OS CATÓLICOS, O SINDICALISMO E O PAPA!

Um texto síntese sobre o sindicalismo e os católicos em Portugal da autoria de Fernando Abreu, fundador da BASE-FUT,incorpora o livro PORTUGAL CATÓLICO-a beleza da diversidade- que será apresentado no próximo dia 21 de novembro,18 horas, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.
A obra que foi preparada para assinalar a visita do Papa Francisco a Portugal é da responsabilidade do Círculo de Leitores, sendo coordenada por José Eduardo Franco e José Carlos Seabra Pereira.
A apresentação do livro está a cargo do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, e de Dom Manuel Clemente Cardeal Patriarca de Lisboa.A determinada altura do texto poderemos ler:
 Para a história ficará o registo de que militantes católicos se organizaram clandestinamente (inédito em Portugal) para participarem com os seus irmãos de trabalho, de diferentes credos e opções políticas, na luta pelo reconhecimento da dignidade do trabalho e dos trabalhadores, mas será importante destacar que defenderam a sua autonomia e dignificaram os princípios cristãos em que se formaram, não ambicionando a sua glorificação nem a dos movimentos a que pertencem ou pertenceram, nem sucumbiram à tentação de benesses ou engrandecimentos pessoais.»

NOVO ROMANCE DE CESÁRIO BORGA!

Ontem, dia 7 de novembro, teve lugar na FNAC do Chiado, em Lisboa,
o lançamento do livro do Cesário Borga «O último beijo da Mamba Verde» editado pela Planeta.Na sessão o livro foi comentado pelo responsável da editora e pelo jornalista da RTP Joaquim Furtado que incluiu a obra de Cesário Borga na ficção sobre uma das grandes tragédias do século XX português, a Guerra Colonial!Presentes vários amigos do autor,jornalistas, militantes da BASE-FUT, e alguns capitães de Abril.A obra é uma história de amor num quadro de guerra e de massacres das tropas coloniais e rodesianas em Moçambique!
Cesário Borga foi correspondente da RTP em Madrid, jornalista, sindicalista e um verdadeiro autodidata, conseguindo, já no fim da carreira profissional, formar-se em comunicação social.CADA GUERRA É UMA DESTRUIÇÃO DO ESPÍRITO HUMANO!Esta é a primeira frase do livro.

POLÍTICAS QUE MELHOREM A VIDA DOS TRABALHADORES!




A CAT- Comissão para os Assuntos do trabalho da BASE-FUT reuniu em Coimbra no passado dia 14 de Outubro. Do debate havido deixamos aqui algumas das principais preocupações para que possam ser conhecidas de outros militantes e activistas do mundo do trabalho.No documento final podemos ler a dado momento:«Neste quadro é importante que o governo prossiga com as políticas que melhorem a vida dos trabalhadores e reformados, nomeadamente a situação dos trabalhadores da Função Pública, em particular os que não tiveram qualquer valorização salarial nem de carreira nos últimos anos. É fundamental que o governo mostre na prática que as pessoas não são números e que merecem ser reconhecidas e tratadas com dignidade.
Com efeito, no sector público, social e privado a precariedade e os horários extensos de algumas categorias fazem estragos assinaláveis na vida e saúde dos trabalhadores. Daí a importância da luta dos trabalhadores da Autoeuropa por horários de trabalho que protejam a saúde e a conciliação da vida profissional com a vida social e familiar. Existem indícios, em alguns casos confirmados por estudos, de que a fadiga e bornout estão a crescer em algumas profissões como nas Forças de Segurança, Saúde, Educação, Call Centers e serviços afins, Restauração e Transportes, entre outros. É fundamental que os órgãos do Estado de regularização e inspecção, nomeadamente de inspecção do trabalho, funcionem adequadamente para impedirem que a legislação do trabalho seja subvertida ou ignorada impunemente como acontece em algumas empresas privadas como no mediático caso da Altice/PT. Em alguns aspectos a legislação laboral deve ser melhorada para protecção e segurança dos trabalhadores.Ver documento na íntegra

BASE- FUT COMEMORA 43º ANIVERSÁRIO!

