COOPERAÇÃO COM CULTURE ET LIBERTÉ

Robert Kamp, responsável das Relações Internacionais da Associação de Educação Popular Francesa «CULTURE ET LIBERTÉ», visita Portugal a convite da BASE-FUT entre os dias 5 e 9 de janeiro próximo.O motivo da visita é aprofundar as relações históricas de cooperação entre as duas organizações e estudar a viabilidade de participação em projetos culturais e de formação, com destaque para a formação de animadores sociais e culturais. 
Do programa consta uma reunião com o Secretariado Nacional da BASE-FUT, contatos cóm algumas associações em Lisboa,Costa de Caparica e Coimbra. Culture et Liberté tem uma longa história como federação de associações de educação popular e animação cultural, inclusive no domínio da formação de trabalhadores se destacou em alguns momentos do seu percurso social.Tendo origem no CCO francês esta Associação´tem uma prática inovadora, quer na ação de base, quer na produção de pensamento. José Vieira,militante da BASE,acompanhará Robert Kamp nestas visitas bem como Pierre Marie, assessor do CFTL, e Christian Lefeuvre membro do Culture Liberté a viver em Portugal.http://www.culture-et-liberte.asso.fr/

NOVO CICLO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO-escreve Carvalho da Silva!

O poder financeiro e económico, servido por governantes dos Estados, da União Europeia e de instituições mundiais, continuará em 2015 a procurar enfraquecer, ou fazer desaparecer, as normas de regulamentação colectiva, quer as estabelecidas ao nível dos Estados, quer as que pela contratação colectiva se estabelecem nos sectores de actividade e nas empresas.
O lugar do trabalho e dos seus direitos, que determinam as expressões concretas e os sentidos da sua valorização/desvalorização, constituem um pilar crítico, de carácter conflitual, para a identificação clara dos objectivos políticos e ideológicos que circulam nas sociedades contemporâneas e marcam os seus rumos. À luz desta ideia geral, e de modo muito sintético, dir-se-á que em Portugal, em 2015, continuaremos a observar a existência de duas posições antagónicas. A dos que consideram o trabalho e os direitos laborais como fonte de processos de activação dos princípios de justiça social e de redistribuição de bens materiais e simbólicos; e aqueles para quem o trabalho e os seus direitos são perspectivados na óptica mais estreita dos custos de produção, de obstáculo ao lucro dos empresários, de instrumento para "redução da despesa" do Estado. A defesa da primeira posição corresponde à defesa do projecto de aprofundamento dos valores intrínsecos à vida democrática das sociedades decentes. É este caminho que deve urgentemente começar a ser trilhado com a preparação e início de um novo ciclo político. Há que trabalhar uma moratória que trave a ofensiva liberalizadora e desreguladora do trabalho, que reequilibre relações de poder e reponha aos trabalhadores a riqueza de que foram espoliados. O trabalho e os seus direitos são parte indispensável de um processo de desenvolvimento económico e político de patamar elevado e estruturadores das dinâmicas de aprofundamento da justiça social entendida como experiência viva de "utopia concreta" (integrada da dignidade humana em acção) a realizar permanentemente: concretizar a cada dia melhorias para todo o cidadão trabalhador, para as famílias e o colectivo da sociedade, ao invés de entregar a riqueza produzida à ganância e uso perverso de elites. A diminuição do emprego e o abaixamento da sua qualidade, o desemprego, a colocação de indivíduos em situações de inactividade, as precariedades, as rupturas e disfunções de condições de trabalho em função da geração a que se pertence, a utilização subversiva de "mercados de trabalho" desprotegidos, a brutal transferência de riqueza e de poder do factor trabalho para o factor capital - tudo isto gera uma imensidão de riscos, de inseguranças, de instabilidades no trabalho e na vida das pessoas em geral. As políticas a seguir num novo ciclo político não podem ir nesta onda.
A convergência da velha e retrógrada concepção de que o Estado se deve afastar das relações laborais para imperar a vontade das partes, como se elas estivessem em pé de igualdade no estabelecimento da relação, com uma perspectiva pretensamente pós-moderna em que o grande anseio dos trabalhadores é a "libertação das dependências da contratualização" não pode ser o "novo" caminho. É cínico colocar a inactividade, o desemprego, as condições que impõem o abaixamento da qualidade do emprego, as precariedades, como decorrências de um processo de libertação dos trabalhadores que há de ser conseguido pelo individualismo "responsabilizador" e por uma espécie de "agencialização" de cada trabalhador. É preciso forte combate a este vírus. Ele pode estar a infiltrar-se no Largo do Rato, para depois se instalar em São Bento. A contratação colectiva e os seus quadros de direitos/deveres têm dependências inquestionáveis, mas serão ainda, e por muito tempo, libertadores.
Alguns conteúdos sensíveis a recolocar na contratação colectiva, a ser dinamizada
i) Reconstruir e ressituar o valor do trabalho na economia. As relações de trabalho fazem-se no seio dos paradigmas da economia real e não da economia financeira e especulativa.
Há que confrontar os empresários com esta realidade para se estancar a desvalorização do trabalho e encetar caminhos de desenvolvimento produtivo e útil.
 ii) Garantir controle dos trabalhadores sobre o seu tempo. O tempo contratualizado tem de estar bem definido, para que as premências das flexibilidades e adaptabilidades de uma "economia competitiva" não destruam a indispensável conciliação vida familiar/trabalho.
 iii) Valorizar o salário. O conceito salário não pode recuar para subsídio de subsistência. No início de 2015 deve discutir-se a actualização do SMN com base neste princípio.
 iv) Reconstruir solidariedades intergeracionais, numa perspectiva de harmonização no progresso, dar expressão a direitos inerentes à igualdade nos diversos campos da sua afirmação, bem como combate às discriminações que se vêm acentuando em nome da crise.
v) Garantir compromissos para a formação profissional dos trabalhadores e para as condições de segurança e saúde no trabalho, conteúdos fundamentais das relações de trabalho que estão numa perigosíssima degradação.
vi) Fazer da Contratação Colectiva campo de defesa e de conquista de bases de sustentação de direitos sociais, desde logo da segurança social e do seu sistema público e universal. Dar apoio e força aos trabalhadores e seus sindicatos é hoje e será por muito tempo uma exigência da democracia. Carvalho da Silva no «Diário Económico de 31/12/2014»

