A GORJETA!

«No rescaldo da greve Quintela Maia, presidente da mesa da assembleia geral ainda tentou aguentar o que restava dos esfrangalhados corpos gerentes através de uma moção de confiança posta à assembleia geral, mas a verdade é que meses depois foram todos substituídos e no final do ano de 1921 já era uma direção alinhada com os anarquistas que tinha assumido o poder na associação.
O desemprego e a carestia de vida não paravam de aumentar e a crise provocava uma diminuição drástica do volume das gorjetas dos clientes o que levava ao desespero todos os que tinham essa forma de remuneração.
Era uma questão recorrente.Já no tempo da monarquia houvera discussões sobre a supressão da gorjeta e da sua substituição por um salário regular fixo que evitasse que os trabalhadores ficassem à mercê da generosidade dos clientes e dos fluxos de trabalho.
Só que este problema cíclico se tornou numa constante a partir da guerra e não parou de se agravar.Tornou-se estrutural, não apenas por causa da crise sempre latente mas também com a alteração do tipo de clientela que frequenta os estabelecimentos menos propensa a gratificar ou gratificando com quantias cada vez mais pequenas.
A nova direção de tendencia anarquista estabelece como principais frentes de luta a melhoria dos salários, a abolição da gorjeta, a luta contra o desemprego, o cumprimento do direito ao descanso semanal e o reforço da associação com a nomeação de delegados nas casas.
Juntamente com a ideia de sindicato único, que vem de trás, os anarquistas, aparentemente de forma contraditória com a sua ideologia, introduzem na associação uma noção muito clara da importancia da organização sindical para a luta dos trabalhadores, em particular a organização nos locais de trabalho....»

Américo Nunes «Hotelaria-de criados domésticos a trabalhadores assalariados»

BOAS FESTAS!



Tu que dormes à noite na calçada do relento

Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento

Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento

És meu irmão amigo

És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme

Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume

E sofres o Natal da solidão sem um queixume

És meu irmão amigo

És meu irmão

Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar

Tu que inventas bonecas e combóios de luar

E mentes ao teu filho por não os poderes comprar

És meu irmão amigo

És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei

Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei

Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei

És meu irmão amigo

És meu irmão

Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer

Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Quando um Homem quiser

Ary dos Santos



DIREITOS DOS IMIGRANTES!

No dia 18 de Dezembro terá lugar em lisboa uma Jornada de Ação Global pelos direitos dos migrantes, refugiados e deslocados. Este ano, o tema da Jornada são os centros de detenção e o trágico desaparecimento ou morte de migrantes nas fronteiras. Na Europa e em Portugal assistimos a uma viragem drástica na política de imigração, traduzida na incorporação na lei portuguesa da Directiva do Retorno (a chamada Directiva da Vergonha). Tal é um retrocesso na defesa e na garantia dos direitos fundamentais dos imigrantes e uma flagrante violação da Dignidade da Pessoa e dos Direitos Humanos, cujo objectivo é facilitar ao máximo a expulsão dos e das imigrantes em situação irregular.


Com esta política, imigrantes vivendo há muitos anos em Portugal, trabalhando e descontando para a Segurança Social e o fisco e que, face à situação difícil, transversal a toda a sociedade, não consigam manter a sua situação regularizada, ver-se-ão na eminência de serem expulsos.

Participa numa Festa/Manifestação no Martim Moniz no dia 18 entre as 16-20 horas

PROGRAMA

MERCADO DE FUSÃO (Martim Moniz)

18 DEZEMBRO
16,00 -20,00 H:

TEATRO

Sonhos de Papel, Teatro Fórum dos DRK/GTO Lisboa

MÚSICA

Baul Bangla Silpi Gusti - Música tradicional do Bangladesh

L.A. Records - HipHop / Rap

Chullage - Rap

Projecto Internacional Rádio - www.radio1812.net

Lançamento da campanha a favor dos direitos dos imigrantes

- Apresentação de queixa ao Provedor de Justiça

- Intervenções



SINDICALISMO AUTÓNOMO?

Joao Proença, numa entrevista em Junho passado, depois de dizer que a CGTP defende um sindicalismo de conflito e não tem autonomia contrapunha a sua UGT como exemplo de central autónoma! Impressionante porque a UGT é de facto produto de um pacto de dois partidos-PS e PSD- tendo ainda a colaboração do CDS/PP. Tudo de essencial é negociado a nível das duas correntes partidárias! O mesmo acontece na CGTP, embora com um menor equilíbrio a favor da corrente sindical do PCP que é largamente maioritária na estrutura sindical, embora o não seja em termos de bases trabalhadoras.

Podemos assim concluir que o sindicalismo em Portugal depende fortemente do militantismo partidário e da logística dos partidos políticos. A corrente sindical que defende e defendeu sempre a autonomia sindical, a BASE-FUT, foi sempre minoritária no sindicalismo português. Desde cedo, logo após a Revolução de Abril, a tentaram absorver no Partido Socialista. Sofreu pressões de altos dirigentes daquele Partido e da CFDT francesa para que tal viesse a acontecer! Os «basistas» resistiram! Até á «Carta Aberta» e formação da UGT para onde foram alguns quadros, em particular dos sindicatos dos seguros e bancários! Mas porque esses sindicatos históricos foram construir a nova Central! Ali mantiveram uma ação sindical autónoma! A maioria continuou na CGTP desde o célebre Congresso de todos os sindicatos em 1977.Aí defende, com outros sindicalistas, a autonomia e unidade dos trabalhadores!

