por pessoa, com tudo incluído, são:

Com quarto individual: 415€
Com quarto duplo: 375€
Camarata: 340€

Contactar Comissão Dinamizadora de associados:
tel.351 288120720
cftlnet@mail.telepac.pt


MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA!


Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,

logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.

Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,

a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,

e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos

de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.

Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.

Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,

que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.


Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,

um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,

um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais

do que isso. Era a personagem que faltava

a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo

se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima

da vida do que da imaginação de quem efabula.

Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali

para começar logo no instante seguinte sob a forma

de revolta que não encontra nas bocas

as palavras certas para conquistar a rua.

Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.

Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,

o mártir da Praça Syntagma pediu apenas

para não se renderem, para não se limitarem

a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria. Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,

mas sim que evitassem a sua trágica repetição.

E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,

sabendo-o já a salvo da humilhação

de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.


Até os deuses, na sua olímpica distância,

se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.

Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume, pela ignomínia de quem se vende

para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.

A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,

para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma. Estava livre. Tornara-se herói de tragédia

enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,

deusa tantas vezes idolatrada e venerada.

Assim se despedia um homem de bem,

com a coragem moral de quem o destino não vence.


Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,

Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,

uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu

e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,

de pé firme, porque nada tem a força de um homem

quando chega a hora de mostrar que tem razão”.

Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,

súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,

tão terreno e finito como qualquer homem com fome,

ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.


José Jorge Letria


6 de Abril de 2012

COMEMORAR MAIO! TRABALHO DIGNO!

Comemoramos mais um 1º de Maio- Dia do Trabalhador! É um dia histórico do Movimento Operário e Sindical! É um dia para comemorar e fazer a festa mobilizadora numa época em que se procura destruir a memória do movimento dos trabalhadores, confundir as novas gerações dizendo-lhes que a perda de direitos é devida ao facto dos mais velhos terem direitos! É um tempo de, pese as dificuldades, renovar a esperança em melhores dias através da nossa participação ativa nos locais de trabalho, nas organizações políticas e sociais!

O desemprego está a criar imensas dificuldades aos trabalhadores, em particular aos que estão desempregados! O desemprego, que para as grandes empresas e interesses financeiros, é frequentemente um ato de gestão lucrativo, é para os trabalhadores e para o futuro das sociedades o maior problema! Daí que a luta pelo trabalho com direitos (trabalho digno) seja neste momento uma das mais importantes exigências dos movimentos de trabalhadores! A alternativa não é desemprego ou trabalho escravo, mas sim trabalho digno! Para os mais velhos e para os mais novos. O Movimento Operário e Sindical não faz discriminações! A sua luta é para defender os direitos e interesses de todos os trabalhadores, incluindo os desempregados e reformados!



TRABALHO É FONTE DE DIGNIDADE!

«.....Acreditamos que o trabalho é fonte de dignidade, de valor e de reconhecimento social. Permite exercer a cidadania, é um fator de inclusão e de compromisso social e é condição integradora numa sociedade solidária e organizada, em que cada um faz parte de um todo.
É com o trabalho (agricultura, indústria transformadora, e dos diversos serviços) que em qualquer parte do planeta, o homem e a mulher garantem a sua qualidade de vida e a das suas famílias. -afirma o Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristão a propósito do 1º de Maio- que acrescenta


«Por isso, os movimentos de trabalhadores cristãos que integram o MMTC, baseados no Evangelho e no Ensino Social da Igreja, reafirmam que o homem e a mulher são seres criados por Deus. Maltratá-los, subjugá-los à lei do mais forte e impedi-los de viver uma vida digna é atentar contra a Obra da criação.
Não valorizar o rendimento dos trabalhadores através duma justa remuneração, obrigá-los a migrar para fora da sua região ou do seu país para poder sobreviver, a ter mais de um trabalho para poder completar o salário que não chega para viver, ter que aceitar que tudo lhe seja imposto com medo de perder o trabalho é uma perversão à dignidade do ser humano. ..»Ver na integra