BASE-FUT REÚNE DIREÇÃO NACIONAL!

No dia 27 de maio  reúne a Comissão Executiva Nacional da BASE-FUT na sede nacional em Lisboa.Na
agenda está prevista a análise social e política tendo em conta os últimos acontecimentos nacionais e internacionais.A avaliação das mais recentes lutas sociais e das atividades da própria Organização são outros pontos relevantes para o debate.
A Comissão Executiva Nacional da BASE-FUT congratula-se pelo facto da Região Norte ter uma nova sede na cidade do Porto mantendo assim a tradição de um espaço próprio para realizar a sua atividade militante!

RENDIMENTO BÁSICO UNIVERSAL?



 
 Por João Lourenço*

As utopias são pensamentos que quando têm condições podem vir a ser realizadas, mas até lá existe um percurso de estudos e aprofundamentos com vista a procurar as possibilidades concretas para a sua implementação. Haverá naturalmente adaptações e aperfeiçoamentos em resposta ás dificuldades e ás circunstâncias do momento. O Rendimento Básico Incondicional (RBI) é um pensamento nascido á cerca de 500 anos, da utopia de Thomas More.
 Falar num rendimento garantido como um direito inscrito nos direitos humanos de subsistência e direito á vida condigna e à sua realização social e familiar tal como à da cidadania onde se nasceu é tão importante como o direito à saúde, ao ensino e ao conhecimento, ao lazer, ao trabalho, à habitação e ao pão. Conclusão, quem nasce num país este deve-lhe estes e outros direitos tal como o próprio lhe deve a existência e a segurança. Com obrigações e direitos mútuos. 

Tema de debate entre as correntes da esquerda
A ideia em causa é a de um rendimento básico incondicional que lhe deu nome que também pode ser ou universal, subsidio etc. O nome não é o mais interessante o que interessa será ir ao encontro do que já foi experimentado na Inglaterra através de um abono económico atribuído às pessoas, pelo que julgamos saber, esta foi posteriormente abandonada com a 1º. Guerra Mundial e quando esta terminou não se voltou a implementar. Cremos que o motivo esteve então com a criação e abundância de trabalho na reconstrução do país saído da guerra que também trouxe uma vaga de desenvolvimento com muitos empregos respondendo ás necessidades da então crescente industrialização e de serviços.
O RBI tem aberto várias expectativas e contradições entre as diversas forças de esquerda e direita. 0s partidos, nomeadamente alguns Verdes que mostram mais sensibilidade para esta causa e que a defendem na Inglaterra como noutros países onde estão as decorrer experiências concretas. Há ainda vários grupos que estão a defender esta causa para se ter um rendimento que dê segurança económica face á crescente fragilidade do chamado “mercado trabalho” e às suas atuais regras trazidas pela globalização e pelas novas tecnologias, automatismos, informatização, inteligência artificial, os robots e formas das explorações de gestão capitalista.