Para quem não conhece a história sindical portuguesa considera contraditório que, sendo defensora da autonomia, a BASE-FUT tenha continuado na CGTP. Foi uma opção nem sempre compreendida por todos. Para alguns em 1974/75 a Base deveria ter criado uma central sindical de inspiração cristã. Existiram pressões na altura vindas de alguns setores, nomeadamente eclesiásticos! Os militantes da BASE decidiram outro caminho. O princípio geral do militantismo cristão era não dividir os trabalhadores e dizer não a partidos e organizações confessionais. A opção era estar com os outros portugueses nas organizações políticas e sociais.

A maioria dos quadros sindicais em Portugal considera que o sindicato obedece ao partido! Por vezes exageram e transformam o sindicato num parlamento. Confundem pluralismo sindical e filosófico com pluralismo partidário! Caem no ridículo por vezes, quando defendem as políticas dos seus dirigentes políticos no governo ou na oposição!

Carvalho da Silva na CGTP desenvolveu toda uma estratégia de progressiva autonomia na Central. Os mais partidários não lhe perdoaram! O Partido tinha medo de perder a Central! A solução Arménio Carlos foi uma resposta a esta questão! Mas se o PCP entende o sindicalismo como elemento de luta para aprofundar as contradições desta sociedade o PS e PSD entendem, em geral, o sindicalismo como elemento integrador dos trabalhadores na sociedade capitalista! Ambas as conceções são de «o partido é quem mais ordena!» Ambas as conceções consideram que os partidos dirigem a classe trabalhadora!

Pelo contrário, a conceção autónoma do sindicalismo considera que os trabalhadores e as suas organizações podem gizar a sua estratégia e defender os seus interesses num dado quadro político! Ora aqui os sindicalistas de partido não concordam, claro! Para eles o partido é o comandante, o comité central ou a comissão política é que são os únicos capazes de avaliarem e darem a orientação politica!

P. Pires





ENSAIOS SOBRE AUTOGESTÃO E ECONOMIA SOLIDÁRIA!

Vários textos de Claudio Nascimento, investigador e educador brasileiro que escreve frequentemente sobre autogestão, educação popular e economia solidária!

Claudio Nascimento é um amigo da BASE-FUT com quem mantemos contactos e uma amizade que perdura.Estes seus textos revelam um vasto conhecimento hsitórico sobre as formas de autogestão do movimento operário e popular em vários pontos do globo e uma teorização da autogestão nos tempos atuais.
A revolução dos cravos também é referida,naturalmente!No início dos textos o leitor poderá informar-se sobre o trabalho de investigação do autor e as funções que tem desempenhado no movimento sindical brasileiro e em alguns departamentos do Estado a partir do governos de Lula.

DOMESTICAS/OS-os mesmos direitos!

Existem mais de 50 milhões de trabalhadores/as empregados domésticos em todo o mundo. Estes trabalhadores/as limpam, cozinham, tratam da roupa, tomam conta de crianças e de idosos, para além de muitas outras tarefas.Jornada mundial para ratificar Convenção 189 da OIT.

• O seu trabalho é subvalorizado, mal pago, invisível, não reconhecido e desrespeitado. A grande maioria de trabalhadores/as domésticos são mulheres (82%) – sendo que muitos são migrantes e crianças.

• Num grande número de países os trabalhadores/as domésticos não são abrangidos quer pela legislação laboral quer pelos sistemas de proteção social. A muitos é negado o direito, tanto a nível legal como na prática, de criar um sindicato ou de se sindicalizar.

• Como consequência, os maus tratos, a exploração, a violência e os abusos físicos e sexuais são frequentes e muitas vezes impunes.Ver documento

PRODUTIVIDADE AUMENTOU E SALÁRIOS DIMINUIRAM!


«Entre 1999 e 2011 a produtividade média do trabalho nas economias desenvolvi
das aumentou mais do dobro do que o salário médio . Nos Estados Unidos, a produtividade real horária do trabalho no sector empresarial não agrícola aumentou cerca de 85 por cento desde 1980, enquanto a remuneração horária real cresceu apenas cerca de 35 por cento.
 Na Alemanha a produtividade do trabalho aumentou em quase um quarto ao longo das últimas duas décadas, enquanto os salários reais mensais se mantiveram estáveis.

A tendência global resultou numa mudança na distribuição do rendimento nacional, com a parte afecta aos rendimentos do trabalho a diminuir ao passo que a parte afeta ao do rendimento do capital aumentou na maioria dos países.
Mesmo na China, um país onde os salários praticamente triplicaram na última década, o PIB cresceu a uma taxa mais rápida do que a massa salarial total - e, consequentemente o peso do rendimento do trabalho caiu.»-Diz documento da OIT sobre os salários a nível mundial!
assim se compreende o aumento das desigualdades sociais em todo o mundo nomeadamente na zona euro! A crise faz bem aos ricos!!Ver documento