Segundo alguns dados vindos a público cerca de oitenta por cento dos novos contratos de trabalho
são precários em Portugal! Num recente «post» aqui neste blogue o Pedro Estevão, investigador do ISCTE, escreveu num excelente artigo que as relações de trabalho permanentes não existiram sempre mas apenas num período de 40 a 50 anos do século passado. Ou seja, o capitalismo no seu desenvolvimento teve um período que, por razões próprias e de geopolítica (guerra fria)estabeleceu relações de trabalho mais ou menos estáveis em algumas regiões do globo!
A partir da década de oitenta do século XX as relações de trabalho começaram a mudar e a tornarem-se mais flexíveis graças às facilidades das novas tecnologias de informação e robotização, às novas formas de gestão e de produção e ao triunfo do capitalismo global com a queda do muro de Berlim. Alguns autores defendem que a flexibilidade total de vínculos no trabalho, de funções e horários será o ideal deste novo (velho) capitalismo. Neste quadro colocam-se vários problemas para o sindicalismo que cresceu e amadureceu num tempo de relações laborais estáveis! O sindicalismo organiza-se a partir dos locais de trabalho, com eleição de delegados sindicais, num dado quadro legal, com direitos e deveres para os trabalhadores e para as entidades patronais. O delegado sindical está protegido pela lei nomeadamente quanto ao seu despedimento!
Todavia, em locais de trabalho onde a precariedade é dominante a atividade sindical é muito difícil na prática pois a cultura das empresas, nomeadamente dos recursos humanos, é altamente anti sindical. A cultura anti sindical está inclusive a crescer nos serviços públicos portugueses. A relação de forças é mais desfavorável aos trabalhadores!Os trabalhadores precários que exercerem atividade sindical estão, em geral, mais a prazo do que os outros.Isto já acontece de modo particular nos call centers, a nova indústria onde trabalham já centenas de milhares de trabalhadores em situações semelhantes aos antigos proletários! Mas também na hotelaria e restauração, agricultura, nas grandes superfícies na investigação e ciência! Na área do turismo é a selva, em particular nas empresas de autocarros turísticos e tuks tuks! Nem contratos existem! É a «praça da jorna»!
Ora, a precariedade, ao tornar-se a situação normal nas relações laborais, exige que a organização sindical encontre soluções novas para situações novas.O sindicalismo deve ir para além dos locais de trabalho e ser também territorial, com atividades sindicais exteriores de denuncia, informação dos trabalhadores e eleição exterior e clandestina de delegados, se necessário. As uniões sindicais teriam aqui um papel particularmente estratégico!Seria importante que as maiores centrais sindicais , a CGTP e UGT, criassem listas públicas de empresas onde existem práticas anti sindicais, nomeadamente o despedimento de trabalhadores por exercerem ação sindical. Tais empresas não poderiam aceder aos subsídios estatais e fundos comunitários. O consumidor tem que ser agregado á luta sindical. Deve saber que ao querer a baixa constante de preços está a contribuir para a baixa constante dos seus salários também! A aliança dos sindicato com as outras organizações profissionais e plataformas com os mesmos objetivos deve ser consolidada. O sindicato não se deve sentir autossuficiente, deve promover alianças. A proteção do delegado sindical que fosse trabalhador precário deveria ser reforçada, nomeadamente contra o despedimento.
A Comissão para os Assuntos do Trabalho -CAT da BASE da Grande Lisboa definiu como prioridades de trabalho o estudo das consequências da precariedade, a luta contra a mesma e a ação sindical neste quadro. Tal objetivo foi recentemente assumido pela CAT de outras regiões nomeadamente no Porto e Marinha Grande. Vamos assim debater estas questões entre nós e com outras pessoas que estejam na mesma luta.Sabemos que está na forja legislação sobre esta matéria! É urgente reforçar a nossa ação!
António Brandão Guedes
HOMENAGEM A VITÓRIA PINHEIRO! SEMPRE NOS NOSSOS CORAÇÕES!
Os Coordenadores Nacionais da BASE-FUT, LOC/MTC e JOC, respetivamente Antonina Rodrigues , José Paixão e Lisandra Rodrigues assinaram uma convocatória para a realização no sábado , 22 de outubro, em Lisboa, de uma HOMENAGEM à conhecida militante social, falecida no passado verão, Vitória Pinheiro.
