BASE DE LISBOA COMEMORA ANIVERSÁRIO!

Com um encontro de confraternização, onde vai pontificar a música e a poesia, e não pode faltar o bolo de aniversário, os militantes da BASE-FUT de Lisboa e amigos  vão comemorar no próximo dia 3 de Novembro os 38 anos da Organização.
A BASE-FUT foi fundada em Novembro de 1974 nas instalações do INATEL, na Costa de Caparica, num Plenário de Militantes, a maioria oriunda da militancia sindical católica que lutou pela democracia e contra a ditadura de Salazar-Caetano.

BASE DO NORTE DEBATE ALTERNATIVAS!

«Celebrar mais um aniversário da BASE-FUT em tempo de agitação e desânimo para a maioria do povo português é para nós mais um desafio em que temos de mostrar o que valemos enquanto organização.
Assim, festejar significa também refletir,partilhar ideias, encontrar caminhos novos.
No nosso último Encontro alargado foi sugerido abordar linhas lançadas no Congresso das Alternativas realizado em Lisboa a 5 de Outubro. Quem tiver informação, será bom partilha-la.»-diz a convocatória para um Encontro da BASE-FUT do Norte a realizar no próximo dia 3 de Novembro na sede regional, Rua Passos Mauel,209-1º na cidade do Porto.Com início ás 15 horas o Encontro serve também para comemorar os 38 anos da fundação da Organização.Tempo de encontro e confraternização!

A CRISE É DEVIDA Á LÓGICA DO CAPITALISMO!

«A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo, que torna o capital motor da economia. E seu desenvolvimento – essencialmente, a acumulação – leva à maximização do lucro. Se a financeirização da economia favorece a taxa de lucro e se a especulação acelerou o fenômeno, a organização da economia como um todo continua dessa forma.
 Mas um mercado não regulamentado capitalista conduz inevitavelmente à crise. E, como indicado no relatório da Comissão das Nações Unidas, é uma crise macroeconômica»-Diz François Houtart conhecido sociólogo belga e professor da Universidade Católica de Louvain.As Edições Base editaram ,ainda na década de setenta, um livro deste sociólogo que, apasar de passar dos oitenta anos de idade, ainda continua com uma lucidez invejável!ver entrevista

PELO TRABALHO DIGNO-alargar mobilização social!

«A Comissão para os Assuntos do Trabalho (CAT) reuniu em Longueira/Almograve, concelho de Odemira, no passado dia 13 de Outubro. A agenda de trabalhos comtemplou a análise social e sindical após Congresso da BASE-FUT (Junho de 2012) com particular atenção aos últimos desenvolvimentos do meses de Setembro/Outubro, meses particularmente «quentes», em especial após a quinta avaliação da Troika (FMI,BCE e CE), bem como o anúncio das medidas de austeridade a incluir no OE de 2013.

Neste quadro foram debatidos aspetos sociais, sindicais e políticos que merecem um registo particular.

Com efeito:

1.Nos últimos meses os portugueses tomaram consciência de algo muito grave que demonstra de forma clara o fracasso da política de austeridade imposta a Portugal pelas instituições internacionais e pelo governo.

O déficit orçamental apesar dos sacrifícios da maioria dos portugueses, em particular dos trabalhadores, não atingiu os limites estabelecidos e a economia entrou numa espiral recessiva com o aumento trágico do desemprego (16%) e da pobreza.

No fim do Verão com o anúncio das graves alterações à TSU (Taxa Social Única) assistimos e participámos numa forte mobilização social e sindical que nunca mais parou, a par de um aumento dos conflitos laborais em vários setores. Este movimento teve um claro agravamento com a retirada da proposta de alterações à TSU e a introdução de uma enorme carga fiscal para trabalhadores e pensionistas no OE de 2013.

2. Neste cenário é importante salientar que a manifestação popular de 15 de Setembro foi muito importante por diversos motivos, nomeadamente por ser de manifesta indignação, interclassista e inter – geracional, com aspetos de revolta perante políticas de um governo e de uma coligação que atravessa igualmente um conjunto de problemas internos e que revela um alto grau de autismo político. Esta manifestação, de algum modo inorgânica e espontânea, incorporou cidadãos sem partido e com partido e até pessoas que se manifestaram pela primeira vez na rua!