O RBI pretende ser uma proteção mínima
O RBI irá oferecer uma forma de proteção mínima através de um “abono” que não é o que alguns dizem ao apresentar já uma visão acabada cheia de defeitos quando ainda está em apresentação e discussão. Não tem que ser um estado menor nem será a perda dos atuais direitos já consagrados nas constituições nacionais nem vai fragilizar os sindicatos que continuarão a representar os trabalhadores na negociação da contratação coletiva.
Parte-se do principio de que é hoje possível dar a cada pessoa um rendimento não obrigatório de ser aceite, porque é individual.É um direito básico de cidadania de tipo novo, que é complementar a outros que tenha, é alargado e abrange os cidadãos homens, mulheres e crianças acabando com a exclusão e a extrema pobreza onde a houver, porque assegurará a sua sobrevivência com dignidade sem ser através da caridade e da esmola e do vexame.  
Está no RBI um dos méritos da sua inclusão, ele é pacífico e é democrático, está no seu objetivo conquistar o equilíbrio do poder entre as partes do trabalho e das empresas, o de mudar os comportamentos e os constrangimentos de carácter persecutórios que existem ainda dentro de muitas empresas causas que levam ao desespero e ao sofrimento como são os efeitos do assédio moral. Agora altera a situação do trabalhador que poderá pela primeira vez ter ao seu alcance um suficiente poder de individualmente dizer nesta condição não trabalho arriscando mesmo ser despedido mas sabe que tem possibilidade de olhar de frente sem medo de passar fome e pôr a sua família em causa.
Porquê apostar na criação do RBI? Porque hoje já temos a possibilidade única de, pela primeira vez desde que se vive em capitalismo e mesmo desde o início da sociedade organizada,  de ser possível sem ser através de expedientes de reduzir o tempo de trabalho efectivo. A robótica e as novas tecnologias e a era da inteligência artificial podem libertar mais o ser humano do trabalho. E será um grande apoio á atividade de cariz de voluntariado  ocupacional.
O RBI não contribuirá, como dizem, para o baixar dos salários, antes pelo contrário porque dá força aos trabalhadores para lutarem por melhores condições e para exigirem a redução dos horários de trabalho. Irá proporcionar menores horários no trabalho, que permitirá outra liberdade e qualidade de vida nomeadamente uma melhor distribuição horária com efeitos benéficos nos transportes para os empregos com horários desfasados. Vai acabar com os bancos de horas e dar mais oportunidades a outros terem emprego, sem pôr em causa a competitividade daqueles que são mais fracos ou seja empregos e empresas com um natural menor valor acrescentado. 

O RBI não promove o fim do trabalho
O RBI não pretende promover o fim do trabalho, mas antes encorajar este de forma racional e para o máximo de pessoas terem acesso ao mesmo, e oferece compromisso de trabalho-vida num mundo muito incerto e excluente de direitos e de trabalho mal pago e precário
Como será o financiamento do RBI. Há uma suposta impossibilidade porque ainda não se estudou com a devida profundidade os meios ao dispor da sociedade. São várias as hipóteses mas está principalmente na distribuição da riqueza criada, nos rendimentos dos automatismos transferências de novas atividades e cobrança no consumismo, assenta nas novas tecnologias que substituem o trabalho humano e dão imensos lucros. Não é verdadeiro quando afirmam que custaria muito porque não falam no retorno que trará um forte aumento do rendimento médio entre os mais pobres incluindo as crianças. Há vários outros meios que não abordamos neste texto.


*Sindicalista e trabalhou nos estaleiros navais da Lisnave
Membro da Comissão para os Assuntos do Trabalho da BASE-FUT



TRABALHO POR TURNOS COM NOVA LEI?



Por Jorge Santana*

O projecto de lei do Bloco de Esquerda (Nº 496 de 11 de Abril de 2017), sobre o alargamento de protecção social aos trabalhadores em regime de turnos está em sintonia com o que foi apresentado pelo Partido Comunista (Nº 508 de 21 de Abril de 2017). Também este com muitas propostas muito parecidas com o do Bloco. É sempre bom que haja alguém que olhe por estas coisas do mudo do trabalho, parece-me que os políticos são muito pouco sensíveis em relação a este aspecto da organização do trabalho. E seria uma questão de inteira justiça e reconhecimento de quanto é penoso trabalhar neste regime de laboração continua.
Não é a primeira vez que estes partidos apresentam estas propostas. Já no passado o Bloco apresentou em 2006, um projecto de lei similar a este. Não tão fundamentado quanto este mas a focar as razões mais que justas e correctas para tal alteração. Contudo está bem apresentado e com fundamentação apoiada em estudos científicos para que não haja dúvidas sobre os malefícios que os turnos provocam nos trabalhadores.
Estou à vontade para falar sobre este assunto pois foi sobre este objecto de estudo que apresentei o meu trabalho final da minha licenciatura em sociologia. Incidiu mais no aspecto social e familiar dos trabalhadores enquanto o trabalho de Isabel Soares da Silva, da Universidade do Minho incidiu sobre as perturbações que os turnos provocam em três áreas. Primeira área é sobre a saúde, inclui todos os problemas fisiológicos provocados pelos turnos. Estes podem ser o sono ou a falta dele, risco acrescido de perturbações no sistema cardiovascular. Risco acrescido de doenças no sistema gastrointestinal, entre outros. A segunda área é sobre a vida familiar e social, tal como o meu trabalho académico as conclusões foram idênticas. Posso realçar algumas como conflito nos papéis parentais, conflitos nos papéis conjugais daí resultando uma taxa muito superior de divórcios em relação a outros trabalhadores com horário normal. E por ultimo no contexto organizacional, onde o desempenho tende a ser menor, especialmente em tarefas que exigem trabalho físico, com risco acrescido de erros ou acidentes.

