ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO NAS TESES DO CONGRESSO DA CGTP

4.8.1. A assistência a uma justa reparação às vítimas de acidente de trabalho ou de doença profissional, é um direito dos trabalhadores com consagração Constitucional (art.º 59º da CRP). Em Portugal, segundo valores estimados com base no ano de 2008, mais de 1300 pessoas morrem anualmente por doença ligada ao trabalho. Estima-se que ocorram 4 a 5 mortes diárias por doença profissional e cerca de 231 mortos por acidentes de trabalho, em cada ano. As doenças profissionais são anualmente responsáveis pela morte de seis vezes mais trabalhadores que os acidentes de trabalho.

4.8.2. O processo que levou à extinção do Centro Nacional de Protecção Contra Riscos Profissionais (CNPRP - Instituto Público), transferindo as respectivas atribuições para uma unidade orgânica do Instituto da Segurança Social (ISS), foi iniciado pelo Governo do PS a coberto do Programa de Reestruturação da Administração Central (PRACE). Deste modo, os Sindicatos foram afastados da intervenção directa na gestão do organismo das Doenças Profissionais e anulada a intervenção que a Constituição consagra. Por sua vez, o Governo do PSD/CDS-PP consumou a extinção do CNPRP, aprovando a orgânica do Instituto da Segurança Social (ISS), com as atribuições cometidas a um departamento operacional – o Departamento de Protecção contra os Riscos Profissionais.

4.8.3. As decisões que fragilizaram e levaram à extinção do CNPRP, a quem competia a avaliação, graduação e reparação das doenças profissionais e a sua integração funcional num departamento do Instituto de Segurança Social, motivaram grandes e graves perdas para os trabalhadores, na medida em que o novo organismo perdeu completamente a autonomia e as competências relacionadas com essa autonomia, nomeadamente as competências para gerir as instalações, os equipamentos e o seu próprio pessoal, para planear, programar e avaliar as suas actividades e para realizar as despesas necessárias ao seu funcionamento. Com as mudanças operadas, não houve qualquer ganho para os beneficiários, uma vez que a situação real denota para uma negligência geral, ou seja, um deixa andar por parte dos Governos e das instituições públicas e de outros órgãos quando se trata de reparar os trabalhadores vítimas de doenças profissionais. Situação que exige medidas urgentes e um Centro de Doenças Profissionais dotado de autonomia e meios materiais, técnicos e humanos, bem como de capacidade para programar e avaliar as suas actividades, para que funcione atempadamente e para todos os trabalhadores que necessitem dos seus serviços.(teses para o XIIIº Congresso da CGTP)


O NUNO MARCOU GERAÇÕES DIZEM OS DEPUTADOS!

Texto do voto de pesar da Assembleia da República:
«Em 1948, um grupo de jovens arquitectos, entre os quais Nuno Teotónio Pereira, revoltou-se contra a imposição pelo regime salazarista de um estilo “nacional”. E partiram, sob o impulso de Keil do Amaral, à descoberta da arquitectura popular, procurando um saber antigo e essencial, onde as formas habitadas nascem da relação entre o homem e o meio. Mais de meio século depois, escrevia Nuno Teotónio, a liberdade de expressão arquitectónica continuava ameaçada, já não pela ditadura política, mas pela “ditadura do mercado”.

