EM CASO DE PERIGO PODES ABANDONAR O LOCAL DE TRABALHO?

Podes e deves! Entre as obrigações dos trabalhadores no domínio da promoção da segurança e saúde no trabalho consta uma que diz que em caso de perigo grave e iminente o trabalhador deve adotar as medidas e instruções previamente estabelecidas (se existirem!) para tal situação, sem prejuízo do dever de contactar, logo que possível, com o superior hierárquico ou com os trabalhadores que desempenham funções específicas nos domínios da segurança e saúde no local de trabalho. Isto é o que diz o artigo 17º do Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho (1).
De seguida, e no mesmo artigo diz textualmente o seguinte: «o trabalhador não pode ser prejudicado em virtude de se ter afastado do seu posto de trabalho ou de uma área perigosa em caso de perigo grave e iminente nem por ter adotado medidas para a sua própria segurança ou para a segurança de outrem».
As organizações de trabalhadores podem também convocar a Inspeção do trabalho (ACT) no caso de se verificarem situações de perigo nos locais de trabalho! No caso de serviços públicos devem informar de imediato as inspeções dos respetivos ministérios.

Seguindo, aliás, diretivas europeias a legislação nacional é clara quanto á responsabilização do patrão quanto ao assegurar ao trabalhador condições de segurança e saúde em todos os aspetos do seu trabalho. INFORMAÇÃO LABORAL.

(1)Lei nº 3/2014 de 28 de janeiro.Procede à segunda alteração à Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, que aprova o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, e à segunda alteração ao Decreto -Lei n.º 116/97, de 12 de maio, que transpõe para a ordem jurídica interna a Diretiva n.º 93/103/CE, do Conselho, de 23 de novembro, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde no trabalho a bordo dos navios de pesca.

TRABALHO COMO REALIZAÇÃO HUMANA: seminário internacional!

A Liga Operária Católica/Movimento dos Trabalhadores Cristãos organiza de 4 a 7 de junho em Alfragide, Lisboa, um seminário internacional sobre o tema «O trabalho como realização humana e desenvolvimento social e sustentável».

A iniciativa, que tem o apoio do EZA e da Comissão Europeia, destina-se a aprofundar a situação dos trabalhadores e o contributo dos mesmos para um desenvolvimento social justo e sustentável e abordará diversos temas com destaque para a contratação coletiva e o diálogo social. A BASE-FUT participa como Organização convidada!

SITUAÇÃO ATUAL E O SINDICALISMO!

Perante a grave crise económica e social que preocupa e afeta o futuro dos trabalhadores e o atual Sindicalismo, podemos estar perante uma transição social e económica ainda de contornos não conhecidos mas desafiantes que deixam expectativas de que algo de novo se iniciou.
Mais uma vez, estamos perante uma grave ofensiva ideológica e política que trás consigo novos comportamentos e ensaia mudanças, sobretudo apoiada numa confusão da linguagem onde verdadeiramente nada muda mas que altera as relações sociais em desfavor do trabalho/emprego.

Já conseguiram impor sub - repticiamente à esquerda e à direita, uma retórica que está a levar à implementação cognitiva do mercado do trabalho e não como deve ser o do direito de todos ao trabalho. Por esse motivo querem que se sigam novas regras do direito no sentido de outras baseadas na lei da oferta e da procura. Com este novo procedimento serão os capitalistas, os únicos, a beneficiar, pois entre outras consequências fazem-se já sentir na redução dos salários, na retirada de muitos direitos já consagrados contratualizados, acordos laborais e nas leis constitucionais que ficam por cumprir.