Se o projecto de lei não passou em 2006, com o PS de Sócrates no governo. Hoje com o governo da geringonça, PS com o apoio do Bloco e PC poderá passar. Vamos ver o que irá acontecer quando estes projectos de lei forem a votos na assembleia da república.

*Sindicalista
e membro da Comissão para os Assuntos do Trabalho da BASE-FUT

VAL0RIZAR O SINDICALISM0 É VAL0RIZAR O TRABALH0!

A atual sociedade de hiper consumo, competitiva e depressiva, onde o mercado comanda a vida, o trabalho da maioria das pessoas é altamente desvalorizado!Os detentores do capital há muito que definiram uma estratégia de desvalorização do trabalho para manter os salários baixos, conter as reivindicações dos trabalhadores e acumular a riqueza e o poder numa minoria.
Nesta estratégia de desvalorização do trabalho, o ataque às organizações de trabalhadores é uma pedra angular, ou seja, um elemento chave da mesma.Assim a desvalorização sindical e o enfraquecimento dos sindicatos é componente essencial da desvalorização do trabalho e do aumento da exploração dos trabalhadores!
0ra esta constatação deve fazer pensar quem quer valorizar o trabalho, quem luta pelo trabalho digno!Há gente militante e até organizações sociais e políticas que podem contribuir para a desvalorização do trabalho desvalorizando os sindicatos ou sendo tão críticos dos mesmos!Uns, porque muito radicais nas suas opções, consideram que os sindicatos fazem parte do sistema de exploração, são reformistas e são uma ilusão para os trabalhadores, outros consideram que os sindicatos são dominados pelos partidos, ou pelos partidos que não o deles,e portanto também os desvalorizam!0utros ainda consideram que não precisam do sindicato para nada pois safam-se muito bem sozinhos!
Podemos assim verificar que a desvalorização sindical não é apenas uma atitude dos conservadores e individualistas.Há bastante gente de esquerda que entra nesta armadilha de dispensar os sindicatos!

0ra, a crítica às organizações de trabalhadores, nomeadamente às suas práticas não democráticas e sectárias ou ás suas reivindicações e estratégias é saudável mesmo quando injustas!Mas criticar é responsabilizar,ou seja, a minha crítica apenas tem sentido completo quando eu procuro soluções, faço um combate no terreno para que as coisas melhorem! 0 facto de que a orientação sindical não seja a que mais me agrada segundo as minhas convicções não me coloca numa posição de desvalorização permanente ou de alheamento.
Há que afirmar, criticamente, o valor intrinseco e fundamental das organizações dos trabalhadores como instrumento essencial para a distribuição da riqueza, promoção e emancipação dos mesmos!Sem organizações de trabalhadores fortes não existe uma verdadeira democracia!
Até ao momento não foram criadas melhores organizações dos trabalhadores!Os sindicatos são a maior organização social do mundo apesar das suas grandes limitações!Sem elas o mundo seria muito mais injusto e penoso para quem trabalha!São muitos os estudos, nomeadamente da OIT a demonstrar esta realidade!
Informação laboral

PASSEIO CULTURAL!