 A sua obra!
Traço essencial da sua obra é o facto de ter conferido absoluta prioridade à dimensão social da arquitetura e à arquitetura como um serviço à comunidade. Foi um dos pensadores estratégicos do SAAL. A habitação social sempre ocupou lugar central no seu trabalho, com destaque especial para os projetos dos Olivais Norte, que elaborou com Nuno Portas e Pinto de Freitas e diversos projetos por todo o país, de que foi responsável como consultor de Habitações Económicas na Federação das Caixas de Previdência. 
Trouxe para Portugal, nos anos 40, a Carta de Atenas, bandeira do movimento moderno, que era naturalmente mal visto pela ditadura. Na sua arquitectura, sobressai o cuidado com o lugar central da convivialidade e do encontro, de que é exemplo especial o Bloco das Águas Livres (em conjunto com Bartolomeu Costa Cabral). Foi igualmente um nome cimeiro do movimento de renovação da arte religiosa, marcado pela imbricação do espaço do sagrado na praça pública, como se vê na Igreja do Sagrado Coração, em Lisboa, que desenhou com Nuno Portas.
Acompanhava com grande atenção e perspicácia as transformações do território, não hesitando em fustigar as desordens geradoras de desigualdade social, desde os realojamentos forçados no vale de Alcântara em 1966 às distorções do mercado imobiliário no final do século XX, o escândalo dos fogos devolutos e o desordenamento e degradação das cidades. Reclamou medidas públicas para o fim das barracas, prioridade à reabilitação urbana e ao transporte público, primazia do peão no espaço público, medidas fiscais severas contra o abuso do direito de propriedade. Em 2015 continuava a dizer que o grande desafio para os arquitectos de hoje era o problema da habitação.
Formou o primeiro atelier em 1949 com Chorão Ramalho, Alzina de Menezes e Manuel Tainha. Em 1954, o atelier instala-se na rua da Alegria, em Lisboa, e de certo modo transforma-se na verdadeira escola da arquitectura de Lisboa, alternativa ao ensino tradicionalista da ESBAL. Por ali passaram grandes nomes, de Nuno Portas, Bartolomeu Costa Cabral e Pedro Vieira de Almeida a Gonçalo Byrne, Duarte Nuno Simões, João Paciência ou Pedro Botelho. Deixou profunda marca em todos quantos com ele trabalharam, embora estivesse sempre a dizer que o mérito era todo alheio e nunca de si próprio.
Defensor incansável da responsabilidade social dos arquitectos, batalhou pela sua organização profissional, desde o velho Sindicato Nacional dos Arquitectos à Associação dos Arquitectos Portugueses e mais tarde à Ordem dos Arquitectos, tendo encabeçado em 2003 a primeira iniciativa legislativa de cidadãos em Portugal, sob o lema “Direito à Arquitectura”.
Nuno Teotónio Pereira foi também um católico progressista. Não é possível fazer a história do catolicismo progressista em Portugal sem pôr Nuno Teotónio Pereira no centro dessa outra rutura. Com uma coragem admirável e com uma capacidade invulgar de organizar coletivos, Nuno Teotónio Pereira interpretou empenhadamente as transformações operadas no contexto do concílio Vaticano II e contribuiu para o distanciamento crítico de católicos/as para com o regime de Salazar e para a presença pública de católicos/as na oposição à ditadura e à guerra colonial. O seu papel crucial nas vigílias pela paz na Igreja de S. Domingos, em 1969, e na Capela do Rato, em 1972 e na criação e dinamização dos cadernos GEDOC foram marcos particularmente relevantes desta dimensão da sua vida.

Opositor da ditadura!

Nascido numa família de grande pluralidade política, Nuno Teotónio Pereira foi um opositor tenaz e coerente do regime fascista. A criação, em 1963, do “Direito à Informação”, boletim clandestino que difundia notícias sobre a guerra colonial, a sua participação na Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, ou o seu envolvimento militante no Boletim Anti-Colonial e, em geral, toda a sua atividade de luta contra a repressão e a ditadura valeram-lhe a prisão pela PIDE em 1967, 1972 e 1973, de onde foi libertado nas horas que se seguiram à revolução de 25 de abril de 1974. Anos antes, em 1970, iniciara com Jorge Sampaio, Vítor Wengorovius, Agostinho Roseta e José Dias um movimento que viria a dar origem, já em plena vigência da democracia, ao Movimento de Esquerda Socialista, por onde também passaram Ferro Rodrigues e João Cravinho.
Foi premiado pela AICA em 1985, pela Academia Nacional de Belas Artes em 2007, foi doutorado honoris causa pelas Universidades do Porto e Técnica de Lisboa, tendo ainda recebido em 2010 a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa e o Prémio Carreira da Bienal Ibero- Americana de Arquitectura e em 2015 o Prémio da Universidade de Lisboa. Recebeu em 1995 a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e em 2004 a Grã-Cruz da Ordem do Infante. Distinguido várias vezes com o Prémio Valmor Municipal de Lisboa, o seu edifício na Braamcamp em Lisboa teve o raro destino de receber uma alcunha popular como “Edifício Franjinhas” (1971).
Autor de numerosos estudos, artigos e comunicações sobre arquitectura, habitação, património, território e cidadania, a sua obra foi pioneira, a sua escrita destemida e a sua vida uma história de talento, generosidade e profunda fraternidade. Pouco tempo antes de morrer, numa das últimas entrevistas que deu, dizia: “a arquitectura faz-se de dentro para fora, como o ser humano”.
A Assembleia da República curva-se perante a memória de Nuno Teotónio Pereira, acompanha a família no momento de pesar que atravessa e exorta os cidadãos a inspirarem-se no seu exemplo de probidade, fraternidade, liberdade e cidadania que marcou sucessivas gerações ao longo da sua vida.