Esta mobilização popular é um sério aviso não apenas ao governo mas também ao regime, tal com está a funcionar. Ou o regime democrático se reforma e ultrapassa o impasse ou corre o risco de perder totalmente o apoio dos cidadãos.

Daí que seja fundamental acompanhar e dinamizar a mobilização popular num sentido democrático, sendo necessário introduzir mecanismos de maior participação popular na governação e na justiça para que esta funcione tal como é próprio de um Estado Democrático.

3.Articulando com a mobilização popular está a mobilização e ação sindical, a luta nas empresas pelo trabalho digno e pelo combate a um Código do Trabalho, cujas recentes alterações diminuem os rendimentos do trabalho e reforçam o poder patronal e empresarial em detrimento dos direitos laborais.

Estão nesta linha as grandes manifestações sindicais promovidas pela CGTP, a proposta de uma greve geral ibérica a 14 de Novembro e uma jornada de luta europeia no mesmo dia promovida pela Confederação Europeia de Sindicatos!

Consideramos fundamental uma dinâmica europeia de unidade, esboço de uma greve geral europeia, para, se necessário, se combater mais eficazmente as políticas de austeridade e desigualdade que podem afundar o projeto europeu!

Nunca como hoje o diálogo social e a negociação coletiva foram tão desprezados pelo governo! No setor público o diálogo social tem apenas um sentido e limita-se à informação de más notícias para os trabalhadores! Neste contexto temos dificuldade em entender a posição sindical da UGT portuguesa. Consideramos, no entanto, fundamental a unidade na ação do movimento sindical, sendo necessário realizar um grande esforço de convergência no respeito pelas diferenças ideológicas e sindicais. Urge encontrar novas plataformas de diálogo, entendimento e confiança.

4.O Congresso Democrático das Alternativas, que ocorreu a 5 de Outubro, merece igualmente ser considerado neste contexto de mobilização social contra as políticas de austeridade e pobreza implementadas pelas instituições internacionais e aplicadas sem crítica pelo governo português.

O congresso aglutinou pessoas de várias origens sociais e ideológicas e procurou alargar e aprofundar o debate sobre os caminhos alternativos à política da Troica. Consideramos fundamental aprofundar estes caminhos no âmbito da União Europeia cujo projeto genuíno de democracia, paz e justiça social não pode ser abandonado. Encontrar outros caminhos de coesão social e de bem estar para os cidadãos é salvar o projeto europeu. A moeda, neste caso o euro, deve ser um instrumento ao serviço das pessoas e de economias solidárias.

Ao congresso, altamente politizado, faltou-lhe, porém, uma dimensão de pática social, de experiencias no terreno que sejam sinal de transformações sociais. Por outro lado, este esforço de debate e participação política carece de, a prazo, ser sustentado por um conjunto de forças políticas de esquerda que se posicionem como uma alternativa de governação.

5.Finalmente, consideramos o combate pelo trabalho digno e contra a precariedade o eixo central da nossa ação para os próximos tempos na linha do último Congresso da BASE-FUT em Junho de 2012. Combate que passa nomeadamente por dois projetos europeus no âmbito da rede EZA, com seminários, encontros e colóquios nacionais internacionais e regionais. O combate pelo trabalho digno exige que os cidadãos, e em particular os trabalhadores, conheçam os seus direitos e deveres e participem ativamente na vida sindical, nas comissões de trabalhadores e como representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde!

No combate pelo trabalho digno está a nossa solidariedade com os desempregados a quem estas políticas também penalizam gravemente, muitos deles sem o essencial para viverem e até para se deslocarem aos Centros de Emprego.

