O DIREITO À GREVE EM PORTUGAL!

O direito á greve está reconhecido na nossa lei fundamental, a Constituição Portuguesa, e na legislação comum, atualmente o Código do Trabalho! Nem sempre foi assim no nosso País como sabem os trabalhadores mais velhos que ao fazerem uma greve, ou suspensão do trabalho, corriam o risco de serem presos de imediato e levados para os calabouços da polícia política da ditadura! Numa democracia a greve é um direito fundamental dos trabalhadores que utilizam como último recurso na resolução de um conflito laboral. Historicamente o direito á greve foi reconhecido após intensas lutas do movimento operário e sindical nos diversos países nos séculos XIX e XX. 
Os trabalhadores tiveram que fazer muitas greves (nessa altura ilegais) com risco da própria vida logrando mais tarde que tal fosse reconhecido em grande parte do mundo como um direito. Hoje existem correntes ideológicas que colocam em questão tal direito e procuram limitá-lo. Por sua vez, as organizações patronais internacionais nunca reconheceram este direito dos trabalhadores, nomeadamente no âmbito da OIT.

Quem pode declarar uma greve? 

Alguns trabalhadores pensam que apenas os sindicatos podem decretar uma greve. Tal não é absolutamente verdade. Segundo a legislação portuguesa (CT artº531)a assembleia de trabalhadores da empresa pode decretar uma greve desde que a maioria dos trabalhadores não esteja representada por associações sindicais e a dita assembleia seja convocada para o efeito por 20% ou 200 trabalhadores e a deliberação seja aprovada por voto secreto da maioria dos votantes. Neste último caso os trabalhadores devem eleger também uma comissão de greve para representar os trabalhadores. Ao decretarem a greve o sindicato ou a comissão de greve deve também definir os serviços mínimos a garantir durante a greve.
 A legislação portuguesa diz textualmente que compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve. Esta questão é muito importante dado que há sempre uma discussão sobre se uma greve é ou não política, nomeadamente numa greve geral! São os próprios trabalhadores que devem definir os objetivos a alcançar com a greve que decretaram. 

A Greve é sempre um ato de cidadania 

 Aqui nesta questão debatem-se várias conceções sobre o direito á greve, algumas das quais estão ligadas às correntes sindicais. Todavia, uma greve pode ter um objetivo mais económico ou mais político, sendo sempre um ato de cidadania e de democracia! Uma greve geral que visa a mudança de uma lei ou a pressão sobre o governo tem naturalmente um carater mais político do que económico. A greve geral teve na história do sindicalismo uma grande importância política. Algumas correntes sindicais, nomeadamente o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo consideravam que pela greve geral se poderia instaurar uma nova sociedade- a dos trabalhadores auto-organizados.

 Portugal é um país com poucas greves!

 Segundo dados do Ministério da Economia em 2012 realizaram-se 127 greves ás quais aderiram 92.324 trabalhadores tendo como consequência a perda de 112.984 dias de trabalho. Nestes dados não estão contabilizadas as greves da Função Pública. Das 127 greves apuradas, 50 ocorreram nas indústrias transformadoras e 62 nos transportes e armazenagem. Os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal foram as regiões onde mais trabalhadores aderiram às greves o que é natural, dado que também ai trabalha a maioria dos portugueses! As reivindicações salariais e por condições de trabalho estiveram nos primeiros lugares. Em termos de resultados alcançados e do total das reivindicações efetuadas apenas 4,6% tiveram aceitação total e 8,6%, foram parcialmente aceites, sendo que 86,7% foram recusadas.
 Estes dados mostram que, apesar de 2012 ter sido um ano terrível da crise no quadro da intervenção da Troika, Portugal teve um baixo nível de conflitualidade social no setor privado. Assim a perceção que alguns setores da população têm de que somos um país em constantes greves não corresponde á realidade! Essa perceção tem por base o impacto que greves dos transportes e da Função Pública têm nessa mesma população e na comunicação social. Uma das razões para tão baixo nível de conflitualidade num ano chave de desvalorização e intensificação da exploração laboral tem a ver com os níveis históricos de desemprego no país, quase nos 19%. 
«Informação laboral»

ENCONTRO DE ORGANIZAÇÔES DE EDUCAÇÃO POPULAR

A BASE-FUT representada por José Vieira, sociólogo e membro da Comissão para os Assuntos do Trabalho (CAT) e Pierre Marie, investigador social, representam a BASE-FUT num encontro promovido pela Associação francesa Culture et Liberté em Paris de 9 a 12 deste mês. O objetivo do Encontro que reúne outras associações de países europeus destina-se a gizar um plano de cooperação internacional no domínio do associativismo popular e animação cultural.