CONTRATO DE TRABALHO: a informação a que o trabalhador tem direito!

Alguns trabalhadores queixam-se que não têm contrato escrito ou que quem os empregou não os informaram sobre um conjunto de assuntos que é obrigatório por lei informar, nomeadamente o montante do salário, o seguro de acidentes de trabalho e descontos para a segurança social. O Código do Trabalho diz no artigo 106º que o patrão, ou quem fala e assina por ele, deve informar o trabalhador sobre aspetos relevantes do contrato de trabalho.
De igual modo o trabalhador também está obrigado a prestar informações que sejam relevantes para a prestação da sua atividade profissional. Entre as informações relevantes que o patrão deve prestar ao trabalhador por escrito temos algumas que merecem especial atenção. O local ou locais de trabalho onde vai prestar o seu trabalho, categoria profissional ou descrição sumária das funções que vai exercer; a data de celebração do contrato e a do início dos seus efeitos; o valor do salário bem como se o mesmo é pago ao mês à semana ou ao dia; o horário de trabalho; o número da apólice do seguro de acidentes de trabalho e o nome da seguradora; o eventual instrumento de regulamentação coletiva (acordos de empresa, contrato coletivo de setor, etc.) e para contratos recentes (outubro de 2014) a identificação do fundo de compensação do trabalho, bem como o fundo de garantia de compensação do trabalho.
 A violação destas obrigações graves por parte da entidade patronal constitui contraordenação grave. É assim importante ter presente estas obrigações e, em caso de necessidade, consultar a legislação e falar com o delegado ou dirigente sindical ou, ainda telefonar para a ACT através do número informativo 707228448.

PRESIDENTE DO EZA REELEITO!