A Homenagem está a ser preparada pelas três organizações num ato inédito de cooperação e está aberta á participação de todos os que conheceram e trabalharam com esta mulher extraordinária, bem como a outros amigos que queiram estar presentes.Como a Vitória foi uma militante dos movimentos católicos, chegando a ser Presidente da JOC e da LOC, no centro desta homenagem vai estar a celebração de uma eucaristia presidida pelo Padre Jardim Gonçalves, amigo da homenageada e assessor daqueles movimentos na década de setenta do seculo XX.
A Vitória Pinheiro, depois de estar a trabalhar em Bruxelas nos movimentos internacionais de trabalhadores cristãos, foi durante vários anos dirigente da BASE-FUT continuando a ser uma referencia especial de empenhamento, seriedade e de solidariedade para todos os novos militantes .
Ao nível sindical foi das primeiras mulheres que, ainda na ditadura, animou a organização do sindicatos das telefonistas e correios. Coragem não lhe faltou! A classe considera-a fundadora das sua organização .Bem hajas Vitória e até sempre!
BASE PARTICIPA EM DEBATE INTERNACIONAL SOBRE A FAMÍLIA!
A BASE-F.U.T participou no Seminário internacional organizado pela Liga Operária Católica / Movimento dos Trabalhadores Cristãos de 6 a 9 de outubro em Pombal. O encontro tinha por tema a “Familía e instabilidade social” e permitiu refletir sobre as dificuldades que enfrentam as familias com a falta de condições económicas, o desemprego, a falta de oportunidade de jovens e as migrações. O Seminário juntou várias organizações nacionais – LOC/MTC, Juventude Operária Católica, Movimento de Apostolado de Adolescentes e Crianças, Pastoral Operária, Comissão Nacional Justiça e Paz, FIDESTRA, BASE-F.U.T. – e internacionais – Fundación Humanismo y Democracia e Acion Catolica Obrera de Espanha; Katholische Arbeitnehmer-Bewegung de Alemanha e Movimento dos Trabalhadores Cristãos da Europa.
Este seminário juntou cerca de 50 participantes e teve comunicações de Lisandra Rodrigues (JOC), do Padre Felipe García Mateos (Espanha) e de Manuel Carvalho da Silva (CES). Uma mesa redonda permitiou partilhar informações sobre a situação das familías em Portugal, Espanha e Alemanha, no atual contexto de crise. O seminário foi um espaço importante de intercâmbio e de reflexão sobre as potencialidades e as dificuldades que afetam as familías na Europa. As conclusões do seminário apontam para a centralidade das familías como celúla de base da solidariedade e para a necessidade de políticas públicas para as apoiar.
O seminário teve o apoio da Comissão Europeia e da rede EZA-Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores representado nesta iniciativa por João Paulo Branco, Presidente da BASE-FUT e membro da Administração daquela rede europeia de formação de trabalhadores.
Pierre Marie
SITUAÇÃO LABORAL SOCIAL E SINDICAL! NÃO PODEMOS PARAR!
A CAT- Comissão para os Assuntos do Trabalho da BASE-FUT vai reunir no próximo sábado ,dia
15 de outubro, em Coimbra .Refletir sobre a situação social e sindical do nosso País e da Europa é um dos principais pontos da ordem de trabalhos.
Outro ponto será pensar as principais prioridades de ação para 2017, dado que a mobilização dos trabalhadores contra as políticas de austeridade, pelo emprego estável e os direitos sociais é a grande causa de momento tanto em Portugal como na União Europeia!
Os elementos da CAT informarão sobre as diversas ações em curso, nomeadamente o desenvolvimento da ação sindical nos locais de trabalho e as ações de formação e informação a desenvolver nas regiões, se possível em parceria com outras associações e entidades do mundo do trabalho.
Na CAT participam militantes da BASE-FUT e outros trabalhadores que não estão filiados nesta Organização mas são ativistas na defesa dos direitos dos trabalhadores!
Se pretendes trabalhar nesta Comissão liga para o telm 933 241 539 (António Brandão Guedes) ou nacional@basefut.pt
15 de outubro, em Coimbra .Refletir sobre a situação social e sindical do nosso País e da Europa é um dos principais pontos da ordem de trabalhos.