Desemprego estrutural e redução de direitos

O desemprego é estrutural e é usado para manter um clima de medo que empurra para baixos salários e para trabalho extra com horários muito longos, e, em muitos casos, com pagamento reduzido ou sem qualquer pagamento.
Este fator ligado ao medo e à perda de direitos estão a perturbar a socialização e a trazer a instabilidade pela exclusão social que gera, é uma causa e uma justificação pela pobreza e pelo crescente desemprego. As consequências estão também nas políticas de austeridade que têm contribuído para o aumento das injustiças, sendo hoje Portugal a presidir à liderança Europeia em desigualdades e com um forte crescimento nas assimetrias sem solução à vista nem com um eficiente combate á pobreza.
Entre essas nefastas causas destacam-se: As privatizações, as desregulamentações e alterações efetuadas nas principais leis laborais sendo sempre no sentido de adaptá-las ao modelo neoliberal. A redução dos direitos sociais e laborais, a que chamam de adquiridos, por isso podendo ser retirados ou diminuídos.
Deslocalizações de empresas
 As deslocalizações de empresas e de capitais para promoverem e aproveitarem dumpings sociais e fiscais, e dizerem que vão implementar novas e perfeitas condições no país, não passam de uma perfeita falácia porque, na prática, pouco ou nada se vê. Usa-se muitas vezes o argumento da competitividade e produtividade mas não passa por ser uma forte razão para reduzir os empregos em muitas das empresas que, ao deslocalizarem-se, fecharam, e, a partir daí, são importados os produtos antes produzidos. 
As consequências fizeram-se logo sentir e foi por imposição sem negociação com os parceiros sindicais, a criação de uma lei arbitrária que veio reduzir as devidas indemnizações no sentido de facilitar e aumentar os despedimentos.
Os sindicatos procuram defender e proteger todos os trabalhadores quer no valor dos seus salários, mas também em toda a dignidade dos seus direitos perante este grave quadro de crise.
 Apesar de haver uma constante luta, que para muitos é desgastante, geram-se debilidades naturais face ao ataque de que são vítimas, levando alguns a afirmarem que os sindicatos estão ultrapassados e que são desnecessários. No entanto, querem que os mesmos ajudem á implementação de reformas antissociais.
Este processo em marcha é a causa principal da redução da coesão social e da crise do sindicalismo e exige respostas concretas, como seja, o de reinventar a sua ação na construção da democracia participativa, económica e social, com justiça e com direitos, sobretudo em garantir os que já estão consagrados.

Sindicalismo tem que responder a esta ofensiva

Perante isto, um sindicalismo atuante tem de responder ao grande desafio. Vai haver um período de transição para algo de novo. Está na hora, é preciso fazer mais e lutar por uma sociedade com outro futuro mais justa e participada.
Aos sindicatos cabe fomentar a ação organizada que passa pela unidade de todos, pela participação e aprofundamento na procura do consensual e da ação concreta entre si, alargando sempre que possível a causa que não dispensa o envolvimento da chamada sociedade civil, criando sinergias e potenciando as suas ações convergentes e comuns.
A relação dos sindicatos com os partidos políticos e outras organizações da sociedade, sendo em períodos concretos historicamente convergentes, precisa de ser dinamizada e repensada, sem deixar de ser reforçada na sua autonomia e independência, mas sempre no sentido de convergir quando a natureza transversal da luta social assim o exigir. 
É preciso que os trabalhadores do setor público e privado, integrando os precários e não precários, mantenham a exigência de uma viragem nas políticas nacionais e europeias, por melhores salários mais justos e sem cortes, e que todos os efeitos sejam respeitados em todos os direitos já adquiridos, salvo aqueles que sejam modificados em consequência da renegociação coletiva, discutida e aprovada pelos próprios trabalhadores em plenários ou assembleias gerais dentro dos sindicatos e nos locais de trabalho.

João Lourenço, sindicalista





BASE-FUT DEBATE SITUAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA!

A Comissão Executiva Nacional da BASE-FUT reúne no próximo sábado, dia 30 de maio, na sede nacional, em Lisboa para debater situação social e política, bem como a situação da Organização, tendo em conta a preparação do próximo Congresso a realizar em 2016.
Como preocupações centrais para o debate está um novo ataque à segurança social, que a maioria de direita está a preparar, e, com apoio nos media, aos sindicatos, explorando as greves nos transportes públicos contra a privatização dos mesmos!


NOVA SECRETÁRIA GERAL DO EZA!