Bartho Pronk presidente do EZA-Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores-foi reeleito por mais quatro anos no passado mês de novembbro na assembleia magna deste organismo.Este holandês, com grande experiência política e social, teve novamente o voto dos centros de formação de trabalhadores da área social cristã da Europa. Bartho já esteve em Portugal várias vezes, uma delas a convite do CFTL, centro de formação da BASE-FUT e membro com assento no conselho de administração do EZA. No mesmo ato eleitoral foi também reeleito co- Presidente do EZA o italiano Piergiorgio Sciacqua.Entre os vice-presidentes eleitos o destaque vai para o português António Cristovão do CIFOTE.Já entre os vogais temos que realçar a eleição do português João Paulo Branco, diretor do CFTL e coordenador da BASE-FUT.Entrevista de Bartho Pronk em www.eza.org

NATAL PARA TODOS!

BOAS FESTAS A TODOS!Que o NATAL e o Novo Ano sejam tempos novos de vida cidadã e de transformação da sociedade.Nestes tempos opacos e de sofrimento para muita gente é necessário um sopro de esperança e de confiança em dias melhores. A BASE deseja a todos os militantes e amigos um Natal Feliz e um ano de 2015 cheio de força e ânimo para enfrentar os desafios que se aproximam. A promessa de fraternidade para todos existe desde sempre na humanidade, reforçada pelo acontecimento natalício.Uma promessa que urge concretizar na luta diária não apenas pela sobrevivencia mas para se criarem sociedades cada vez mais humanas e solidárias!O destino da Humanidade, dos homens e mulheres não é viverem numa eterna e feroz competição, por vezes sanguinária.Antes nasceram para a cooperação, para a harmonia na justiça e fraternidade.Assim será necessário mudar o nosso relógio, as nossas mentes, o sistema que alimenta e vive da desigualdade, da competição a todo o custo , da acumulação da riqueza nas maõs de poucos!

APRENDER SINDICALISMO!

Saber quais são os nossos direitos e deveres laborais e, se for o caso, representar os nossos colegas na defesa desses mesmos direitos são atos de cidadania e de enriquecimento pessoal e profissional numa sociedade democrática e moderna. Ser dirigente ou delegado sindical exige, não apenas generosidade e alguma disponibilidade pessoal, mas também formação adequada para que se possa ser eficaz na defesa dos sócios e dos trabalhadores em geral, promovendo em simultâneo os valores do sindicalismo como a solidariedade, a participação e a democracia.
Para responder a este desafio a Base- FUT promove, em Lisboa, e em 2015, uma ação de formação laboral/sindical que se pretende inovadora, desdobrada em 4 sessões + 1 conferência a decorrerem aos sábados de tarde.
Inscrições: basefut@mail.telepac.pt telm 933 241 539

LEMBRAR CHICO MENDES!

Em 1953, Chico Mendes entrou para a profissão de seringueiro: era sua única opção, já que lhe foi negada a oportunidade de estudar. Até 1970, os donos dos seringais não permitiam a existência de escolas. Chico Mendes só aprendeu a ler aos 20 anos de idade. Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e moradores da Amazónia, tornou-se líder do movimento de resistência pacífica. Defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros, organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, as suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros. Em 1975, fundou o movimento sindical no Acre. Participando ativamente nas lutas dos seringueiros, criou o Conselho Nacional de Seringueiros, uma organização não-governamental para a defesa das condições de vida e de trabalho das comunidades que dependem da floresta. Chico Mendes também lutou pela posse da terra contra os grandes latifundiários, algo impossível de se pensar na região amazónica e naquela época. Dessa forma, entrou em conflito com os donos das madeireiras, dos seringais e das fazendas de gado. Em 1977, participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e foi eleito vereador para a Câmara Municipal local, pelo MDB, único partido de oposição permitido pela ditadura militar que governou o país (desde 1964 a 1985). Os fazendeiros nunca lhe perdoaram o seu ativismo pelos povos da floresta. Mataram-no á porta de sua casa. Os assassinos seriam mais tarde julgados e condenados a 19 anos de cadeia!