Outro ponto será pensar as principais prioridades de ação para 2017, dado que a mobilização dos trabalhadores contra as políticas de austeridade, pelo emprego estável e os direitos sociais é a grande causa de momento tanto em Portugal como na União Europeia!
Os elementos da CAT informarão sobre as diversas ações em curso, nomeadamente o desenvolvimento da ação sindical nos locais de trabalho e as ações de formação e informação a desenvolver nas regiões, se possível em parceria com outras associações e entidades do mundo do trabalho.
Na CAT participam militantes da BASE-FUT e outros trabalhadores que não estão filiados nesta Organização mas são ativistas na defesa dos direitos dos trabalhadores!
Se pretendes trabalhar nesta Comissão liga para o telm 933 241 539 (António Brandão Guedes) ou nacional@basefut.pt
APR0FUNDAR PARA AGIR E PREPARAR 0 FUTUR0!
Por João Lourenço
Em Maio 2016 no XVI Congresso da Base-F.U.T. Iniciou-se na
região de Lisboa e Vale do Tejo o aprofundamento do tema «Olhar Para o Futuro:
Uma Nova Sociedade Sustentada» que nos preocupa porque temos a plena
consciência da transformação e das mudanças que esta nos traz. Certamente que
nós e os nossos descendentes seremos atingidos no resto das nossas vidas.
Refletir, desenvolver e aprofundar o que vem aí, passa pela
informação e pelo conhecimento, assim como o acompanhar das situações de toda a
evolução e inovação. O desenvolvimento e o poder da tecnologia como a internet,
está a impulsionar grandes transformações sociais, culturais, politicas e
económicas e a trazer potencialidades humanas nunca antes existentes. Muitos
cidadãos têm esperança e outros compreensivelmente têm medo deste futuro. Estamos
perante uma revolução tecnológica trazida pelo conhecimento e saberes que ainda
não chegou a todos. O desenvolvimento das energias elétricas renováveis, da
robótica e dos automatismos como da “inteligência artificial ” dará qualidade
de vida mas amedronta com a libertação do ser humano perante o trabalho.
Esta nova realidade mostra-se inevitável, podemos mesmo
compará-la com o início da era industrial do século XIX. A sua inovação é
revolucionária, procurar ignorá-la ou mesmo tentar escondê-la como se não existisse
significa que não haverá outro futuro a não ser aquele em que vivemos, mas isso
já não é possível. Pelo contrário estar atento no que está a acontecer e a
mudar profundamente vai dar-nos novas oportunidades e um desenvolvimento mais
sustentado e humanizado.
Este post inicia o aprofundamento e a discussão deste tema de
uma forma regular, contamos para isso com o vosso contributo criticando e
contribuindo com ideias e noticias.
João Lourenço é sindicalista e militante da BASE-FUT
O «J0»,UM JORNAL HISTÓRIC0 DOS J0VENS TRABALHADORES CRISTÃOS!
Por Catarina
Mendes
“A
JOC – Juventude Operária Católica - é um Movimento de jovens, pelos jovens e
para os jovens.” É esta a frase que melhor sintetiza o movimento jocista.

PLATAFORMA CONTRA ASSÉDIO NO TRABALHO!
Um grupo de cidadãos de diferentes áreas de actividade decidiu
constituir-se em «Plataforma contra o
Bullyng no Trabalho» tendo como
objectivo aumentar a informação e sensibilização da sociedade
portuguesa para este tema, conhecido também por assédio no trabalho e que nos
próximos meses vai estar em debate no Parlamento, no âmbito de uma iniciativa
legislativa.
Um dos objectivos essenciais desta Plataforma é precisamente
contribuir para que o novo diploma possa defender as vítimas do bullyng no
trabalho de forma mais eficaz do que o actual artigo 29º do Código do Trabalho.
Nesse sentido, para além da informação e sensibilização de várias entidades
para o tema, a Plataforma irá solicitar audiências aos grupos parlamentares dos
partidos de esquerda para apresentar propostas e sugestões que possam ser
consideradas pelo legislador no novo diploma.
Várias entidades, nomeadamente a BASE-FUT foram convidadas a aderir ou apoiar.
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