Companheiro/a 

Com os dias lindos de Maio, assim o esperamos, vimos propor-te um PASSEIO A MONTEMOR-O-NOVO.
 É bom passear – conhecer pessoas e locais novos – conviver! A nossa proposta é a seguinte:

 09:00 Partida de Sete Rios (em frente ao Jardim Zoológico)

10:30 Chegada a Montemor-o-Novo Café/mercado/contacto com a Rede da Cidadania de Montemor Almoço Livre 

14:30 Visita guiada ao Castelo e ao Centro interpretativo do Castelo

 16:00 Encontro com a Cooperativa MINGA Visita à Loja/conversa com dirigentes da Cooperativa/troca de experiências

 18:00 Partida de Montemor 

19:30 Chegada a Lisboa Que te parece? 

A DATA PROPOSTA É SÁBADO, DIA 20 DE MAIO. O PREÇO É – 15 EUROS/PESSOA Este valor inclui a viagem no autocarro e a visita guiada ao Castelo. Pedimos-te que te inscrevas até ao dia 5 de Maio. Poderás fazê-lo pelo telefone 218 120 720, tem gravador. Esperando ir ao encontro dos teus interesses, abraça-te com amizade Maria Manuela Varela Coordenadora Regional de Lisboa e Vale do Tejo da BASE-FUT.

AFINAL O QUE É A BASE-FUT?

Com frequência as pessoas perguntam:afinal o que é a BASE-FUT?Não é um partido político nem um sindicato dizemos.Também não é uma organização não governamental típica!
Claro que é uma associação política muito especial cujo coração é o trabalho digno e a promoção e emancipação dos trabalhadores!Uma plataforma de animadores sociais, de gente ligada à atividade sindical, social e cultural!Sim!Mas qual a sua filosofia e ideias fundamentais?Quais os valores que defende e utopias que procura?
Um valor fundamental é, de facto, a luta pelo trabalho digno, ou seja, um trabalho com direitos e deveres com destaque para o direito a uma remuneração justa, tempo de descanso e vida social e familiar,bem como direito à livre organização e ação sindical.Direito à dignidade e participação social , económica e política!
Um objetivo importante é a promoção de uma economia ao serviço das pessoas,sustentável sob ponto de vista social e ambiental, de supremacia do trabalho sobre o capital!
Uma terceira dimensão é o valor da participação/autogestão.Há que superar um sistema económico que transformou o trabalhador numa mercadoria, num mero custo, factor de produção, uma «coisa»!0s trabalhadores como produtores cidadãos podem ser atores dos seus destinos através da autogestão económica, sindical e cultural.
São estes alguns dos valores fundamentais que unem os militantes da Base-FUT.Estes valores exigem debate livre, organização coletiva, responsabilidade e empenhamento de cada um!A BASE-FUT não tem uma cartilha ideológica,tem antes um património comum de ideias produzidas através da ação militante e da história dos trabalhadores!
Informação laboral

TRABALHO DIGNO E CRESCIMENTO!



"A BASE-FUT foi convidada pela ANIMAR para participar num grupo de trabalho dedicado ao tema "Trabalho Digno e Crescimento". Este grupo de trabalho é parte do projeto "Roteiro para a Cidadania em Portugal", coordenado pela ANIMAR e patrocinado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade. Dado que a promoção trabalho digno é um elemento crucial da missão da BASE-FUT, decidimos aceitar este desafio.

A primeira reunião deste grupo de trabalho decorreu no passado dia 22 de Abril, em Lisboa. Para além da BASE-FUT - representada por Pedro Estêvão, membro da Comissão Executiva e da Comissão para os Assuntos do Trabalho da BASE-FUT - estiveram presentes representantes da UGT e de várias organizações de solidariedade e de economia social. Foi acordada um agenda de trabalho, devendo o grupo de trabalho produzir um documento com recomendações a ser entregue à Secretária de Estado até ao final de Junho de 2017.