No início deste mês de maio tomou posse a nova Secretária Geral do EZA (Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores) Sigrid Schraml, uma alemã com larga experiência nas questões europeias e  interculturais, nomeadamente nas relações cristãs muçulmanas.
Escolhida pelo EZA na reunião do seu conselho de administração de 29 de novembro de 2014 ,em Budapeste, Sigrid é uma mulher ainda muito jovem e com vontade de dar à rede europeia EZA de formação de trabalhadores muito do seu saber, contatos e experiência das instituições comunitárias.

O Centro de Formação e Tempos Livres (CFTL) é uma das organizações portuguesas filiadas no EZA estando presentemente representado no seu Conselho de Administração.

LIBERDADE DE INFORMAÇÃO? ONDE?

«A pergunta é antiga, mas parece ganhar cada vez mais pertinência: "Quais os maiores constrangimentos à liberdade de imprensa que os jornalistas portugueses enfrentam hoje?". A questão foi endereçada por Felisbela Lopes, professora da Universidade do Minho, a cem jornalistas de vários meios de Comunicação Social, e dos testemunhos resultou um livro-resposta: "Jornalista, profissão ameaçada".  
 
A obra chega amanhã ao mercado e pretende ser um contributo para relançar uma discussão de que todos - jornalistas, políticos, sindicatos, sociedade civil - parecem ter-se demitido, afirma ao JN a docente cuja área de investigação é a informação televisiva e o jornalismo de saúde. "Quarenta e um anos depois do 25 de Abril de 1974, os jornalistas não se sentem livres. Isto não é grave?", questiona. "Se o livro servir para colocar esta reflexão na ordem do dia, já cumpriu a sua missão."  
 
A reflexão, a ser encetada, seria sobre o denominador comum dos relatos assinados pelos profissionais. "Todos apontam para constrangimentos de ordem económica a partir da concentração dos grupos de media. Todos são desafiados a fazer mais com menos e em menos tempo", sintetiza.  
 
Por outro lado, a profissionalização das fontes, "cada vez mais organizadas, transformam as pressões em subtilezas" com as quais os profissionais revelam também ter dificuldade em lidar. Um número mais reduzido aponta também a tecnologia como fator de pressão. "Sentem o escrutínio das redes sociais, mesmo sabendo que poderão não ser representativos."  
 
A solução para a liberdade, avança a autora do ensaio que se debruça sobre quatro áreas - justiça, política, futebol, religião - tem de "ser pensada a partir no topo, ou seja, das administrações, e não dos repórteres". "O jornalismo livre e independente, que aliás os leitores sabem identificar, não constitui um perigo para a democracia. Pelo contrário. É um antídoto dos abusos de poder".» ( JN de 26 de maio de 2015)
 




HOMENAGEM A ÓSCAR ROMERO!

1 - Segunda-feira, 25 de Maio, no Convento de São Domingos de Benfica, de Lisboa (junto à estação de metro do Alto dos Moinhos) decorre uma sessão sobre a figura de Óscar Romero, o arcebispo assassinado há 35 anos em El Salvador por esquadrões militares, e que ontem foi beatificado, após muitos bloqueios, mesmo no interior do Vaticano  
A sessão decorre a partir das 21h00 e conta com a intervenção do dominicano fr. Rui Grácio, que esteve longos anos na América Latina, bem como da irmã Mariana Vilar (Escravas do Sagrado Coração de Jesus), que também trabalhou naquela zona do mundo durante algum tempo; eu farei a apresentação de uma biografia de Oscar Romero, que na última semana foi publicada pela editora jesuíta AO. 

2 - Sexta, dia 29, de novo no Convento dos Dominicanos, será apresentado um novo volume da antologia de crónicas de frei Bento Domingues no "Público", que a irmã Julieta Mendes Dias e eu temos vindo a organizar, numa edição do Círculo de Leitores/Temas e Debates; a apresentação será feita por Daniel Oliveira e decorre a partir das 18h30.( António Marujo, Jornalista)