Com efeito, cada vez é mais difícil a deslocação dos desempregados aos centros de emprego, não apenas por motivos de acessibilidades, nomeadamente transportes, mas também pela maior distância geográfica entre os centros de emprego e a residência dos desempregados. A centralização das unidades orgânicas, por razões financeiras, coloca o Estado distante da população, levando a um empobrecimento cada vez maior e a um sentimento de revolta e injustiça por parte de quem pagou os seus impostos quando estava na vida ativa.

Neste combate pelo trabalho digno e contra o desemprego estamos acompanhados por outras organizações de trabalhadores, movimentos sociais, centros universitários, grupos de estudo, grupos da igreja católica. Todos são necessários e todos podemos trabalhar em parceria, juntando forças para atingir o mesmo objetivo-trabalho digno para todos!»


Longueira/Odemira,13 de outubro de 2012











GREVE GERAL IBÉRICA E JORNADA EUROPEIA DE LUTA!

No próximo dia 14 de Novembro a CGTP e as centrais sindicais Comissiones Obreras e UGT espanholas vão realizar greves gerais em Portugal e Espanha respetivamente!Em solidariedade a Confederação Europeia de Sindicatos determinou uma jornada de luta e solidariedade para o mesmo dia, num esboço do que poderá ser uma GREVE GERAL EUROPEIA!

«A reunião do Comité Executivo da CES de 17 Outubro de 2012 apela a um dia de acção e solidariedade a 14 de Novembro de 2012, incluindo greves, manifestações, comícios e outras ações, com vista a mobilizar o Movimento Sindical Europeu para apoiar as políticas da CES, conforme estabelecido no Contrato Social para a Europa.


2. O Comité expressa a sua forte oposição às medidas de austeridade que estão a arrastar a Europa para a estagnação económica, de facto para uma recessão, bem como para o desmantelamento consecutivo do Modelo Social Europeu. Estas medidas, longe de restabelecerem a confiança, apenas servem para agravar os desequilíbrios e para criar injustiças.

3. Apesar de apoiar o objectivo de consolidação das contas, o Comité Executivo considera que apenas se poderá pôr fim à recessão pelo abrandamento das restrições orçamentais e pela eliminação dos desequilíbrios, com vista a atingir um crescimento económico sustentável e a coesão social, respeitando os valores consagrados na Carta dos Direitos Fundamentais.»Ver declaração

A BASE-FUT apoia esta jornada de luta europeia e apela á participação na greve geral!Oportunamente tomará posição sindical sobre esta jornada de luta contra as políticas da austeridade e perda de direitos!

NOTA: A Uniõn Sindical Obrera (USO), a terceira central sindical da Espanha e com quem a BASE-FUT tem relações históricas, também convocou a greve geral para o dia 14 de Novembro!

RIO+20: que futuro queremos?

Apresentamos o ultimo capítulo do Relatório crítico sobre a cimeira da ONU Rio +20 elaborado por Giorgio Casula do Departamento do Desenvolvimento Sustentável da CGTP.Dada a extensão do dito relatório optamos por transcrever a parte final que levanta uma quantidade de questões sobre o futuro que queremos construir neste planeta e neste país:

«Quais perspectivas podemos delinear com base nos resultados da Cimeira de Rio + 20? Ao fim e ao cabo a questão de fundo é de saber que tipo de crescimento económico queremos. Aqui partilho a reflexão de Cesar Sanson, do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT (Brasil): “Por muito tempo, inclusive na esquerda, acreditou-se que o crescimento económico seria a varinha de condão para a resolução de todos os problemas. Particularmente da pobreza. A equação é conhecida. O crescimento económico produziria um círculo virtuoso: produção-emprego-consumo. Porém, o axioma de que apenas o crescimento económico torna possível a justiça social não é verdadeiro. Será que o grande projeto brasileiro é transformar todos cidadãos em consumidores? É preciso complexificar o debate. O debate sugerido, a partir do princípio da ‘ecologia da ação’ recomenda que devemos construir uma sociedade que seja sustentável com a natureza, às necessidades humanas presentes e futuras, com uma ética solidária, definidas desde os sectores populares, tendo como fim a construção de uma sociedade baseada em valores da solidariedade, liberdade, democracia, justiça e equidade” .