No dia 11 de novembro a BASE-FUT comemora em Coimbra, no CFTL,o 43º aniversário da sua fundação.Do programa do dia salienta-se, após almoço com bolo de aniversário, o debate sobre o tema «HOJE-o que pode e deve ser uma Associação de animadores sociais-a BASE-FUT».Animarão o debate  Pierre Marie,investigador social e militante da BASE-FUT e  Bia Carneiro, socióloga , de relações de trabalho,desigualdades sociais e sindicalismo, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra,
Na parte da manhã  teremos uma narrativa sobre a História da Base-FUT elaborada com vários testemunhos de militantes que vão estar presentes nas comemorações.O dia acabará com um magusto para festejar o S. Martinho!
Cada região organiza os respetivos transportes.Lisboa terá um autocarro para transportar os participantes com partida às 8 e regresso às 21 horas do dia 11 de novembro.

DOIS CAMINHOS PARA A UNIÃO EUROPEIA!




O Centro de Formação e Tempos Livres e a Base-Frente Unitária de Trabalhadores organizaram de 19 a 21 de Outubro de 2017, na Costa da Caparica, um seminário internacional sobre o tema “Por uma Europa Social e dos Cidadãos”. A organização do seminário teve o apoio do EZA – Centro Europeu para os Assuntos do Trabalhadores e da Comissão Europeia. O evento juntou mais de 60 participantes, de organizações de mais de uma dezena de países da União Europeia[1]. Importa notar a elevada participação de todos os presentes e a riqueza das comunicações apresentadas e dos debates que se efectuaram.
Os participantes tiveram também a oportunidade de visitar a Assembleia da República, presenciar o debate parlamentar que decorria. Nesta ocasião, representantes da BASE-FUT, do CFTL e do EZA foram recebidos em audiência pela deputada Wanda Guimarães, Vice-Presidente da Comissão de Trabalho e Segurança Social. Foram apresentados os objetivos do seminário e foi deixado o compromisso de enviar as ideias chave do mesmo.
Em 1994, o primeiro seminário internacional organizado pelo CFTL e a BASE-FUT teve como tema “A Europa Social dos anos 90” num contexto de grandes transformações políticas e económicas no espaço europeu. Passados mais de 20 anos, considerou-se pertinente regressar a este debate numa altura em que a União Europeia se encontra numa situação de novos desafios sociais e institucionais (a ruptura com a austeridade, reformas institucionais, Brexit, acolhimento de refugiados, crescimento de novos nacionalismos).  

Dois caminhos para A União Europeia!

A nova Declaração de Roma de 2017 propõe um reforço dos compromissos sociais europeus, nomeadamente legislação no domínio social que proteja de uma forma mais eficaz os trabalhadores e os desempregados. A encruzilhada em que nos encontramos apresenta dois caminhos: o da convergência para os mínimos sociais e o da harmonização no progresso. No primeiro caso, continuamos na via do retrocesso com a degradação das condições de trabalho, dos direitos conquistados, e da fragilização do diálogo social e da própria    
democracia.  
 Neste caso, poderá vir a ser a desagregação do projeto europeu com a exacerbação do dumping social e uma procura da competitividade à custa da coesão social.
O outro caminho, o da solidariedade e da união, necessita de repensar a arquitetura das instituições europeias de forma a aproximar a Europa dos cidadãos, submeter a economia ao bem comum e colocar a pessoa humana no centro das políticas. Os objectivos e indicadores sociais devem ter a mesma dignidade institucional que é hoje dada aos objetivos e indicadores económicos e financeiros. Trata-se de um regresso aos fundamentos e valores do projeto europeu: uma união baseada na solidariedade e na perspectiva de progresso social para todos. Neste caso, as políticas de coesão – emprego digno, proteção social, justiça social, combate a precariedade e desigualdades sociais – podem elas próprias serem fatores de competitividade. 

Qual o Sentido das reformas laborais?