BASE-FUT VAI FAZER 40 ANOS!

Estamos a chegar a Novembro – mês de FESTA, porque a BASE – F.U.T. faz 40 anos. Iremos festejar em Coimbra – no C.F.T.L., no dia 8 de Novembro. Do Programa, que está ser construído, consta o lançamento do Livro “PELA DIGNIDADE DO TRABALHO – UTOPIAS E PRÁTICAS DO TRABALHO DE BASE” Este Livro é a história da BASE, na sua vertente mais sindical. Haverá também uma merecida homenagem. A quem? SURPRESA!!! Em breve irás receber o Programa, assim como os custos. Se és de Lisboa, conta que vai haver um autocarro. O regresso será dia 9 de Novembro. É que vai haver um jantar de Aniversário! Assenta já na tua Agenda. Ninguém pode ficar em casa – nem militantes, nem simpatizantes, nem Amigos. Vamos todos para Coimbra. Um abraço amigo. O SECRETARIADO

DIA MUNDIAL DO TRABALHO DIGNO!

Comemoramos a 7 de outubro o dia mundial do trabalho digno.Em Portugal como é?

1.Salários
Portugal perdeu no espaço de um ano mais de 197mil trabalhadores por conta de outrem. O número de salários mais baixos está a aumentar. Os últimos dados apontam para 155 mil pessoas a ganharem até 310 euros em 2012. A emigração tem sido muito grande. Os dados ainda não são muito fiáveis. Há quem aponte para quase 500 mil pessoas. Sabemos que em 2011 a emigração aumentou 85% em relação a 2010 com 44.000 pessoas a emigrar. Fortes cortes salariais na Função Pública, estagnação/congelamento salarial na privada. Cerca de metade dos desempregados não auferem subsídio de desemprego. Salário médio é de 900 euros e o salário mínimo tem sido de 485 euros, sendo agora, há poucos dias de 505 euros.

 2.Situação relativamente ao género: 
Apesar da redução da diferença salarial verificada a partir de 2003, em 2010 as mulheres continuam a auferir menos 18% do que os homens; A desigualdade entre mulheres e homens é tanto maior quanto mais elevado o nível de qualificação; A maioria dos lugares de direção e chefia é ocupada por homens; As mulheres representam apenas 43,4% dos quadros superiores; Esta desigualdade é acentuada nos quadros superiores dado que as mulheres auferem menos 28,2% do que os homens em termos de remuneração. 

3.Situação sobre segurança e saúde no trabalho. 
Aumento dos riscos psicossociais e violência no trabalho, nomeadamente do assédio moral; Apenas 13% das empresas declararam ter procedimentos para lidar com o stresse e com a violência no trabalho; apenas 8% declaram ter procedimentos para lidar com assédio moral. Diminuição pouco significativa dos acidentes de trabalho apesar do aumento histórico do desemprego. A média nos últimos anos é de 230 mil acidentes de trabalho/ano. Diminuição mais acentuada dos acidentes mortais que passaram de média de 300/ano para 230/ano. Construção é o setor com a maior sinistralidade bem como as indústrias transformadoras; Apenas 27% das empresas têm representação dos trabalhadores no domínio da segurança e saúde no trabalho; Sistema público de proteção e prevenção das doenças profissionais é altamente deficiente deixando ultimamente de ser uma entidade com grande autonomia (Centro Nacional de Proteção e Prevenção dos Riscos Profissionais) para ser um departamento da Segurança Social;

 4.Segurança no emprego/precariedade laboral/trabalho clandestino.
 Aumento do trabalho não declarado e clandestino. As coimas aplicadas pela inspeção do trabalho nesta matéria atingiram milhões de euros; Abuso dos contratos a termo e dos recibos verdes bem como do trabalho temporário. Em alguns setores como a restauração e hotelaria a precariedade atinge mais de 50% dos trabalhadores. A maioria esmagadora da contratação de jovens é precária. Aumento enorme dos despedimentos coletivos e de empresas em crise. As insolvências aumentaram mais de 60% em 2013. 

5.Alterações legislativas/Código do Trabalho 
 Importantes alterações desde 2003, com a elaboração do Código do Trabalho, em 2009 com novas alterações, e agora em 2012/14, por causa do memorando da Troika. Alterações que vão no sentido de reforçar o poder patronal aumentar os horários de trabalho, liberalizar o despedimento e limitar a importância da contratação coletiva. Nos últimos anos o número de trabalhadores abrangidos pela contratação coletiva tem diminuído e aumentado o número dos que estão simplesmente abrangidos pelo contrato individual.