Evidentemente podemos colocar as mesmas questões para Portugal! De facto, que mudanças precisamos para organizar a economia de forma a produzir e consumir sem criar exclusões e desigualdades sociais e sem destruir a base da vida? Os nossos governantes demonstraram uma falta de determinação para iniciar uma grande reestruturação de um mundo em crise. Como ultrapassar esta crise de governação quando o problema é também dos nossos parlamentares que os sustentam, por mais limitado e contraditório que seja o espaço político que eles ainda detêm diante o poderes dos mercados? Como mudar este sistema quando a economia globalizada e a própria saúde das finanças públicas estatais dependem do enorme poder privado dos grandes grupos económico-financeiros, que submetem o mundo aos seus interesses de especulação e acumulação? O que temos hoje ao nível mundial é um governo mundial de corporações mais do que de Estados !

Mas também a sociedade civil e a “cidadania planetária”, presente também no Rio de Janeiro, não teve o impacto esperado! Embora os representantes da sociedade civil fizeram muito ruído e alguns puderam participar democraticamente na tentativa de “influir na produção do documento final, faltou a força para criar uma real densidade politica democrática capaz de inverter o jogo ou, ao menos, ameaçar” . Segundo Cândido Grzybowski, Director da Ibase (Brasil), chegamos a pouco em termos de caminhos para novos paradigmas, o mote que uniu os nossos representantes no Rio e, espero eu, continuará a nos unir para defender novas ideias, sonhos diversos, pluralismo de visões, análise e modos de agir.
“A incapacidade dos governos diante de suas contradições e, sobretudo, do poder das corporações económico-financeiras, mais uma vez patente nesta Conferência da ONU, só pode ser superada pela nossa determinação de cidadãs e cidadãos responsáveis, que crêem e agem para que outros mundos sejam possíveis. Cabe-nos a tarefa de empurrar os governos para mudanças, não nos iludamos” .

Importa continuar a unir os esforços entre associações, ONG, parceiros sociais e instituições públicas para que os políticos e os órgãos estatais admitam e implementam os princípios de participação e de contribuição da sociedade civil.
Existem tribos, em várias partes do globo, que não esperaram o RIO+20 nem RIO 92 para saber que é preciso viver em harmonia com a natureza e equilibrar as necessidades económicas e ambientais. Seguramente que poderíamos aprender mais com elas em vez de destruí-las!
Embora parece o David contra Golias não podemos baixar os braços. Agora, mais do que nunca, importa agir, não só para nós, mas para as gerações futuras, no mundo inteiro.»





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PREMIO NOBEL DA PAZ PARA UE!



Queridos amigos:

Con gran alegría y entusiasmo he escuchado el viernes pasado la noticia de que la Unión Europea recibe el Premio Nobel de la Paz. No podía haber un mejor momento para esta decisión. Incluye tantas cosas.

En primer lugar se honra a un proyecto de paz que es único en el mundo. Pensemos en los inicios, la firma de los Tratados de Roma en 1957 (desde ese momento vivimos sin confrontaciones bélicas); pensemos en la caída del Muro de Berlín, la ampliación a los Países del Este, la pacificación de los Balcanes y la unión monetaria.

 Pero la concesión del Premio Nobel de la Paz que se nos hace, en cuanto ciudadanos europeos, significa también que debemos continuar nuestro camino común sin errores, especialmente en tiempos difíciles y turbulentos, tal como los que estamos viviendo hoy, especialmente en los países del sur de Europa.

El galardón es también una confirmación del trabajo de todas nuestras organizaciones miembros, de los gremios y de la oficina de EZA. Por eso quisiera en mi calidad de Presidente de EZA felicitarles con este motivo. Todas nuestras acciones han contribuido a la estabilización del diálogo social y seguiremos avanzando convencidos por ese camino.

La Unión Europea en su conjunto es un proyecto fascinante en el que queremos seguir comprometiéndonos.


Utrecht, 12 de octubre de 2012

Bartho Pronk

Presidente de EZA