O tema do Trabalho foi transversal aos diferentes painéis. Esta questão vai para além do emprego e a discussão deve abranger todas as suas vertentes, nomeadamente o desemprego, a precariedade, os desequilíbrios nas relações entre trabalho e capital, o valor e o sentido do trabalho na sociedade. As mudanças introduzidas com a generalização das novas tecnologias – uberização, robotização, diluição das fronteiras entre vida profissional e pessoal e familiar – fragilizaram o estatuto dos trabalhadores. A generalização de vínculos precários e a quase inexistência de uma carreira profissional para as novas gerações colocam em questão a identidade, a motivação e as perspectivas para a futuro do trabalhador. 
As reformas laborais devem permitir uma melhor igualdade de género com direito a uma conciliação da vida familiar com o trabalho. A diminuição do horário de trabalho e o direito à desconexão devem permitir uma reapropriação da gestão do tempo por parte do trabalhador.
Importa ainda definir as responsabilidades que cabem aos Estados nesta nova arquitectura da Europa social. A preservação do Estado-Providência, mais necessário do que nunca, coloca questões aos modelos de proteção social, de saúde e de educação. É imprescindível o  reforço de políticas europeias de regulação da atividade económica e a construção de uma via de harmonização fiscal que permita uma melhor redistribuição da riqueza e um investimento nos serviços públicos. Por sua vez, as empresas também devem ter responsabilidade social perante o Estado e os trabalhadores. 

Imigrantes representam uma oportunidade e não uma ameaça!
 
O tema das migrações foi destacado ao longo do seminário e coloca desafios novos para a União Europeia. Estas migrações devem ser vistas de maneira abragente tendo em conta a imigração de populações vindas de fora do espaço europeu, assim como também as migrações internas entre países do centro e da periferia na União Europeia. Importa desmistificar algumas ideias veiculadas por discursos políticos e pela comunicação social que visam provocar medos, favorecendo o desenvolvimento de movimentos xenófobos.
As migrações representam oportunidades para a União Europeia no âmbito da crise demográfica que coloca em causa a sustentabilidade da economia e dos sistemas de proteção social. Acresce-se ainda os contributos que os migrantes podem trazer ao nível da diversidade cultural. Importa então desenvolver mecanismos de integração e de não discriminação, de extensão do direito do trabalho e da cidadania. A luta contra a exploração dos migrantes e o combate as redes de tráfico humano devem ser uma prioridade. A questão do acolhimento de refugiados coloca-se num outro plano, o do humanismo. 

Desafios para as organizações de trabalhadores


Perante estes desafios, as organizações de trabalhadores têm um papel importante a desempenhar para construir novas respostas para abrir um novo capítulo da construção da Europa Social. Os sindicatos, as associações e outros órgãos democráticos devem ter um papel importante na vida dos trabalhadores, permitindo a sua participação e desenvolvimento cultural e pessoal. Estas organizações devem ser uma ferramenta para  educar para a democracia, para uma cidadania europeia activa. A mobilização dos trabalhadores é a única via para evitar a erosão da Europa Social, da degradação da democracia europeia e da subalternização dos sindicatos no Diálogo Social.







[1]   Espanha, Alemanha, Itália, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Lituânia, Luxemburgo, Polónia, Roménia e Portugal. 

REVISÃO DA DIRETIVA SOBRE DESTACAMENTO DE TRABALHADORES



Os 28 ministros do trabalho da UE reunidos no Luxemburgo esta segunda-feira, 23 de outubro, chegaram a acordo sobre a revisão da Diretiva laboral de 1996, relativa ao “trabalho destacado” no interior da União Europeia. A imprensa internacional destaca a “vitória inegável”, “a primeira ao nível da União Europeia”, que o executivo de Emmanuel Macron obteve para a sua linha programática de uma “Europa que protege” o trabalho.
.O texto produzido parece ser, no entanto, muito âmbiguo e insuficiente o que levará ainda a várias leituras até que , num processo demorado, possa vir a ser aprovado como Diretiva.O destacamento de trabalhadores não sendo devidamente regulado permitirá a continuação do dumping social no espaço da UE.A bola vai passar agora para o Parlamento Europeu que deverá ultimar a revisão.Os transportes estão excluídos deste novo acordo.Ver posição da confederação Europeia de Sindicatos