 6.Liberdade sindical 
 Embora não tendo havido alterações significativas á legislação laboral neste capítulo existem indícios de se querer restringir alguns direitos . Existe, todavia, em várias empresas a perseguição ao sindicalista ou ao trabalhador que aceite funções sindicais. O diálogo social está, no entanto, muito desvalorizado em particular a partir da assinatura do Memorando da Troika. O governo informa os sindicatos mas decide unilateralmente na maioria dos casos. 

7.Conciliação da vida familiar e profissional 
 Apenas 15% dos portugueses considera que os horários se adaptam muito bem aos seus compromissos sociais e familiares enquanto que cerca de 34% dos finlandeses dizem o mesmo.

 8.Algumas tendências positivas
 Na última década o trabalho infantil tornou-se residual.Com a crise estão, porém, criadas as condições para aparecerem novamente situações de trabalho infantil, nomeadamente em casa e no setor cultural (TV e espetáculos); Existe em várias instituições da sociedade uma maior sensibilidade para a necessidade de defender o trabalho digno na sociedade portuguesa. Alguns fatos: Centrais sindicais, CGTP e UGT, realizam eventos sobre o tema. Outros movimentos ou organizações de trabalhadores como a Liga Operária Católica e a BASE-FUT realizam atividades sobre o tema e, em 2012, a promoção de um manifesto pelo trabalho Digno assinado por dezenas de juristas, sindicalistas e académicos. O tema tornou-se particularmente pertinente com o agudizar da crise e a situação de Portugal como país sob intervenção das instituições financeiras (FMI,EU e BCE) bem como com o aumento da precariedade e do trabalho não declarado. Em 2013 a BASE-FUT realizou em Lisboa um seminário internacional sobre a precariedade laboral na União Europeia.

DEBATER FUTURO DA CONTRATAÇÃO COLETIVA!

O Coordenador Nacional da BASE-FUT, João Paulo Branco, vai moderar um painel do seminário promovido pela Unión Sindical Obrera, (USO) Espanha, em Palma de Mallorca, a realizar de 6 a 8 de outubro, sobre o tema geral «negociação coletiva e diálogo social na União Europeia».
 O evento tem o apoio da Comissão Europeia e do EZA (Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores) e reúne sindicalistas de vários países da Europa, em geral de organizações de caráter social cristão. O seminário inclui no dia 7 de outubro uma celebração do Dia Mundial pelo Trabalho Digno da iniciativa da USO, sendo abordados diversos temas das relações de trabalho na Europa, desafios para as organizações de trabalhadores.

GOVERNAR À ESQUERDA!

O Congresso Democrático das Alternativas (www.congressoalternativas.org) vai organizar no próximo dia 4 de Outubro (sábado), no Auditório do Liceu Camões em Lisboa, a Conferência: “Governar à Esquerda”.
A um ano das eleições legislativas, pretende-se debater questões decisivas para o nosso futuro comum, como sejam: o que deve um governo de esquerda fazer para revalorizar a democracia e os direitos sociais e laborais? Qual o mandato que deve assumir nas relações com a União Europeia, nomeadamente no que respeita à questão da dívida? A conferência funcionará em dois painéis (ver programa mais abaixo), tendo por base textos que estão já disponíveis no site do Congresso (De Volta à Democracia, por André Barata;
O Trabalho e os seus Direitos, por António Casimiro Ferreira;
Protecção Social, por José Luís Albuquerque;
Saúde e Educação, por Manuela Silva e Nuno Serra;
A dívida, a União Europeia e a Soberania, por José Maria Castro Caldas).
 Participe no debate enviando os seus comentários aos textos relativos a cada tema. Inscreva-se para participar na conferência: http://www.congressoalternativas.org/2014/09/inscricoes.html Programa: 10h00 – Abertura: José Reis 10h30-13h00 – 1º Painel: “Democracia, trabalho e direitos sociais” André Barata (Democracia) António Casimiro Ferreira (Trabalho) José Luís Albuquerque (Protecção Social) Manuela Silva (Saúde e Educação) 15h00-17h30 – 2º Painel: “A dívida, a União Europeia e a Soberania” José Castro Caldas (moderador) Francisco Seixas da Costa João Ferreira do Amaral José Joaquim Gomes Canotilho Marisa Matias Octávio Teixeira

DEBATER SITUAÇÃO SOCIAL E SINDICAL!

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No próximo dia 11 de Outubro a Comissão para os Assuntos do Trabalho (CAT) da BASE-FUT reúne em Coimbra para debater situação social e sindical.As atividades da Comissão a nível nacional e internacional serão avaliadas e perspetivadas tendo como estratégia o apoio á ação sindical e laboral das organizações de trabalhadores. As conclusões da reunião darão lugar a um documento coletivo que será posteriormente divulgado.