OS DEPUTADOS DOS GRUPOS PARLAMENTARES E O DEPUTADO DO PAN



















AR, 2016-01-20

DESIGUALDADES AUMENTAM!

A publicação recente do relatório “WORKING FOR THE FEW: Political capture and economic inequality” onde se reportava que praticamente metade da riqueza mundial era detida por 1% da população veio colocar de novo no debate público o problema das desigualdades económicas e sociais.
Independentemente dos valores exactos apresentados, e que são sempre de estimação difícil quando se trata de medir a riqueza e a sua distribuição, o relatório da Oxfam veio reafirmar quatro importantes questões fundamentais para a análise da importância crescente das desigualdades na nossa forma de viver e nas condições de vida auferidas pelas populações.VER

A NOVA SITUAÇÃO POLÍTICA E AS ORGANIZAÇÕES DE TRABALHADORES!

«A nova situação política criada com os resultados das eleições legislativas de Outubro passado foi de algum modo surpreendente para a maioria dos portugueses. Os partidos da esquerda portuguesa PS, PCP, BE e PEV, pela primeira vez em 41 anos, conseguiram realizar uma convergência inédita, estabelecendo acordos políticos que sustentaram um governo socialista. Reconhecemos que estes acordos, embora aparentando alguma fragilidade, foram fruto de uma análise realista da situação social e política em que nos encontramos após uma governação da coligação PSD/CDS e do programa de ajustamento da TROIKA (BCE, FMI e Comissão Europeia).
As políticas de austeridade levadas a cabo por aquela coligação, sustentadas e impostas por aquelas instituições, fizeram regredir económica e socialmente o país......VER

COMBATE AOS RISCOS PSICOSSOCIAIS!

O Comité dos Altos Responsáveis da Inspeção do Trabalho (SLIC) concordou em realizar uma campanha
sobre os riscos psicossociais, em 2012.Um grupo de trabalho com representantes de 12 Estados-Membros, sob a liderança da Suécia planeou a campanha durante 2011. 
A principal tarefa do grupo de trabalho foi desenvolver um conjunto de ferramentas para o controlo dos riscos psicossociais, para ser usado durante a campanha e depois. O objetivo era desenvolver ferramentas para atender às necessidades de todos os Estados-Membros. Uma dessas ferramentas é um folheto simples de fácil leitura e que pode ajudar na prevenção dos riscos psicossociais.VER

NUNCA TE ESQUECEREMOS!

A BASE-FUT lamenta a morte de Nuno Teotónio Pereira e envia as condolências á família. O Nuno foi uma referência moral e política para milhares de portugueses, nomeadamente para os militantes cristãos que combateram a guerra colonial e a ditadura salazarista, entre os quais se incluem muitos militantes da BASE-FUT-
Sempre que solicitado por nós o Nuno esteve sempre presente com grande consideração pela nossa Organização. O seu percurso e empenhamento na promoção da habitação social e na arquitetura em Portugal são reconhecidos por todos. Nunca o esqueceremos!

PLANTAR EUCALIPTOS À BALDA?

Na sequência de reuniões anteriores, a última das quais na Casa do Oeste, resultado de uma parceria entre a Fundação João XXIII Casa do Oeste e a COOPSTECO, realizou-se dia 12/1/2016, no Circulo de Cultura Musical do Bombarral, mais uma reunião de agricultores para abordar a temática do DL nº96 de 2013 sobre o plantio de eucaliptos. A palestrante foi a Eng florestal Rute Santos.
Um dos aspetos mais polémicos do Decreto Lei.96 de 2013 relaciona-se com o facto de ser omisso relativamente à distância a respeitar nas culturas vizinhas, anteriormente na ordem dos 20 a 30 metros.
Trata-se duma lei liberal e por outro lado, sem uma verdadeira estratégia agro-pecuária e florestal motivadora, que levou muitos proprietários a aproveitar as facilidades da lei para plantar indiscriminadamente. Assim durante 2 anos surgiram imensos pedidos de licenciamento que foram aprovados.VER